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Pobreza, frustração e desespero podem estar associados a homicídios contra familiares

No distrito de Homoíne, província de Inhambane, três irmãos recorreram a paus para tirar a vida do próprio progenitor, supostamente por feitiçaria. O episódio deu-se na noite de segunda para terça-feira. Entendidos na matéria acreditam que os jovens que cometeram este crime agiram sem pensar, em parte devido às aflições impostas pela vida. Ainda assim, poderão não escapar da pena máxima de prisão.

Segundo um dos indiciados, tudo começou depois de um desentendimento que terminou em agressão física entre a vítima e a esposa. Esta dirigiu-se à casa de um dos filhos para pedir ajuda. Reagindo em socorro da mãe, o mais velho entre os descendentes conversou com o pai e chegaram a um entendimento.

Entretanto, horas mais tarde, o entendimento que havia, diante do problema que dividia o casal, caiu por terra. Supostamente, o finado voltou a agredir a mulher, deixando a família agastada.

O irmão mais velho contou que amarrou o próprio pai, submeteu-o à agressão física até perder a vida. Ele agiu sozinho supostamente os irmãos estavam na machamba, naquela hora da noite.

Perante estes factos, sociólogo Ivo Costa considera que a falta de prosperidade na vida pode ter frustrado os três filhos do casal e olharam para a feitiçaria como pretexto para justificar o homicídio.

“Eles tinham uma espécie de resultado de algumas preocupações sociais”, quando jugaram que a morte do pai seria o fim da suposta feitiçaria. “A questão do desequilíbrio financeiro, quando o sujeito não consegue satisfazer” as suas necessidades e garantir o equilíbrio da “estrutura familiar, obviamente que ele vai relegar a terceiros” esse fracasso, disse o sociólogo, ajuntando que “em resultado do não alcance dos vários objectivos pessoais que têm [os irmãos três acusados], relegaram a sua fraqueza ao seu pai”.

Aliado a isto, está o factor desespero, pois com as portas da vida aparentemente fechadas, aos olhos dos filhos, o único culpado só podia ser o pai, segundo o psicólogo Áchimo Chagame.

“Considerando que estamos inseridos num meio social e cultural, crimes desta natureza não se encaixariam sempre em patologias de fórum psiquiátrico e psicológico, mas estão enquadrados naquilo que são as dinâmicas socais. Na questão do desespero, a pessoa quer alcançar alguma coisa. Se após várias tentativas não consegue, o ser humano sempre tende a guiar-se naquele momento por via dos instintos, por meio do impulso. E com o nervosismo incorre, infelizmente, a crimes daquela natureza [assassinato do pai]”, explicou o psicólogo.

Mesmo ainda sem sentença transitada em julgado, o jurista Edson Chichango não tem dúvidas de que aos indiciados, só a pena máxima de prisão é que cabe ao crime por eles praticado.

“Não é um homicídio comum tal como os outros. É um homicídio mais agravado e por causa disso a penalidade também tem de ser agravada. Neste caso, segundo o estipulado pela lei são 20 a 24 anos de prisão. Ao que tudo indica, de facto, o tribunal vai condenar estes indivíduos”, concluiu Edson Chichango.

Em 12 meses, este é o segundo caso de filhos que assassinam os próprios pais, acusando-os de feitiçaria na província de Inhambane.

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