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Ponta d’Ouro regista maior enchente de sempre

A quadra festiva que finda constituiu o maior teste que a vila e a praia da Ponta de Ouro jamais enfrentaram. Com o advento da ponte e da nova estrada, muita gente elegeu este destino turístico para a passar a quadra festiva. Este facto pôs a nu fragilidades que nunca foram expostas. Um turista com quem conversamos na fronteira disse mesmo que muito provavelmente não voltará mais a Ponta de Ouro

“Não volto mais a Ponta de Ouro. Irei para Beira ou outro lugar mais bonito”, desabafou referindo-se ao congestionamento que o impediram de circular livremente pela vila.

Com efeito, as poucas e estreitas estradas ficaram congestionadas, faltaram espaços para estacionamento e a imprudência de alguns condutores agravou a situação. As pessoas estacionavam em lugares impróprios e alguns circulavam sem obedecer as mais elementares regras de trânsito. O chefe do posto administrativo local, João Tempo, disse que foi necessário mobilizar algumas pessoas para reforçar a Polícia no controlo do tráfego.

“Estamos felizes, porque apesar do elevado número de viaturas, não registamos acidentes e isso foi graças a nossa entrega, caso contrário o cenário teria sido outro”, referiu . Ainda assim, há o registo de um acidente em que uma moto de quatro rodas conduzida por um jovem foi embater num camião estacionado.

Muitas pessoas na praia implicaram muito lixo produzido. Valeu mesmo a iniciativa do governo local e dos operadores turísticos e uma ONG local que se organizaram para um campanha de limpeza que removeu, nas primeiras horas desta quarta-feira, toneladas de resíduos sólidos da praia, do mercado e dos principais pontos de concentração de pessoas.

“Demos prioridade a praia. Logo de manhã, limpamos a praia e neste momento estamos a limpar o mercado com o apoio da direcção provincial do MITADER e outras instituições como Educação e outras” disse o chefe do posto.

O administrador do distrito, reconhece os constrangimentos registados, afinal estiveram na Ponta de Ouro cerca de 60 mil pessoas. Ainda assim, refere que apesar de não ter sido uma grande surpresa o movimento intenso na quadra festiva, na verdade desde o advento da ponte Maputo-Katembe e da reabilitação da estrada para a Ponta de Ouro as situações constatadas nesta quadra festiva irão dinamizar um projecto já em curso para descongestionar Ponta de Ouro e receber melhor os turistas. Artur Muandula diz que o projecto desenhado é de requalificação da Ponta de Ouro para a criação de novos espaços funcionais numa zona de expansão no bairro de Machina china, de modo a deixar a zona da praia apenas para os turistas

“Neste momento, já existe um espaço para o novo mercado, maior que o actual, é um plano de reordenamento e já existe uma área para o terminal dos transportadores semi-colectivo. Temos também a área para a implantação do centro de saúde e também e estamos a criar condições para que tenhamos mais parques de estacionamento”, disse Muandula. O plano, segundo o administrador, prevê também a transferência de praticamente todos os serviços públicos da zona da praia.

“Aqui na vila somente estarão as pessoas que pretendem usufruir da praia”, reiterou.

Apesar dos constrangimentos de trânsito e de um movimento não habitual registado na praia da Ponta de Ouro, muitos dos turistas gostaram do local. Muitos estiveram no local pela primeira vez e não apresentaram razões de queixa pelo menos em relação ao tempo, a beleza da praia e ao serviço de restauração. Estes dizem ter passado bons momentos nesta quadra festiva.

“é bonito, o tempo é bom, e tem uma vista fantástica”, disse Anita, uma turista sul-africana que passou a transição do ano naquela praia.

Soledad, uma turista espanhola que visita Moçambique pela primeira vez, apesar de ter os pais a residir em Maputo, também confirmou a beleza da praia.

“É maravilhoso e as pessoas são muito alegres e simpáticas realmente gostei de ficar aqui”, afirmou. O mesmo defendeu outro turista, Bryan, que apela a toda a gente a visitar este lugar e aponta um motivo inusitado que o levou ao local.
“O álcool é muito barato aqui”, referiu.

Mas a opinião de Bryan não é,entretanto, comungada por todos. Gabriel decidiu passar as festas na Ponta de Ouro e diz que são simplesmente absurdos alguns dos preços praticados.  

“Comprar uma barra de gelo que em Maputo compramos a cinquenta meticais por duzentos, uma garrafa de água que em Maputo custa quinze meticais por cinquenta e frango a duzentos e cinquenta rands, um refresco de 25 por sessenta e um sorvete por 35 rands eu considero uma especulação de preços”, disse agastado.

Quem também tem queixas é o responsável da reserva marinha parcial, Vicente Matsimbe. Matsimbe diz que há muitas pessoas que se fazem a Ponta de Ouro sem um local para hospedar, o que cria diversos problemas.

“Dormem na praia e nas ruas, confeccionam comida em lugares impróprios e fazem necessidades em qualquer parte”, referiu acrescentando que a distância entre Maputo e Ponta de Ouro é de apenas uma hora, pelo que as pessoas podem a vontade ir a praia e voltar para Maputo sem grandes problemas, o que evitaria alguns comportamentos que não dignificam a ninguém.

 

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