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Perdas pós-colheita de cereais rondam em 20,8%, diz MADER

Os resultados do Inquérito Agrário Integrado (IAI) de 2020, realizado pela primeira vez pelo Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural (MADER), com informação detalhada de nível distrital, indicam que, em Moçambique, existem cerca de 4.3 milhões de explorações agro-pecuárias, das quais 4.167.702 (equivalentes a 97.8%) são pequenas, 93.183 (2,19%) médias, e 873 (menos de 0,02%) grandes explorações. As pequenas e médias explorações representam cerca de 99% do total.

As províncias de Niassa, Cabo Delgado, Nampula e Zambézia são as que mais pequenas explorações possuem. Enquanto isso, Tete, Manica e Gaza possuem maior número de médias explorações e, por fim, a maioria das grandes explorações estão nas províncias de Cabo Delgado, Nampula, Zambézia e Gaza.

Do total de cerca de 4.3 milhões de explorações (pequenas e médias), cerca de 6.9% receberam informação e 39.9% tiveram acesso à informação sobre preços e 0.6% ao crédito.

Em termos do rácio género-sector de actividade, tanto nos homens (47,5%), como nas mulheres (49,5%), a agricultura ocupa o primeiro lugar, de pequenas e médias explorações por actividades com acesso a serviços de extensão. No que concerne ao acesso aos preços, 39.9% das pequenas e médias explorações com participação em associações têm acesso ao sistema de preços.

Em relação aos serviços financeiros, apenas 15% das pequenas e médias explorações é que têm o acesso. No que diz respeito à posse de machambas e da lei da terra, 95% de pequenas e médias explorações têm machambas cultivadas, pomares/plantações, mas apenas 9,1% é que usam tecnologias, 8.7% têm acesso à terra cedida pelas autoridades tradicionais e 2.4% pelas autoridades formais.

Quanto à produção de cereais, Niassa é o maior produtor nacional de milho (98.3%), mas perde para Tete (14.5%) e Manica (14%) em termos de uso de semente certificada, com um volume de 132 772 toneladas, das 1 632 321 produzidas a nível nacional.

A província de Sofala é a maior produtora do arroz (37.16%), seguida da Zambézia, mas perde para Manica (10.8%) e Inhambane (9.5) em termos de sementes certificadas. Tete é a maior produtora da mapira (38 463 toneladas) e mexoeira (11 363 toneladas).

“A área cultivada foi de cerca de 5.5 milhões de hectares, onde 5.5% das explorações utilizaram pesticidas nos seus campos, 8.8% usaram estrume, 7.8% utilizaram fertilizantes químicos e 9.1% usaram a rega”, indica o IAI 2020.

As províncias de Maputo e Inhambane são as que registam maiores perdas pós-colheita do milho (13,5% de perdas a nível nacional), com 29,4% e 26,0%, respectivamente, seguidas de Nampula, com 18,4%. No que diz respeito ao arroz (20,7% de perdas a nível nacional), Sofala lidera com 37,8% de perdas, seguida da província de Maputo com 29,3%.

Inhambane, Gaza e Sofala perdem mais a mapira (19,7% de perdas a nível nacional) após a colheita com as taxas de 59,5%, 47,6% e 25,6%, respectivamente. Já em relação à mexoeira (29,6% de perdas a nível nacional), Sofala, Tete e Inhambane registam maiores perdas pós-colheita, com cifras que rondam os 45,8%, 24,9% e 16,8%, respectivamente. Tete, Nampula, Niassa e Manica são as províncias que mais vendem cereais, fazendo parte das 5 províncias mais produtivas do país.

No capítulo das oleaginosas, Tete é a maior produtora de feijão manteiga (24,2%), província de Maputo de feijão nhemba (60,8%), Nampula, de feijão jugo (15,6%), e Zambézia, feijão bóer (51,9%). Nas raízes e tubérculos, a província de Maputo destaca-se como maior produtora de mandioca (54,6%), Gaza, de batata-doce de polpa alaranjada (10,7%) e normal (13,3%).

No que tange às culturas de rendimento, Cabo Delgado é a província onde se verificou mais explorações que produziram culturas de rendimento, tais como algodão (9,3%), gergelim (27,3%) e sisal (0,3%); Niassa, o tabaco (6,9%), Tete, cana-de-açúcar (8,7%) e soja (8,4%), e Zambézia, girassol (1,7%). Porém, os maiores produtores de culturas de rendimento são Nampula (15,8 mil toneladas de algodão), Zambézia (29 mil toneladas de soja), Sofala (39,8 mil toneladas de gergelim) e Tete (2,5 mil toneladas de girassol e 45 mil toneladas de tabaco).

No sector pecuário, a província de Gaza lidera a produção bovina com 511 608 cabeças, seguida de Inhambane e Maputo, ambas com 378 mil cabeças. Tete é a maior produtora de suínos (441 843 cabeças), e pequenos ruminantes (1 097 196 cabeças) e Sofala lidera a produção de galinhas, com 3 670 443 picos.

“O IAI 2020 envolveu 541 técnicos, entre especialistas, supervisores, controladores e inquiridores que palmilharam todo o território nacional, no processo de recolha de amostras, cobrindo 141 distritos e cerca de 25 mil agregados familiares”, refere Celso Coreia, ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural.

Realizado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), o IAI 2020 é um marco estatístico e principal fonte de dados do sector agro-pecuário, pois fornece dados fiáveis desagregados até ao nível distrital, para apoiar o processo de planificação e tomada de decisão a todos os níveis, baseados em evidências científicas.

Com a chancela da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e financiado pelo Banco Mundial, IFAD e BAD, o IAI apurou que, em 2020, as principais culturas cultivadas em diversas explorações foram o milho, arroz, mapira, amendoim pequeno, feijão nhemba, feijão boer, mandioca, algodão e cana-de-açúcar.

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