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População de Matongomane, na província de Maputo, já tem água “PRAVIDA”

Perto de 1.600 pessoas de Matongomane, no posto administrativo de Mahel, província de Maputo, têm água canalizada desde esta quarta-feira, com a inauguração de uma represa para a retenção do precioso líquido.

A infra-estrutura custou ao Governo pouco mais de 26 milhões demeticais e foi reabilitada no âmbito do projecto PRAVIDA. É o fim da abertura de poços para obter água, acção que era sobretudo feita em função da queda da chuva.

O sol intenso pica sobre a localidade de Matongomane, posto administrativo de Mahele, distrito de Magude, província. A seca é severa, a vegetação verde e a única fonte que abastecia a população daquele ponto do país tinha sido destruído aquando da guerra civil.

Naquela localidade, falta água para o consumo, abeberamento de gado dogado e para a prática da agricultura. Nesta realidade, vive José Abílio desde 1996 e assegura que nem sempre a vida foi assim nesta que alberga, na sua maioria, os deslocados da guerra dos 16 anos.

“Quando chegamos aqui, a única represa que nós tínhamos naquele rio, foi destruído durante a guerra. De lá a esta parte, tem-nos sido difícil ter acessoà água para a satisfação das nossas necessidades. Chegamos mesmo a percorrer longas distâncias”, contou José Abílio, residente de Matongomane, distrito de Magude província de Maputo.

A falta de água foi sendo acompanhado por sucessivas lamentações. O gado morreu e ficou impossível praticar qualquer tipo de agricultura. A fome instalou-se.

“Nós ainda tentávamos abrir poços deágua, mas sempre que chovia. Ela [á água] não fica por muito tempo, uma vez quejá não tinha uma barreira para retenção. O gado morreu massivamente porque não tinha onde beber água. Alguns de nós, estamos ainda a recolher ossos”, descreveu José Abílio, com um tom de angústia pela perda dos seus bois.

Sem a represa para reter a água que a natureza dava através destepequeno rio, a população assistia o precioso líquido de passagem para outros locais que, talvez, menos precisassem.

“São muitas as vezes que a água passava para o outro lado e nós perdíamos. Mas agora, com esta infra-estrutura, vai ser muito fácil para nós termos água”, referiu Maria, residente de Matongomane, sublinhando não terpalavras para descrever o sentimento de gratidão pela represa reabilitada.

Sem operar já há mais de 20 anos, a represa de Matongomane foi reabilitada, no âmbito do projecto governamental, Água Para Vida e custou aos cofres do Estado pouco mais de 26 milhões de meticais.

“A reabilitação da represa permitirá que Matongomane volte a ser, também, um abastecedor dos povoados à volta, contribuindo para o desenvolvimento das actividades agrícolas, abeberamento de gado, pesca e ao fornecimento de água para o consumo doméstico”, apontou Vitória Diogo, secretária de Estado na província de Maputo.

Além de destacar a importância da infra-estrutura para as populações,Vitória Diogo recordou o investimento feito pelo Governo para a sua reabilitação, tendo pedido, por isso, que “os beneficiários criem condições para garantir a conservação e sustentabilidade da represa, por forma aviabilizar os investimentos realizados bem como o contínuo e eficiente abastecimento de água aos habitantes”.

Com capacidade para armazenar 4.7 metros cúbicos de água, esta represa poderá beneficiar cerca de 1. 600 pessoas das povoados de Daniel, Ribungo,Simbe, Chicutso, Chifundlane, Djavanguane, Mahel-sede e a irrigação de 473 hectares de terra além do abeberamento de gado.

“Estamos a falar de uma represa com um coroamento de cerca de 150 metros, partindo do ponto onde vem a placa de inauguração até uma extensão deum quilómetro porque tinha rombos, fizemos um movimento de solos de pouco mais de 20 mil metros cúbicos movimentados para tapar o rombo e foram compactados obedecendo os critérios de compactação de solos e depois foi colocada uma camada de desgaste por cima”, explicou Edgar Chongo, director-geral da ARA SUL.

Para a ARA SUL era importante que a camada de desgaste fosse colocada,uma vez que a represa tem, também, a função de transitabilidade, “ligando os distritos de Magude e, mais a frente, no distrito de Chókwè”.

Em nome da população, ao administrador do distrito de Magude só restou agradecer pelo empreendimento.

“Nós sabemos que estamos num distritosemi-árido. Portanto, hoje (referindo-se a ontem), estamos cheios de alegria edifícil descrever o que vai no nosso coração para nós, para vida do nosso gadoe fazer machamba”, mostrou-se grato, Lázaro Bambamba, administrador do distrito de Magude.

Ainda esta quarta-feira, a secretária de Estado na província de Maputo testemunhou à entrada de sete toneladas de farinha aos distritos de Magude, Manhiça e Moamba por parte da Açucareira de Xinavane.

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