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PR anuncia abate de líder terrorista que conduziu massacre de 51 jovens em 2019

Foto: GPR

Trata-se de Muhamudu, descrito como um líder influente no grupo terrorista, que, em 2019, esteve envolvido no assassinato de 51 jovens em Xitaxi, distrito de Muidumbe, província de Cabo Delgado, por terem negado entrar para as fileiras. A informação foi avançada, hoje, durante a cerimónia de encerramento do 18° curso das Forças Especiais e de Reserva da Polícia na Escola de Formação De Forças Especiais de Makandzene, localizada em Maluana.

Acompanhado pelos ministros do Interior e da Defesa, Comandante-Geral da PRM, chefes de todos os ramos da Polícia e alguns representantes das tropas de Ruanda, o Presidente da República orientou, ontem, o 18º Curso das Forças Especiais de Makandzene, interior do Posto Administrativo de Maliana. Antes da cerimónia, o Chefe de Estado acompanhou demonstrações táticas de situação de resgate de vítimas; reacção a emboscadas de forças inimigas às posições das FDS e simulação de ataque surpresa, pelas FDS às posições inimigas. Todas as situações visavam mostrar a prontidão dos formados no enfrentamento do maior inimigo de hoje: os terroristas.

“A nossa satisfação é acrescida porque esta formação acontece numa altura em que aumentamos o caudal de nossos efectivos de prestadores de serviços capacitados, com vista a cobrir a fase seguinte nas zonas livres do terrorismo”, iniciou Filipe Nyusi para, em seguida, defender que as conquistas no terreno operativo Norte devem ser consolidas, pois o inimigo está à espreita.

“Disse em Pretória e voltei a referir, em Maputo, que os sucessos que os vossos colegas estão a ter no terreno, precisam de ser consolidados. É o que está a acontecer. Depois da acção em Awasse, com ajuda da força de Ruanda, ocupámos várias bases do inimigo. Houve batalhas longas, mas ainda não podemos considerar que a situação está segura. Graças a esse comando que demos de formação de jovens, eles têm estado empenhados, e até ontem abateram um dos membros da chefia do grupo, chamado Muhamudu.

Noutro desenvolvimento, o Comandante-chefe das Forças de Defesa e Segurança defendeu que o treinamento, ora efectuado, municiou os formados de ferramentas para enfrentar acções complexas, como terrorismo e crime organizado. Filipe Nyusi exigiu, por isso, lealdade e respeito pelas leis do país.

“Uma vez agentes da Polícia o serão para sempre. Devem, por isso, respeitar a Constituição. Estão a trabalhar com colegas que não são moçambicanos, com essa troca de experiências poderão cumprir missões não só a nível nacional, mas também regional e até internacional. Ninguém está autorizado a desrespeitar a Lei, nem os poderes instituídos.  Foram formados para respeitar a Lei e a Constituição. A nível desta escola, temos vindo a incrementar e aprimorar acções de formação táctico-operativas, como parte do trabalho conjugado de todas das Forças de Defesa e Segurança para que com bravura erradiquemos esses males, defendendo a nossa soberania e integridade territorial, por forma a restabelecer a ordem em toda a dimensão do território nacional. Fiquei satisfeito pelo que vi hoje (referindo-se a ontem), significa que os membros da PRM acompanham os desafios da actualidade”, precisou.

O Presidente da República avançou que a sofisticação do crime organizado e o terrorismo demandaram reacções do Estado para fazer frente a essas ameaças, razão pela qual tem havido mudanças nos processos formação dos agentes.

“Antes treinávamos em Matalane, para manter a ordem e segurança públicas, nas cidades, nas vilas, nas povoações e nas estradas mas, agora, os inimigos multiplicam-se e mudam. Não queremos ter apenas forças defensivas, mas também reactivas. Após a vossa formação, estarão preparados para reacção e manutenção da ordem pública, combate a situações de alto risco que ultrapassam os meios de policiamento físico, como são os casos de combate ao crime organizado e o terrorismo”.

 

“ESCLAREÇAM ESSE ASSUNTO O MAIS RÁPIDO POSSÍVEL”, EXIGE PR SOBRE RAPTOS DE ONTEM

Filipe Nyusi reagiu, igualmente, aos dois raptos ocorridos, ontem, tendo avançado ser uma coincidência que os episódios tenham acontecido dias depois de ter dado orientações para a restruturação das FDS. O Chefe de Estado exigiu, por isso, esclarecimento rápido dos crimes.

“Este é um desafio ao sector de formação da Polícia, SERNIC e outros intervenientes. Na inteligência, quando há coincidência de actos, é preciso tomar isso como matéria para investigação. É uma coincidência que isso aconteça numa altura em que pensamos em restruturar as nossas Forças de Defesa e Segurança. Quero que esclareçam esse assunto o mais rápido possível. Procurem, sobretudo, os mandates e a rede. Só assim, é que iremos acabar com este fenómeno. Esta é uma afronta”, ordenou.

 

PR QUER FIM DO DOSSIER NHONGO

Na cerimónia, o Presidente da República disse que o país não pode aceitar ter duas guerras, sendo, por isso, que exigiu das FDS a neutralização de Mariano Nhongo, líder da Junta Militar. “Sobre a Junta Militar da Renamo, já dei espaço para que ele (Mariano Nhongo) se entregue voluntariamente. Já não irei falar muito sobre isso. Exijo que terminem esse dossier. Não podemos ter duas guerras no país, isso desgasta a nossa força”, explicou.

 

TERRORISTA FOI MORTO NUMA EMBOSCADA, EXPLICA BERNARDINO RAFAEL

Ainda no evento, o Comandante-geral da Polícia, Bernardino Rafael, esclareceu as circunstâncias em que o referido líder terrorista foi morto pelas tropas conjuntas de Moçambique de Ruanda.

“Como referiu o Comandante-Chefe, conseguimos abater um líder terrorista, chamado Muhamudu numa emboscada. Trata-se de um indivíduo que foi responsável por espalhar terror em Cabo Delgado, desde o início do fenómeno terrorismo, sobretudo nos arredores de Mbau. Foi morto em Limala, a nove quilómetros, do posto administrativo de Mbau. Eles tentaram escapulir da acção das nossas forças, mas nem todos escaparam. Recorde-se que Muhamudu e seu companheiro, chamado Abdulaim, foram eles que assassinaram, em 2019, 51 jovens na aldeia de Xitaxi, em Muidumbe. Abdulai foi morto em confronto com as nossas forças, em finais de 2020 e ontem (referindo-se a quarta-feira) foi a vez desse terrorista influente. Nessa emboscada, foram mortos dois terroristas e outros fugiram. Neste momento, as forças conjuntas de Moçambique e de Ruanda estão a cercar a zona e estão a perseguir o inimigo”, terminou.

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