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Primeiros refugiados ucranianos chegam à Polónia e Hungria

Os primeiros refugiados da Ucrânia, que fogem da guerra, começam a chegar aos países vizinhos na Europa, com mais incidência Polónia e Hungria.

Esta quinta-feira, a Polónia, país-membro da União Europeia, recebeu os refugiados que deixaram a Ucrânia por via terrestre. Um comboio com origem na cidade ucraniana de Kharkiv, no leste do país, perto da fronteira russa, chegou a Przemysl, na Polónia, com centenas de refugiados a bordo.

“Tivemos muita sorte em conseguir sair da Ucrânia no penúltimo comboio a vir para aqui. Passámos as últimas 16 horas a apostar toda a nossa sorte em chegar aqui. Nós e muitos dos nossos amigos vamos conseguir o estatuto de refugiados, mas nós temos a vantagem de ter o nosso alojamento planeado com antecedência. Estamos contentes por ter amigos aqui, na Polónia, prontos a ajudar o nosso povo”, disse Alexander, refugiado ucraniano de Kiev, citado pela Euronews.

Também nas cidades ainda controladas pelo Governo de Kiev, mas vizinhas das auto-proclamadas repúblicas independentistas de Luhansk e Donetsk, no leste do país, como foi o caso em Kramatorsk, as estações ferroviárias encheram-se de pessoas em fuga para o estrangeiro ou para zonas da Ucrânia consideradas mais seguras.

Na Polónia, junto da fronteira ucraniana, segundo a Stars and Stripes, citado pelo Observador, cerca de 5.5 militares norte-americanos preparam-se para receber os refugiados ucranianos.

Foram montados, de acordo com o New York Times, três centros de processamento perto da fronteira para facilitar a entrada de civis. Em Jasionka, perto da fronteira, um pavilhão tem sido ocupado com camas e mantimentos capazes de servir a 500 pessoas, tendo os oficiais norte-americanos explicado que esta capacidade pode ser rapidamente aumentada.

Com a Bielorrússia a apoiar as movimentações das tropas russas, a Polónia, que ofereceu ajuda aos refugiados ucranianos, é agora uma das principais portas de saída dos habitantes do país invadido.

Outro país que também está com a fronteira aberta para receber os refugiados é a Hungria. Ao longo desta quinta-feira, a Polícia húngara reportou filas para entrar no país, que partilha uma fronteira de 140 quilómetros com a Ucrânia. Segundo a agência de notícias húngara MTI, pelo menos 400 a 500 pessoas atravessaram a fronteira a pé.

“A situação na Ucrânia é horrível, meus amigos e familiares ficaram em Kiev e em outras cidades próximas à fronteira. Decidimos abreviar uma viagem a uma conferência em Budapestre para ajudar na Ucrânia”, explicou à AFP Bogdan Khmenitski um médico ucraniano de 33 anos, enquanto empurrava uma mala de volta à Ucrânia.

“Todo mundo que pode está a fugir”, explicou Krisztian Szavla, um dos primeiros refugiados ucranianos que chegaram à Hungria ontem, a partir da Transcarpathia (oeste), onde vive uma grande minoria húngara.

Slava esclareceu ainda que há filas de uma hora para comprar gasolina, caixas electrónicas de bancos estão vazias, como prateleiras de lojas.

“Tenho mulher e uma filhinha. Não quero que ela cresça sem pai”, afirmou o profissional de marketing, que admite estar a fugir do recrutamento militar.

O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, disse que “depois do ataque de hoje (quinta-feira), temos que levar em conta que haverá um número significativo de cidadãos ucranianos chegando à Hungria e possivelmente solicitando o status de refugiado. Estamos prontos para atendê-los, somos capazes de enfrentar esse desafio de forma rápida e eficiente”.

Com o conflito na Ucrânia, estima-se que possa haver milhões de refugiados. Um mapa postado ontem na página de Orban no Facebook sugeriu que a Hungria pode ter que acolher 600.000 refugiados.

 

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