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Polícia apreende 11.9 quilos de cornos de rinocerontes

Duas “simples” bobinas de gerador de energia eléctrica. Era esta carga que o cidadão vietnamita queria declarar às autoridades do Aeroporto Internacional de Maputo. Porém as bobinas têm, cada uma delas, um espaço no interior onde pode-se colocar alguma coisa e isso criou curiosidade aos agentes da Polícia durante o processo de inspecção.

Uma declaração mentirosa a do vietnamita. Afinal, tratava-se de um disfarce (falhado), pois no interior existiam 11 cornos de rinocerontes, totalizando 11.9 quilos. O indivíduo foi descoberto e detido pela Polícia para efeitos de interrogatório.

O interrogatório não foi um processo fácil, já que o indiciado não falava nada, senão apenas um “NO!”, o que dava a entender que falava Inglês. De seguida os jornalistas tentaram tirar quaisquer informações, mas suas palavras não foram mais além. O cidadão vietnamita ficava com as mãos a suportar o queixo e a controlar o que os agentes da Polícia faziam com “os seus chifres”.

O jornal O País teve acesso ao passaporte do indiciado e através dele foi possível apurar mais detalhes sobre este cidadão “calado”. Trata-se de Nguyen Tien Trung de nacionalidade vietnamita e tem 43 anos de idade. Sabe-se também que o mesmo seguia viagem de Moçambique usando a companhia aérea Qatar, num voo que lhe devia levar à sua terra natal.

Fazendo bem o uso do seu direito ao silêncio, só isso foi apurado o que era possível. Por esta razão, a Polícia ainda não sabe nada sobre a proveniência destes chifres de um dos animais mais protegidos a nível internacional através de convenções como a Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e da Flora Selvagem Ameaçadas de Extinção (Cites).

Contudo, a Polícia explica que não é o fim do processo, afinal “este trabalho é constante dos autos já lavrados, que é para investigar e saber-se de onde é que são provenientes estes produtos”, explica o porta-voz da Polícia da República de Moçambique a nível da Cidade de Maputo, Leonel Muchina.

Muchina levanta ainda a hipótese de estarem envolvidas mais pessoas, ou seja, este pode ser apenas “a cara” de um grupo de criminosos, por isso há necessidade de se “responsabilizarem um conjunto de pessoas que provavelmente estariam envolvidas neste processo todo de retirada destes produtos ilegais”.

Não passam duas semanas desde que a Polícia, no mesmo ponto, deteve um cidadão chinês com nove pontas de marfim. Um dado interessante é que nas duas ocasiões a Polícia falou da possibilidade de existirem mais envolvidos nestes actos criminosos, entretanto não tem mais detalhes sobre quem sejam, de onde e como fazem todo o processo.

 

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