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Presença de fármacos nos rios “ameaça o meio ambiente”

Um estudo recente de uma equipa de cientistas do Reino Unido, publicado na revista norte-americana Proceedings of the National Academy of Sciences, concluiu que os medicamentos estão a poluir os rios de todo o mundo, o que ameaça a saúde do homem e o meio ambiente. Os cientistas temem que o aumento da presença de antibióticos possa limitar a sua eficácia.

As amostras de água foram recolhidas de cerca de mil locais de mais de 100 países, entre os quais Londres, Amazónia, Índia e Nova Iorque, que mostram vários tipos de antibióticos e químicos que afectam a vida selvagem, segundo escreve a Euronews.

A pesquisa verificou que mais de um quarto dos 258 rios estudados tinham os chamados “ingredientes farmacêuticos activos” presentes num nível considerado inseguro para organismos aquáticos. Embora o impacto de muitos desses compostos nos rios ainda seja desconhecido, sabe-se que, por exemplo, os contraceptivos dissolvidos podem afectar o desenvolvimento e a reprodução dos peixes.

Segundo o Jornal de Notícias, um jornal diário português que cita a revista, os dois medicamentos mais detectados foram a carbamazepina, usada para tratar a epilepsia e dores nos nervos, e a metformina, usada para tratar a diabetes. Também foram encontradas altas concentrações de cafeína (presente no café) e nicotina (nos cigarros), além do analgésico paracetamol (por exemplo, no ben-u-ron). Em África, a artemisinina, que é usada no tratamento da malária, também foi encontrada em altas concentrações.

A nova investigação, levada a cabo pela Universidade de York (Reino Unido) e que está entre as mais extensas realizadas à escala global, detectou a presença de paracetamol, nicotina, cafeína e medicamentos para epilepsia e diabetes em rios de todo o mundo, com destaque para os do Paquistão, Bolívia, Etiópia, Nigéria e África do Sul, entre os mais poluídos do planeta por produtos farmacêuticos. Os rios da Islândia, da Noruega e da floresta amazónica estão, por outro lado, na lista dos menos poluídos.

“Normalmente, o que acontece é que tomamos esses produtos químicos, eles têm alguns efeitos desejados em nós. E o que sabemos agora é que mesmo as estações de tratamento de águas residuais mais modernas e eficientes não são completamente capazes de degradar esses compostos antes de eles chegarem a rios ou lagos”, disse John Wilkinson, que liderou a investigação, à BBC News.

O estudo nota que o aumento da presença de antibióticos nos rios também pode levar ao desenvolvimento de bactérias resistentes, prejudicando a eficácia dos medicamentos e representando “uma ameaça ao meio ambiente ”.

Como a maior concentração de poluição de produtos farmacêuticos foi encontrada nos países mais pobres, com a má gestão de águas residuais e redes de esgoto, são as populações mais vulneráveis e com menos acesso aos cuidados de saúde a ficarem mais expostos a riscos.

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