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Produtores aprendem técnicas agrícolas na província de Maputo

O Centro de Agregação e Valorização Agrícola (Cava) capacitou os produtores do Regadio Bloco 1 de Moamba, na província de Maputo em matéria de boas práticas e técnicas agrícolas

A cor preta da terra no Regadio Bloco 1 em Moamba indica o elevado nível de fertilidade do solo. Culturas florescem mas esse crescimento pode estar comprometido por factores como clima e ervas daninhas.

Isabel Chaúque é agricultora há mais 30 anos. Conhece terra, as técnicas de cultivo os caminhos difíceis que as hortícolas percorrem até à colheita.

“Antes era difícil plantar. Não tínhamos nenhuma técnica e as culturas estavam muito próximas umas das outras, o que comprometia o seu crescimento e, consequentemente, a colheita”, contou Isabel Chaúque, agricultora no Regadio Bloco 1 de Moamba.

Com a colheita comprometida, a comida escasseava, uma vez que a fonte de renda é a agricultura. O mercado local também ficava sem produtos para a venda porque é abastecido pelos mesmos agricultores que registavam défice de produção.

“Foram muitas culturas que perdemos por causa da falta de conhecimento. Nós usávamos as nossas enxadas para tirar ervas daninhas e isso cortava as culturas. Com essas técnicas, a produção não chega para satisfazer a demanda do mercado. Aliás, mesmo para a nossa alimentação é difícil. Tudo cresce lento e seco”, revelou Isabel Chaúque.

Para ultrapassar esses problemas, 140 agricultores do Regadio Bloco 1 de Moamba, entre homens e mulheres, aprendem várias técnicas de cultivo num espaço de dois hectares. O processo está sob alçada do Centro de Agregação e Valorização Agrícola.

“Nós consideramos isso uma machamba na escola porque traz inovações e nós viemos buscar novas experiências, tecnologias e maneiras de se abordar certas culturas”, como é o “caso de cebola, milho, batata-doce entre outras”, indicou Joshua Sitoe, presidente do Regadio Bloco 1 de Moamba.

As aulas consistem, basicamente, na separação entre culturas e a eliminação de ervas daninhas que prejudicam o seu crescimento.

“O que acontecia é que eles [os agricultores] faziam linhas duplas e nós introduzimos três linhas. Trouxemos, igualmente, marcadores que facilitam o cultivo”, explicou Eduardo Mbeve, técnico do Centro de Agregação e Valorização Agrícola, acrescentando que foi reduzido o espaçamento entre as culturas para 10 centímetros entre plantas e 15 na linha. “Com esta forma garantimos uma maior produtividade e um bom rendimento”.

Esta quinta-feira, a empresa manteve encontro com os agricultores para lhes apresentar as novas técnicas de cultivo e as respectivas vantagens.

“Somos uma empresa de comercialização e valorização agrícola. O nosso grande objectivo é vender produtos nacionais para diferentes supermercados, hotéis, restaurantes e mercados”, descreveu Almira Langa, da direcção do Centro de Agregação e Valorização Agrícola.

Em Moamba, a organização actua já há um ano e numa primeira fase contactou os agricultores para trabalhar com eles. Fomentou culturas de cebola e feijão-verde mas não teve sucesso. A partir daí, a organização fez “um campo próprio para mostrar que era possível produzir com os meios locais”.

O Centro de Agregação e Valorização Agrícola pretende ainda alargar os campos de cultivo com vista a garantir mais produtos no mercado formal e informal.

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