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Passa-se pela fronteira de Ressano Garcia sem teste da COVID-19

Há viajantes que entram no país, vindos da vizinha África do Sul, sem o resultado obrigatório do teste da COVID-19. Contam que entram no país através de esquemas de ajudas de funcionários da migração. O agravante é que a máquina para o rastreio da Covid-19 em Ressano Garcia está avariada.

É, sem dúvidas, uma quadra festiva atípica. O novo Coronavírus chegou e ditou, desde o início do ano, novas regras de ser e de estar. Aliás, as suas regras foram extensivas às viagens de um país para o outro. Ou seja, além de passaportes, adicionou-se aos requisitos da viagem o teste da COVID-19, udo para evitar o seu alastramento.

Nesta quadra festiva, muitos moçambicanos, procuram regressar ao país para as festas do natal e final do ano junto das suas famílias, mas para cá chegarem devem trazer consigo o teste do Coronavírus, condição para sua aceitação.
Bom, este é o ideal! Contudo, há fragilidade no processo de controlos dos testes e rastreio do novo Coronavírus na fronteira de Ressano Garcia, província de Maputo. Viajantes passaram por aquele posto fronteiriço para Moçambique sem os testes da COVID-19.

Trace é sul-africana e vem a Moçambique passar as festas de natal e final do ano junto dos seus familiares, mas não fez teste da COVID-19 na África do Sul. Sem teste, as autoridades de saúde mandaram-na voltar.

“Quando saí da África do Sul não me cobraram nenhum dinheiro. Apenas deram um papel e disseram-me que faria aqui na fronteira, mas também não estão a me deixar entrar” contou Trace, que apenas passou por questionário para o rastreio do Coronavírus na contraparte sul-africana.

Mesmo sem o teste, a viajante ainda tentou a sorte no balcão para carimbar passaportes, mas a sua entrada foi, literalmente, recusada.

Depois de recusada a sua entrada por não ter o teste do novo Coronavírus, Trace não quis perder a viagem e voltar para RSA. Deu muitas voltas pela fronteira e após alguns minutos, voltou ao balcão para conseguir o visto de entrada com a ajuda de um jovem e, estranhamente, o seu pedido foi aceite, ainda que não tenha apresentado o teste do Coronavírus. Sobre como teve autorização, nem se deu ao trabalho d explicar à nossa reportagem. Sem dizer palavra alguma, lá vai ela e seus familiares para Moçambique sem se saber se estão ou não a importar casos da COVID-19 para o país.

E casos como estes, não são isolados! Ainda em Ressano Garcia, um casal de jovens, seguiu as vias ilegais. Aliás, pelo menos tentou. A dupla ficou na fila para carimbar a entrada para o país e nas mãos só trazia passaportes, ou seja, não têm o resultado do teste do novo Coronavírus e as autoridades tiveram a atenção de lhes mandar voltar.

“Mandaram-nos voltar porque não fizemos teste da COVID-19. Nós não sabíamos que tínhamos de fazer lá na África Sul. Assim, vamos tentar fazer deste lado, mas não sabemos se vão aceitar. Nós só queremos ir para casa”, narrou Dulce Francisco, moçambicana que regressa da África do Sul.

Os jovens voltaram para o local do rastreio e os técnicos de saúde sublinharam que só mediante apresentação do teste é que podem ter o papelinho de “rastreio” e entrar no país.

Ignoraram as exigências do pessoal de saúde e o namorado teve de “falar como homem” (expressão usada por eles) para poderem ter autorização de entrada no país. Posto isto, fizeram uns movimentos bem discretos e voltaram ao balcão para carimbar seus passaportes sem o teste do novo Coronavírus e só conseguiram graças ao que chamam de “ajuda” dos funcionários da migração.

“Epah…tivemos ajuda dos nossos irmãos da fronteira para podermos passar sem teste. Não posso dizer que tipo de ajuda porque não fica bem. Mesmo sem teste da COVID-19, eu sei que não estou infectada porque fiz teste já há duas semanas e deu negativo. Só que o mesmo expirou porque eu adiei a viagem”, explicou Dulce Francisco.

“Nós temos lá a equipa da Saúde e da Cruz Vermelha que estão focadas nesta situação, cabendo, apenas, ao SENAMI fazer o movimento migratório e para que tal aconteça, todo o indivíduo deve ter o teste”, apontou Juca Bata, porta-voz do Serviço Nacional de Migração na província de Maputo.

Sobre os viajantes que passam pela fronteira sem o teste, Juca Bata desmente e diz ter “certeza” que todos apresentam o teste e nunca presenciou situação de alguém que quisesse atravessar o posto sem o requisito. “Duvido muito que haja qualquer indivíduo que faça movimento migratório sem o teste da COVID-19”, disse Bata, num tom de convicção.

África do Sul conta, actualmente, com pouco mais de 14 mil casos activos do novo Coronavírus e mais de 25 mortes devido à doença.

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