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“PR deve libertar-se do actual sistema político do seu partido”

Daviz Simango, presidente do Movimento Democrático de Moçambique, teceu comentários a propósito dos três anos de governação de Filipe Nyusi, que se assinalam esta segunda-feira.

Simango disse estar a apreciar a entrega de Nyusi na busca pela paz efectiva, contudo, acrescenta que o Chefe do Estado deve afastar-se de influências que possam anular seu esforço.

“Filipe Nyusi deve libertar-se  das amarras do passado, se quiser levar o país ao alcance de uma paz efectiva.  O Chefe do Estado está rodeado de figuras altamente influentes e bajuladoras, no seio do seu partido e do governo, que põem em causa todas as suas iniciativas para a construção de uma sociedade verdadeiramente democrática e com uma economia robusta”.

Para Simago, tais figuras têm interesses políticos e económicos, e não estariam de acordo com grandes mudanças.

“São figuras que jamais permitirão que mudanças radicais dentro do sistema político nacional aconteçam, sob risco de perderem os poderes a que estão agarrados desde 1975.  Se o Presidente da República não tiver a coragem suficiente para se livrar destas pessoas, então caminharemos, infelizmente, para o abismo, e a suposta paz efectiva jamais será alcançada e todos os esforços efectuados pelo Chefe do Estado junto do líder da Renamo, Afonso Dhlakama, irão desembocar numa “parede” e retornaremos a tensões políticas militares”.

O presidente do MDM diz que Filipe Nyusi está, desde o início da sua governação, a gerir problemas deixados pelo anterior governo, e faz disso, um exemplo das influêncais partidárias.

“Temos o problema das dívidas ilegais que até hoje não está a ser tratado da forma mais correcta, facto que prejudica a todos os moçambicanos. Tudo isso tem a ver com o nosso sistema político. Enquanto não se mudar o sistema político, este processo das dívidas ocultas, continuará em ‘banho-maria’, porque há um problema de coabitação dos interesses internos dentro do nosso sistema político, que até interfere no sistema judicial”.

Simango reitera que o Presidente da República deve unir coragem suficiente para criar uma ruptura com o actual sistema político do seu partido, instituindo uma nova ordem democrática, defende ainda que Filipe Nyusi deve investir na segurança, garantir a estabilidade do país.

“O caso de Mocímboa da Praia está a ser gerido de ânimo leve, mas pode desembocar num problema regional e depois nacional, mais complicado que o conflito com a Renamo”, e acrescenta: “O Presidente da República deve procurar entender a origem dos autores e as causas daquele comportamento marginal; dialogar com os autores deste comportamento condenável e encontrar soluções pacíficas e não recorrer a opressões e detenções arbitrárias”.

Por outro lado, alerta para os riscos que podem ser gerados desses ataques.  “Cabo Delgado é uma zona riquíssima em recursos naturais e há potências mundiais que não hesitarão em financiar grupos terroristas, com ajuda de nacionais gananciosos, para desestabilizar o país e depois roubarem o que é nosso”.

Porém, Daviz Simango encoraja o Presidente a continuar a buscar soluções efectivas para o país. 

 

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