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Prémio Literário José Craveirinha 2021

por: Celso Muianga

 

Camarada São José ainda bem que nestes tempos pandémicos e incertos a HCB não apanhou Covid. E é já amanhã que será anunciado o maior prémio da nossa República das Letras, que é Prémio José Craveirinha, com o alto patrocínio da Hidroeléctrica de Cahora Bassa. Um prémio que anda agora na grande avenida da consagração à vida literária e à obra dos melhores filhos de Moçambique.

Olhando para o histórico das últimas edições deste galhardão vejo que, por exemplo, Luís Bernardo Honwana, com  NÓS MATÁMOS O CÃO TINHOSO, Lília Momplé, Calane da Silva, a eterna luz, e Fátima Mendonça, os madodas das nossas letras já levaram para casa os justos 25 mil dólares, pelo seu visível e reconhecido emprenho nas diversas frentes literárias, o que é de todo inquestionável.

Para o ano 2021, tendo em conta o mérito e engajamento literário vejo Luís Carlos Patraquim, POR CIMA DE TODA A FOLHA, a liderar a minha casa de apostas. E ao lado de Patraquim coloco Mia Couto e Francisco Noa.

MONÇÃO, a obra inaugural de Patraquim que o académico Nataniel Ngomane farta-se de classificar como um marco, um livro divisor de águas do nosso território literário, no sentido em que constitue um sinal de evidente de mudança do paradigma literário. Esta obra conta já 41 anos de estrada. MONÇÃO é o segundo livro chancelado pelo INLD, a seguir a CELA 1 de José Craveirinha, o patrono deste prémio.

Tendo em perspectiva e olhando para a carreira de Patraquim vejo-o a liderar a GAZETA DE ARTES E LETRAS que serviu de plataforma de lançamento de novas vozes da literatura moçambicana, incluído a célebre geração CHARRUA. E o mesmo Luís Carlos Patraquim, verdade seja dita, esteve envolvido nas propostas de publicação de autores moçambicanos em Portugal, sobretudo na Editorial CAMINHO, onde começou a internacionalização dos nossos autores, no sentido em que atingiram outros público e o tão ambicionado mercado das traduções. Ainda vale a pena olhar e ver o número de vezes em que Luís Carlos Patraquim participou no apoio às edições de obras dos novos e jovens autores moçambicanos nos últimos 20 anos, quer tutorando, prefaciando e apresentando novas publicações. Um empenho visível que ultrapassa o simbolismo dos números.

A fechar este libreto sobre Patraquim, nestes seus 44 anos de produção literária vale a pena visitar dois notáveis estudiosos:

«Luís Carlos Patraquim é hoje o mais importante poeta africano de língua portuguesa, juntamente com o angolano Ruy Duarte de Carvalho» palavras de Pedro Mexia, poeta e crítico português.

O brasileiro Mário Luchesi afirmou «Luís Carlos Patraquim vive no delta da língua portuguesa. Entre Pasárgada e Inhambane. Como um dos seus poetas mais completos e mais inspirados».

A obra de Luís Carlos Patraquim consta na enciclopédia Britânica, no capítulo sobre o legado das literaturas africanas, com  uma referência à MONÇÃO  e a outros livros de autores moçambicanos e dos países de língua portuguesa. Para lá da poesia Patraquim tem cultivado a prosa, através da crónica e da novela, obras já publicadas em Moçambique e em Portugal e no Brasil.

São José,

A minha outra aposta para a edição 2021 recai sobre o escritor Mia Couto, outro divisor de águas, segundo Ngomane, com a publicação de RAIZ DE ORVALHO, há 38 anos. Couto é de longe, o mais regular, o mais traduzido e com maior número de reedições fora de portas, onde as tiragens gravitam acima de milhares de cópias por título. Num extenso universo de prémios e distinções recordo que recentemente venceu o prémio Jan Michalski, sendo o primeiro autor africano a vencê-lo, para além de ter sido finalista do Mann Booker Price e ter vencido o Neustadt. A distinção recente veio na esteira da publicação francesa da trilogia AS AREIAS DO IMPERADOR.  Mia Couto, um autor com notável polivalência nos diversos géneros literários, desde a poesia, à crónica, ao conto, ao texto dramático, infanto-juvenil, novela, romance, ensaio, e na composição de canções nos mais diversos momentos vivivos no país, como as cheias, ciclones, e aquando das primeiras eleições multipartidárias, em colaboração com os Ghorowane, no álbum NÃO É PRECISO EMPURRAR.

Tendo em conta que o prémio carreira também já distinguíu académicos, no caso, Fátima Mendonça, vejo na obra de Francisco Noa um manancial carregado de mérito e inegável reconhecimento. Por isso mesmo, em 2014, com o livro PERTO DO FRAGMENTO, A TOTALIDADE  ele venceu o prémio BCI de literatura, o que só abona a favor deste ensaísta, de uma produção regular e que nos conduz, com as suas reflexões sobre o fénomeno literário, ao debate e às mais diversas facetas da vida literária moçambicana.

São José,

Gostaria de apostar em mais autores e acho que me permites apenas dizer alguns nomes notáveis, pelo seu talento, empenho e impacto literário, são os casos de Paulina Chiziane, João Paulo Borges Coelho, Suleiman Cassamo, Nelson Saúte e Fernando Manuel.

Vou ficar-me por aqui nos meus palpites, camarada, em expectativa crescente para saber a decisão do júri. Até já!

Abraço índico e repetido,

Celso Muianga

 

 

 

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