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Polícia acusada de encobrir festas em Maputo

Apesar dos altos índices de contaminação em Maputo, alguns pontos continuam a desrespeitar as medidas de prevenção da COVID-19. O mercado Inhagoia é o destaque, sendo que os cidadãos dizem fazê-lo com conivência da Polícia.

Quando se chega ao mercado de Inhagoia, na cidade de Maputo, pode-se assumir tudo, menos que pessoas que lá estão sabem que, na capital, os números de novos infectados pela COVID-19 aumentam a cada dia.

A noite é de sexta-feira, 25 de Junho, data em que o país celebrava 46 anos da independência nacional. Ao que tudo indica, o local ficou, ele próprio, independente das medidas de prevenção da COVID-19. Aliás, um dos cidadãos que lá encontrámos confirmou-nos que há uma certa independência. “Inhagoia é assim de Segunda à Segunda-feira”, revelou.

É assim em termos de desrespeito às medidas, mas no que diz respeito ao número, o comentário é outro. “Isto não é nada. Inhagoia brinca-se! E digo mais: todos os bairros vêm desaguar aqui”, disse o entrevistado, para depois ser secundado por uma outra cidadã que nos revelou que aquela enchente não era nada quando comparado com as registadas aos sábados.

Por, é mais fácil e frequente ver a boca junto da garrafa de cerveja do que tapada por máscara. As pessoas abraçam-se, dançam e no final seguem a vida como se as centenas de novas infecções diárias não estivessem a ter lugar aqui.

Para ver as enchentes não precisa fazer nenhum esforço, já que estão ao pé da Avenida de Moçambique. Aliás, uma das cidadãs contou que a Polícia sabe disso tudo. “Polícia aqui de Inhagoia? Talvez um polícia do Zimbábwè, Itália ou América. De Inhagoia? Esquece! Nós, se estamos aqui, cheios, é porque Polícia disse “Bebam!”.

E bebem mesmo. Bebem álcool em todos os cantos daquele mercado e não só. Mas, a Polícia da República de Moçambique, na voz do Porta-voz do comando da cidade, nega ter dado tal permissão.

Estes depoimentos são de indivíduos que estão a prevaricar. São de indivíduos que estão a cometer uma irregularidade, daí que não chamam a si a consciência de prevenir determinada acção e vão imputando à Polícia. Nós nos distanciamos dessas acusações, não constituem verdade”, disse Leonel Muchina, porta-voz da corporação.  

E mais, Muchina diz ser impossível que existam agentes coniventes em tais atitudes, até porque “nosso trabalho exclusivo é reprimir estas acções. As pessoas, por consciência própria,o cometendo essas infracções e encontram a necessidade de imputar à Polícia a culpa por este comportamento irresponsável”.

Mas, além das pessoas que se tinham juntado no mercado de Inhagoia, nos bairros houve também festas. Na hora do regresso, quase ninguém tinha máscara. A justificação era: é dia de celebração.

Fora Inhagoia, a Praça da Juventude, vulgo Magoanine, também registava algum aglomerado, sobretudo de pessoas vendendo nas bermas da estrada, o que, naturalmente, chamava a clientela para se juntar. E como era um ambiente degustativo, as máscaras foram dispensáveis.

No último sábado, uma brigada conjunta esteve no terreno para fazer a fiscalização. Vários cenários de violação do novo decreto e outros instrumentos legais foram encontrados.

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