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“Políticos por vezes escangalham processos”

Filipe Nyusi voltou nesta quinta-feira, a falar das contestações às nomeações dos oficiais da Renamo. Considera o estadista que as reivindicações feitas são politiquices e que, a serem ouvidas, os moçambicanos poderão ser desinformados.

No último discurso oficial do ano, que aconteceu um dia depois de no pódio do parlamento ter abordado o mesmo assunto, Filipe Nyusi desvalorizou, mais uma vez, as reivindicações sobre as nomeações interinas dos homens da Renamo para os cargos de direcção nas Forças Armadas de Defesa de Moçambique.

Aliás, este último pronunciamento de Filipe Nyusi acontece no mesmo dia em que Ivone Soares, chefe da bancada da Renamo na Assembleia da República, veio a público dizer que o Executivo liderado pela Frelimo sempre procurou artimanhas para não cumprir acordos fechados com a Renamo. “O memorando de entendimento assinado pela Renamo e pelo Governo prevê a nomeação de 14 oficiais da Renamo e não apenas três nomeados interinamente. Não é a primeira vez que a Frelimo procura artimanhas para não cumprir acordos por si assinados”, acusou a deputada.

Entretanto, o estadista moçambicano diz que apesar destas nomeações, feitas pelo titular da Defesa Nacional, serem interinas, os três oficiais oriundos do maior partido da oposição já ocuparam os cargos e estão a trabalhar. Aliás, diz que serão estes a coadjuvar o chefe do Estado-Maior General no processo de integração dos demais homens da Renamo. “Ficarão, por vezes, desinformados. Os políticos têm esse problema de, quando algo está desenhado, está nas balizas, gostar de explorar e aproveitar. Por vezes, até escangalham processos por interesses diferentes. Há pessoas que nem sabem o que está a acontecer”, refere Filipe Nyusi, que afirma estar optimista no avanço do processo de integração dos homens da Renamo e seu desarmamento e reinserção na sociedade. “Estou muito optimista de que o processo vai andar. São politiquices e nós vamos contornar, vamos gerir, para que não haja isso”, diz.

No discurso que proferiu no banquete de natal e fim do ano, realizado na Ponta Vermelha em Maputo, o comandante-em-chefe das Forças de Defesa e Segurança falou, também, dos ataques em Cabo Delgado, referindo que as comunidades devem acarinhar os homens da lei e ordem, que continuam a procurar garantir a estabilidade nos distritos de Cabo Delgado.

Abordou, igualmente, a situação económica e financeira do país, manifestando vontade de ver, novamente, o apoio dos parceiros de Moçambique, mesmo depois de o Estado ter custeado as suas despesas durante quatro anos sem financiamento destes. “Conseguimos pelo quarto ano consecutivo, autofinanciar o nosso Orçamento do Estado. Queremos em nome do povo moçambicano renovar o nosso de voltar a merecer o apoio dos nossos parceiros de cooperação. O povo moçambicano precisa de reabrir as suas portas para os investimentos estrangeiros, para acelerar o alcance do seu bem-estar”.

E porque e mesmo quadra festiva, Filipe Nyusi fez um brinde com os convidados presentes, deixando promessas de um 2019 melhor.

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