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Província de Maputo tem Centro de Excelência para tratar tuberculose

Foto: GPM

Foi, hoje, inaugurado um Centro de Excelência para o Tratamento de Tuberculose, na Província de Maputo, avaliado em cerca de 1.4 milhões de dólares, financiados pelo Banco Mundial. A infra-estrutura foi inaugurada pelo Primeiro-Ministro, no âmbito do Dia Mundial de Combate à Tuberculose. A data visa chamar a atenção da sociedade sobre o perigo que a tuberculose ainda representa.

A tuberculose começa com sintomas que, de primeira, parecem comuns. “Sempre tinha tosse, sentia frio, cansaço e perda de apetite. Foi assim”, descreveu os primeiros sintomas Sandra Bernardo, paciente com tuberculose, internada no Hospital Geral da Machava.

O que não sabia é que tal era o prenúncio de uma doença que entraria pela terceira vez: a tuberculose. “Fui ao hospital porque a tosse não estava a passar. Na unidade sanitária, fizeram-me um teste e disseram que não tinha nada. Provavelmente, eram sequelas que tinham ficado das vezes que fiquei infectada, mas eu notava que estava a perder peso e não me recompunha”, revelou Sandra Bernardo.

Está fraca. Debilitada. Abatida. Voz trémula. Ainda tem a doença, mas tem no tratamento a esperança para sua salvação. “Assim, sinto que o tratamento que estou a receber no hospital, talvez salvará a minha vida”, disse num tom carregado de esperança.

Têm, igualmente, fé no tratamento Júlio Sitoe, juntamente com sua esposa e filho também infectados com a tuberculose. Estão, os três, internados no Hospital Geral da Machava.

“Eu vim ao hospital fraco. Mas agora estou melhor. Aconselho aos irmãos que verem as minhas palavras, que se aproximem a este local para ter vida ao invés de ir aos curandeiros, onde só vão gastar dinheiro em vão”, aconselhou José Sitoe, paciente com tuberculose internado no Hospital Geral da Machava.

É já num estado bem avançado da doença que os pacientes dão entrada no Hospital Geral da Machava, referência no tratamento da tuberculose, mas nem sempre é tarde para começar com os cuidados médicos.

“Estabilizamos o paciente e damos alta para continuar o seguimento próximo à sua residência”, afirmou, em breves palavras, Lubânia Mussagy, directora do Hospital Geral da Machava.

E qual é o tempo médio de tratamento para que se considere que um paciente está livre da doença? “Varia de 18 a 20 meses para tuberculose resistente porque depende das culturas. Se a cultura for positiva, a gente faz o seguimento de acordo com os exames que for a fazer e extremamente resistente, varia de 20 a 24 meses”, explicou Lubânia Mussagy.

Na verdade, estas são apenas duas histórias do total de mais de 100 mil casos de tuberculose diagnosticados, no ano passado, em todo o país.

É para reforçar o combate a esta doença que foi inaugurado, esta quinta-feira, na Província de Maputo, o Centro de Excelência de Tuberculose, avaliado em cerca de 1.4 milhões de dólares e contou com o apoio do Banco Mundial.

“O centro que inauguramos, para além de oferecer serviços de qualidade para os pacientes com tuberculose multirresistente, vai contribuir para a formação, implementação de boas práticas clínicas e programáticas, assim como servir de espaço de troca de experiências para profissionais e investigadores nacionais e da região da África Austral em matéria de prevenção e tratamento da tuberculose”, referiu o Primeiro-Ministro, Adriano Maleiane.

O Primeiro-Ministro, Adriano Maleiane, fala de avanços significativos na luta contra a tuberculose. “Em 2020, estimava-se que no nosso país, cerca de 115 mil pessoas poderiam desenvolver a tuberculose. Deste universo, 84% foram diagnosticadas e tratadas, o que colocou Moçambique na lista dos países com melhores coberturas de tratamento da doença a nível mundial”, revelou Maleiane.

Entretanto, a Organização Mundial da Saúde alerta para o aumento de casos da tuberculose em todo o mundo, muitos não reportados. “Estima-se que todos os dias, mais de quatro mil pessoas perdem a vida devido a esta doença e perto de 30 mil adoecem desta enfermidade evitável e curável. O ano de 2020 foi caracterizado pela grande queda de notificação de casos e aumento de óbitos por tuberculose em todo o mundo”, advertiu Severin Van Xylander, representante da OMS em Moçambique.  

O centro inaugurado, esta quinta-feira, vai internar 20 pacientes e junta-se à anterior capacidade de 61 internamentos do Hospital Geral da Machava.

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