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Primeira-Dama do Zimbabwe presta homenagem às vítimas do massacre de Tembwe

Centenas de zimbabwianos renderam, este domingo, homenagem aos mais de mil soldados que morreram no massacre de Tembwe, em Manica, quando lutavam para libertar aquele país vizinho.

O massacre teve lugar no dia 23 de Novembro de 1977, quando a guerra estava intensa no Zimbabwe, entre o movimento libertador, ZANU – Frente Patriótica (PF), e o regime de Ian Smith.

Conforme reza a história, Ian Smith foi informado que havia sido instalada uma base militar em Manica, concretamente na região de Tembwe, e enviou, para aquele ponto do país, uma missão que fez intensos bombardeamentos e resultaram na morte de 1030 soldados.

Gift Cagueda, um dos sobreviventes do massacre, tinha 17 anos de idade quando foram feitos bombardeamentos que duraram três dias. Passados 45 anos, ainda guarda uma memória fresca do acontecimento. Contou que o assalto à base de Tembwe começou por volta das 6 horas.

“Vimos um pequeno avião e pensámos que fosse um avião desportivo. Gritamos todos, avião, avião…, mas, minutos depois, já eram tantos”, lembrou Cagueda, acrescentando que “depois vimos pára-quedistas. Aqui começou o bombardeamento. Os aviões eram tantos que pareciam formigas. Todo o ar estava cheio. Enquanto estávamos no Mudzingadzi onde havia paraquedistas, começaram a atear fogo em direcção à nossa base. Eu sobrevivi e não sei como isso foi possível”, contou.

No local onde os restos mortais das vítimas jazem em valas comuns, foi construído, em sua memória, um monumento e um museu. Nele, podem-se encontrar vários retratos de horror. Anualmente e em datas aleatórias, uma comitiva zimbabwiana desloca-se até ao local para prestar homenagem aos seus heróis. E, este ano, a comitiva estava encabeçada por Auxillia Mnangagwa, Primeira-Dama do Zimbabwe, cujo esposo, Emmerson Mnangagwa, também é um dos sobreviventes do referido massacre.

Auxillia disse que, em reconhecimento ao espírito heroico dos que tombaram no massacre de Tembwe, o Governo de Mnangagwa irá continuar a preservar o local para permitir que as futuras gerações tomem conhecimento do quanto custou libertar Zimbabwe, cuja independência só viria a ser alcançada a 18 de Abril de 1980.

Por seu turno, a governadora de Manica, Francisca Tomás, disse que a província e o país irão continuar a estreitar relações de amizade com o Zimbabwe.

“Neste momento que estamos a falar, estão, em Cabo Delgado, zimbabwianos e moçambicanos a lutarem juntos contra o terrorismo, porque os dois países não querem a guerra”, vincou Francisca Tomás.

Refira-se que, depois dos três dias de massacre na base de Tembwe, os homens do regime de Ian Smith bombardearam a ponte sobre o rio Púnguè na EN7, cortando a ligação entre Moçambique e Zimbabwe, via Tete.

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