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População de Govuro quer mais benefício do gás da Sasol

A multinacional sul-africana Sasol explora campos de gás natural em Temane, distrito de Inhassoro, Pande e Nova Mambone, no distrito de Govuro, em Inhambane, entretanto, a população de Govuro diz que não tira nenhum benefício da exploração daquele recurso, tanto no distrito no seu todo como nas localidades de Pande e Nova Mambone. A queixa foi apresentada ao Presidente da República, Filipe Nyusi, que iniciou esta quinta-feira uma visita de quatro dias à província de Inhambane, onde a porta de entrada foi a localidade de Machacame, no posto administrativo de Save, distrito de Govuro.

No local, Filipe Nyusi visitou uma feira que expõe as potencialidades económicas da “Terra da Boa Gente”, desde pecuária, agricultura, pesca, turismo e exploração de hidrocarbonetos, com destaque para o gás natural, explorado pela Sasol. E no comício que dirigiu, que contou com a participação de milhares de pessoas, os residentes daquele distrito apresentaram várias preocupações, mas a principal prende-se ao facto de há quase vinte anos ser explorado um recurso valioso no local, mas o sonho de ver a vida melhorada nunca mais passar disso, aliás, os níveis de pobreza e de precariedade dos serviços básicos não param de crescer.

Os residentes dizem que para além de a Sasol só retirar o gás natural sem lhes beneficiar em nada, põe camiões pesados a circular na Estrada Nacional número Um, acentuando a sua degradação e criando dificuldades de transitabilidade.

O Chefe de Estado disse, em resposta à preocupação apresentada, que o governador da província também tem constantemente levado esta preocupação ao Governo Central e que os ministérios dos Recursos Minerais e Energia e da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural estão já a trabalhar no assunto, para ver se se encontra uma solução ao problema.

A população pediu ainda ao presidente uma viatura para a Polícia da República de Moçambique, que é obrigada a patrulhar e perseguir malfeitores a pé; uma ambulância para o centro de saúde do distrito de Govuro, assim como a sua ampliação; a construção de mais escolas de ensino geral e ensino técnico-profissional; extensão da energia eléctrica para as localidades que ainda não dispõem deste recurso; bem como a construção de uma barragem para reter a água do rio Save, de modo a que seja utilizada para abastecer a população e irrigar machambas.

O Presidente da República pediu à população para continuar a apostar no aumento da produção e da produtividade e exortou a que recorra sempre aos serviços dos extensionistas, para lhes ajudarem a produzir muito mais. Explicou que só assim é que se vai conseguir reduzir o custo de vida no país.

Ainda em Machacame, Filipe Nyusi visitou uma farma que se dedica à produção de fruta, com destaque para manga e ananás. A mesma tem em vista a exportação para África do Sul e outros mercados, bem como o processamento a nível local.

Filipe Nyusi deixa promessa de solução das inquietações da população

O Chefe de Estado disse que as preocupações foram anotadas, sendo que algumas estão em estudo, como são os casos da barragem e a reabilitação do regadio de Nhamunda. Filipe Nyusi disse que o ministro do Interior, presente no local do comício, já estava a preparar uma viatura para enviar a Govuro e aproveitou para entregar uma ambulância àquele distrito. Quanto ao pedido de uma escola técnica, o governante recordou à população que já existe uma no distrito de Mabote, a qual a cada ano não consegue completar as vagas que tem disponíveis, daí que a população de Govuro pode encaminhar os seus filhos para serem formados naquela escola, que até tem um internado. Só quando se esgotarem as vagas, de acordo com o Chefe de Estado, é que se pode pensar em construir outra escola. Filipe Nyusi deixou uma mensagem à população da província de Inhambane, em particular, e de todo o país, em geral, tendo em conta que aquela província, concretamente o distrito de Funhalouro, foi também palco de confrontos militares com os homens armados da Renamo. Nyusi pediu que as populações sejam tolerantes e adoptem medidas que fomentem a reconciliação nacional com os homens da Renamo, quando saírem das matas, visto que os mesmos provêm das aldeias onde a população vive e também são moçambicanos. E frisou que os esforços que está a encetar para o alcance da paz efectiva com a liderança da Renamo visam que se construa um Moçambique cada vez melhor e próspero para todos.

 

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