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PRM nega existência de agentes entre os seis linchados na Matola

Tensão em Muhalaze. Depois de, na última terça-feira, seis indivíduos terem sido linchados pelos residentes, a população quer agora saber da localização de um dos dois supostos agentes da Polícia alegadamente envolvidos na tentativa de assalto a uma residência.

Tudo começou por volta das quatro horas daquela manhã, que terminou violenta. Um grupo de oito indivíduos invadiu a casa de uma família de cinco membros, situada naquele bairro do município da Matola, tendo agredido o casal e a filha de 18 anos exigindo dinheiro. Não encontrando dinheiro começaram ameaças de morte às quais a família respondia com gritos. Foram esses gritos que chamaram atenção dos vizinhos que logo trataram de intervir, evitando que o pior acontecesse.

“Quando entrei notei que tinham muitas caras que não conheço. Em seguida vi uma miúda de 18 anos a ser apertada o pescoço. Quando quis intervir fui baleado”, contou ao “O País”, um vizinho que junto com a esposa foram se meter na confusão para prestar socorro. O homem conseguiu fugir, apesar de baleado. A esposa viria também a ser vítima, minutos depois.

“Pulei o muro a seguir o meu marido, só que quando entrei no quintal o malfeitor estava em cima do muro. Assim que me viu baleou-me no pé”, conta a mulher, tratando logo de reconhecer: “na minha vida nunca imaginei que fosse passar por aquilo”.

Aquilo que o casal passou, provocou indignação e agravou a fúria dos vizinhos. Começou uma perseguição desenfreada pelo grupo: foram linchados um a um conforme caiam nas mãos da população. Do bairro de Muhalaze ao bairro Nwamatibjana, um percurso de cerca de 10 quilómetros foram seis que “tombaram”, espancados até a morte.

“A população está cansada desses bandidos. Não dormimos à vontade porque nossa casa pode ser invadida a qualquer momento”, desabafa uma residente do Nwamatibjana. A população reitera as queixas pela insegurança nos dois bairros e denuncia a existência de agentes da Polícia entre os membros da quadrilha.

 

Polícia nega envolvimento

Reagindo ao fenómeno e as acusações, o Porta-voz do Comando da Polícia da República de Moçambique, na província de Maputo, começou por revelar tratar-se de um grupo que era há muito procurado pela corporação e, embora céptico pelo facto das investigações estarem ainda em curso, negou a existência de agentes da polícia entre os linchados ou foragidos.

“De uma forma clara, apesar de preliminar, não temos indivíduos dentro da quadrilha que podemos afirmar categoricamente que são membros da polícia”, terminou Fernando Manhiça.

 

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