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PMA promete aumentar assistência humanitária para mais pessoas em Cabo Delgado

A garantia foi deixada por David Baesley, Director-executivo da instituição, no final de uma audiência concedida pelo Presidente da República, Filipe Nyusi. Os níveis do aumento da assistência serão anunciados no final da visita de avaliação que decorre a partir de amanhã.

Desta vez, o debate sobre o terrorismo em Cabo Delgado colocou à mesma mesa o Presidente da República, Filipe Nyusi, e o Director-executivo do Programa Mundial de Alimentação, David Baesley.

Recebido em audiência pelo estadista moçambicano, Beasley revelou que o PMA já presta assistência humanitária a cerca de dois milhões de pessoas, sendo 700 mil vítimas do terrorismo e deslocados nas províncias do norte do país.

Uma vez que ainda há carências, o Director-executivo do PMA garantiu ao Presidente da República que vai aumentar o apoio nas diversas áreas da sua actuação – “Queremos atingir mais 1,2 milhão de pessoas, porque Moçambique, como outros países, não é só assolado pela insurgência, há ciclones, mudanças climáticas, intempéries, tráfico de drogas… são diversas situações e nós estamos aqui para ajudar Moçambique a seguir em frente”, disse.

O nível de reforço do apoio será revelado depois da visita do Director-executivo do PMA a Cabo Delgado, marcada para esta terça-feira, entretanto há garantias. ”Estamos a trabalhar com o Banco Mundial e o Governo de Moçambique para maximizar os nossos projectos e o sucesso da ajuda humanitária”, assegurou.

São informações avançadas numa conferência de imprensa na qual o Governo não esteve representado e o PMA não permitiu perguntas dos jornalistas.

Para além da reunião que manteve com o Chefe do Estado, o Director-executivo do Programa Mundial de Alimentação manteve encontros com outros membros do Governo, a exemplo da Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Verónica Macamo.

A visita da liderança do PMA acontece alguns seis meses depois de a organização ter reclamado falta de recursos para prosseguir com a ajuda humanitária às vítimas da insurgência armada, em Cabo Delgado.

Naquela altura, as operações humanitárias enfrentavam uma escassez de 108 milhões de dólares e o número de pessoas, forçadas a abandonar as suas casas, tinha aumentado para 565 mil, segundo o Governo. Desse grupo, segundo revelou o PMA, 400 mil estavam sob ameaça de fome e desnutrição crónica.

A postura optimista apresentada esta segunda-feira por David Beasley alimenta a esperança de se poder proporcionar dias melhores para aqueles que foram obrigados a abandonar as suas casas por pessoas até aqui sem rosto.

Outra promessa de dias melhores veio há uma semana através do Director Regional do Fundo das Nações Unidas para Infância (UNICEF), Mohamed Fall, que promete aumentar de 51 para 90 milhões de dólares o apoio às crianças vítimas da insurgência em Cabo Delgado, que já deixou milhares de menores órfãos, perdidos dos seus familiares e mais vulneráveis.

Como pretende David Beasley, Mohamed Fall visitou Cabo Delgado, mas as informações sobre as ilações tiradas pela instituição humanitária ainda não foram divulgadas.

Tanto o PMA quanto o UNICEF, assim como outras organizações das Nações Unidas, defendem a reconstrução de Cabo Delgado com a edificação de infra-estruturas, criação de novos postos de trabalho, escolas e outras formas que garantam a construção de um “homem-novo”, evitando, de todas as formas, que mais cidadãos de Cabo Delgado se vendam ao terrorismo.

A situação humanitária em Cabo Delgado piorou depois dos ataques de 24 de Março, em Palma. Alguns relatos indicam que, embora menos agressivos, os ataques continuam na Vila, o que está a fazer com que Pemba continue a receber deslocados que buscam por locais seguros que tendem a escassear.

É que chegam relatos indicando que os moradores do bairro Paquite-quete, que mais deslocados acolhe na cidade de Pemba, chegando a registar mais de 100 pessoas na mesma casa, estão a impedir a permanência de “novos deslocados” naquela zona.

Mais, as organizações, como a Cruz Vermelha, estão a cortar ajuda humanitária a todos os que não estiverem abrigados num centro de reassentamento ou acolhimento, para evitar o que chama de oportunismo. Entretanto, esta medida pode significar fome e doenças para milhares de cidadãos que fogem o terror.

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