O País – A verdade como notícia


ÚLTIMAS

Destaques

NOTÍCIAS

Moçambique celebra amanhã 31 anos desde a entrada em vigor da Constituição da República, que consagrou o pluralismo político como um instrumento fundamental para a participação democrática dos cidadãos na governação do país.

Neste contexto, o Instituto para a Democracia Multipartidária (IMD), considera que a celebração decorre num contexto em que se verificam limitações de direitos impostas pela COVID-19.

Segundo refere a organização, a situação da Covid-19 têm forçado o Governo, tal como acontece em todo o mundo, a impor restrições que colidem com os direitos e liberdades consagradas na Constituição da República, além de condicionar o direito de reunião, realização de manifestações, marchas, entre outros.

“Em Moçambique verificou-se, por exemplo, uma situação de impedimento de uma manifestação de jovens estudantes contra regalias para funcionários e agentes parlamentares e proibição da realização de uma marcha pacífica de médicos contra a situação de raptos. Estas limitações de direitos constitucionais, quando não são devidamente fundamentadas, aumentam a tensão social e são depois usadas para que Moçambique tenha uma baixa classificação nas avaliações internacionais sobre o índice da democracia”, refere o comunicado da imprensa do IMD.

A situação da COVID-19 tem ainda afectado os partidos políticos que não realizavam os seus encontros internos desde 2019, o que por si limita o direito dos membros DE participarem e contribuírem em torno a situação interna dos seus respectivos partidos políticos.

“Neste sentido, o IMD constatou com satisfação que o Partido Frelimo realizou a sua reunião do Comité Central e o MDM realizou a reunião do Conselho Nacional de onde foi marcado a realização do congresso a ter lugar no mês de Dezembro. Estando os partidos políticos em fase de transição interna, espera-se que os mesmos realizem encontros com mais regularidade a nível dos órgãos da base até ao topo, situação que não tem estado a se verificar, supostamente devido a COVID-19, que também pode estar a afectar a capacidade dos partidos mobilizarem recursos para o seu funcionamento”, considera do IMD.

A ONG aponta ainda a situação de terrorismo em Cabo Delgado e dos ataques da Junta Militar na região centro, como sendo ameaças para a democracia multipartidária, não obstante estar a se verificar avanços e uma tendência de controlo da situação.

Ao longo do último ano, indica o IMD, foram também verificados avanços no processo do DDR, como capítulo angular do processo de Paz, não obstante os constrangimentos que têm sido verificado no processo.

A organização aponta ainda o diálogo entre as lideranças dos partidos políticos como sendo uma mais-valia para o resgate da confiança e para a criação de um ambiente favorável para a paz.

“No entanto, é importante que o diálogo político para as questões constitucionais seja inclusivo e permanente, sendo por isso fundamental a criação de uma plataforma que versa sobre questões ligadas à preservação dos ganhos da democracia multipartidária, como a paz”, lê-se no comunicado.

O processo da descentralização é outro ganho que decorre da evolução do processo de democracia multipartidária em Moçambique e está numa fase de aprimoramento, sendo que, este modelo de governação, ainda não tem estado a contribuir para a ampliação do espaço de participação efectiva do cidadão no processo de governação.

O IMD aponta como desafios para a consolidação dos ganhos constitucionais o reforço da capacidade das instituições, uma divulgação massiva dos princípios constitucionais, tendo em consideração que o mesmo estabelece um quadro orientador para a justiça social, e a contínua mobilização da sociedade para a preservação da Paz.

Vídeos

NOTÍCIAS

Lutero Simango diz que tem havido muita poeira em torno da sua candidatura à presidência do Movimento Democrático de Moçambique (MDM). Simango acrescenta que aqueles que alegam que a sua candidatura é apoiada pela Frelimo não conhecem a história do país e estão equivocados.

De 3 a 5 de Dezembro próximo, a cidade da Beira vai acolher o Congresso Nacional do MDM, no qual será eleito o sucessor do falecido líder do partido, Daviz Simango.

Lutero Simango, deputado da Assembleia da República, é um dos candidatos à presidência do seu partido. Reunido neste sábado, com alguns congressistas, deixou claro que ninguém que seja do outro partido está a apoiar a sua candidatura.

Segundo disse, há rumores de que a Frelimo, partido no poder, está a estender a mão à corrida do político à liderança do MDM. Insistidamente, Lutero Simango disse que os acusadores estão equivocados.

“Tem havido muita poeira contra a nossa candidatura. Já está a acontecer, porque isso faz parte da democracia interna. Primeiro, ouvi dizer que Lutero Simango está a fazer a sua campanha com apoio da Frelimo”, começou por desabafar.

Esgrimindo-se em explicações, Lutero Simango disse que os seus acusadores não conhecem a história do país, pois o que eles não sabem é que “os seus pais foram mortos pela Frelimo’’ e esses que não conhecem a história “não podem governar o país’’.

Sobre a sua visão para com o partido, Lutero Simango disse que vai apostar na organização interna. No seu entender, é impossível conquistar o poder num partido em que os membros não estão coesos.

“Nós temos de respeitar a estrutura interna. Não queremos que os nossos membros sejam desrespeitados. Se quisermos construir o nosso partido tem que haver respeito entre nós’’, afirmou Lutero Simango, realçando que caso seja eleito presidente do partido vai promover um recenseamento interno.

Para além de Lutero Simango, concorrem à sucessão de Daviz Simango, Silvério Ronguane e José Domingos, actual secretário-geral da formação política.

O presidente do Movimento Democrático de Moçambique, Daviz Simango, morreu no dia 22 de Fevereiro do ano em curso, na África do Sul, depois de ter sofrido uma paragem cardíaca.

Decorre a partir do próximo dia 15 de Dezembro, a exportação da castanha de caju em bruto. A informação foi avançada na segunda sessão do Comité de Amêndoas, realizada nesta sexta-feira, na cidade de Nacala, província de Nampula.

A campanha de comercialização da castanha de  caju iniciou no passado mês de Outubro, na qual prevê-se a venda de cerca de 160 mil toneladas desta amêndoa.

Em finais de Setembro, o Comité de Amêndoas decidiu que a compra de um quilo de castanha de caju bruta ao produtor iria custar 43 meticais na presente época, um aumento ligeiro em relação à campanha anterior, em que a amêndoa custava 37 meticais.

Na sexta-feira, o director-geral do Instituto de Amêndoas de Moçambique (IAM), Ilídio Bande, disse que o encontro foi oportuno, pois serviu para reflectir sobre as actuais dinâmicas dos preços no mercado internacional.

Na reunião, também passou em revista a proposta do preço de referência de exportação da castanha de caju.

Assim, a exportação desta amêndoa vai custar entre 1.100 dólares e 1350 por tonelada fixado, isso para a castanha com “out turn” de 44 libras peso e 53 libras peso, respectivamente.

Igualmente, foram elencados o plano e ponto de situação de aprovisionamento da matéria-prima à indústria, do enquadramento fiscal dos comprovativos de Imposto Simplificado para Pequenos Contribuintes (ISPC) e de Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Singulares (IRPS) exigidos durante o transporte da castanha de caju no território nacional.

Entre os participantes da sessão, estiveram presentes os membros do Comité de Amêndoas, nomeadamente Instituto de Amêndoas de Moçambique, a Associação das Indústrias de Caju (AICAJU), a Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Nampula (ACIANA), quadros do Ministério de Indústria e Comércio (MIC), da Autoridade Tributária (AT), entre outros intervenientes da cadeia de valor da castanha de caju.

A propósito, na reunião, a banca foi convidada a apresentar as oportunidades de financiamento que tem para as cadeias de valor de caju e de macadâmia.

Já é conhecido o nome da nova variante da COVID-19, B.1.1.529. Segundo escreve a ONU News, o nome Omicron é atribuído a variante que tem maior número de mutações e que foi recentemente descoberta na vizinha África do Sul.

Face ao surgimento de uma nova variante do novo Coronavírus, vários países suspenderam voos provenientes de vários Estados africanos incluído Moçambique, o que para a Organização Mundial da Saúde (OMS) devia ter sido feito mediante uma recomendação do sector da saúde, baseada e dados científicos.

A agência da ONU lembra à população mundial a importância utilização contínua das máscaras, evitar aglomerações e higienizar as mãos sempre que possível.

O partido na oposição, a Aliança Democrática na África do Sul venceu a capital do país, Pretória, nas eleições municipais. O Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, classificou a vitória como grande lição, que aconteceu um dia depois do partido no poder ter perdido Joanesburgo.

O Congresso Nacional Africano (ANC), o partido no poder na África do Sul, sofreu um retrocesso histórico nas eleições municipais no dia 1 de Novembro, caindo abaixo dos 50 por cento pela primeira vez em qualquer eleição.

Depois de ter perdido controlo da capital económica Joanesburgo, na segunda-feira, a formação política também perdeu na Pretória, capital do país, que vai ser dirigida por Randall Williams, do principal partido da oposição, a Aliança Democrática (DA).

Até então, o ANC tinha ganhado todos os sufrágios por maioria absoluta, desde as primeiras eleições democráticas do país, em 1994.

Reagindo à vitória da oposição, Cyril Ramaphosa classificou como uma grande lição para o partido no poder e que agora a melhor opção é respeitar a vontade do povo.

“É um grande revés para nós, mas é também uma grande lição. É decepcionante para o Congresso Nacional Africano (ANC), mas temos de aceitar a mensagem clara enviada pelo nosso povo”, disse Ramaphosa à margem de um encontro com o Presidente queniano, Uhuru Kenyatta, em Pretória.

Fundada no ano 2000, a Aliança Democrática (DA) é uma fusão de três partidos e por muito tempo foi vista como o partido da classe média branca, mas rapidamente atraiu muitos eleitores negros.

África do Sul, Namíbia, Lesoto, Botswana, eSwatini e Zimbabwe integram a lista vermelha do Reino Unido, devido ao risco associado à nova variante detectada na África do Sul e considerada a pior até agora. Por conta da situação, a Comissão Europeia vai propor a suspensão de voos da África Austral com destino à União Europeia.

Depois de alguns meses de calma, o mundo volta a ficar em pânico e agitado, por conta do surto de uma nova variante detectada na África do Sul, após ser descoberta no Botswana. Trata-se de um vírus mais transmissível que a Delta e as vacinas actualmente no mercado podem ser menos eficazes, segundo virologistas.

A partir desta sexta-feira, seis países africanos, nomeadamente África do Sul, Namíbia, Lesoto, Botswana, eSwatini e Zimbabwe estão temporariamente proibidos de efectuar voos para o Reino Unido, e os viajantes deste espaço europeu deverão ficar em quarentena.

Por sua vez, a Comissão Europeia disse que vai propor a suspensão de voos de toda a África Austral com destino à União Europeia, anunciou esta sexta-feira a presidente da instituição, Ursula von der Leyen.

A dirigente explicou que o travão de emergência aos voos de países da África Austral para o Reino Unido, visa fazer face a situações preocupantes, como novas variantes, permitindo aos Estados-membros o endurecimento de medidas para parar a progressão da COVID-19.

Na quinta-feira, a directora da Organização Mundial da Saúde para África, Matshidiso Moeti, disse que na última semana houve um aumento de infecções na África Austral, na ordem de 48%, comparativamente à semana anterior.

A situação ocorre após 18 semanas de queda de novos casos, excepto na África do Sul, onde se registou um ligeiro aumento.

 

MOÇAMBIQUE NA LISTA VERMELHA DE ALGUNS PAÍSES  

A Áustria, Itália, Israel e Singapura interditaram a entrada de viajantes provenientes de Moçambique nos respectivos países. Assim, o país entra na lista de outros Estados africanos cuja entrada de viandantes também tinha sido vedada no contexto da contenção da propagação da nova variante da COVID-19, B.1.1.529.

O Instituto Nacional de Petróleo lançou, na manhã desta quinta-feira, na Cidade de Maputo, o sexto concurso para concessão de áreas para pesquisa e produção de hidrocarbonetos, com destaque para petróleo e gás natural.

Num encontro, que reuniu empresários de diversos ramos do sector produtivo, o Presidente do Conselho de Administração do INP, Carlos Zacarias, instou os presentes e interessados a aproveitarem o tempo que têm para preparar as melhores propostas, com planos coesos e exequíveis.

Durante a sua apresentação, o PCA do INP deu a conhecer que, depois de submetidas as propostas à entidade reguladora, as empresas que forem aprovadas terão um máximo de até oito anos para a realização da prospecção do petróleo e gás.

“As instituições aprovadas terão o direito de exclusividade na condução de operações petrolíferas nas áreas onde terão feito as descobertas, exclusividade de construir e operar infra-estruturas de produção e direito não exclusivo de construir e operar infra-estruturas de transporte (oleoduto e/ou gasoduto)”, disse.

Em caso de alguma descoberta, a concessionária poderá avaliar a sua capacidade de comercialização, por um período de até dois anos e para o desenvolvimento e produção até ao máximo de 30 anos.

Estas pesquisas poderão ser feitas numa área de 92 mil quilómetros quadrados, em águas profundas (offshore), num total de 16 regiões, distribuídas em quatro áreas distintas, sendo cinco localizadas na Bacia do Rovuma, sete em Angoche, duas no Delta do Zambeze e duas no Save.

Podem participar do concurso investidores nacionais e estrangeiros, que apresentem requisitos legais, financeiros, técnicos e experiência de anteriores pesquisas e prospecção de petróleo e gás, podendo as candidaturas serem enviadas até 31 de Agosto de 2022.

Por seu turno, o ministro dos Recursos Minerais e Energia, Max Tonela, vê, neste processo, uma oportunidade de colocar Moçambique na rota produtiva de energias renováveis, numa altura em que o mundo luta para a redução de emissões de dióxido de carbono.

“Na nossa perspectiva, Moçambique deverá dispor de mais informação sobre os recursos energéticos de que dispõe para que possa decidir em que momento os mesmos deverão ser explorados. Devemos também ter em conta que, face às medidas globais para redução de emissões, estes recursos poderão deixar de ter valor económico”, referiu Max Tonela.

Para concorrer a estes processos, os investidores, além dos elementos jurídicos, técnicos e de protecção de saúde, segurança e meio ambiente, é preciso que apresentem uma forte capacidade financeira que suporte os trabalhos que se propõem a explorar, tendo a capitalização no mercado de dois biliões de dólares para operadores e 250 milhões de dólares.

Este concurso vai decorrer em duas fases, estando marcado para 28 de Fevereiro de 2022 o processo de recepção dos documentos de pré-qualificação, com anúncio dos pré-qualificados até 31 de Março e recepção das propostas e encerramento do concurso a 31 de Agosto de 2022.

O último concurso para concessão de áreas para pesquisa e produção de hidrocarbonetos decorreu em 2014 e teve como um dos resultados a descoberta do gás natural.

Mais de 15.800 pessoas foram vítimas de violência nos primeiros nove meses deste ano, segundo o vice-ministro do Género, Criança e Acção Social, Lucas Mangrasse, as mulheres são as maiores vítimas, com o registo de 8.900 casos.

Seguido pelas mulheres, estão as crianças com 4.832 casos e os idosos e pessoas com deficiência com 2.068 casos de violência e para Mangrasse esses dados, que não são “absolutos” mostram a gravidade  da situação da violência contra mulher e rapariga no país.

“Estes dados mostram a necessidade de investirmos na sensibilização de homens e mulheres das várias gerações para a prevenção, denúncia de casos de violência, bem como na assistência e reintegração das vítimas, com envolvimento das instituições, sociedade civil, religiosos e comunidades”, disse Lucas Mangrasse.

É por isso que, para erradicar todo o tipo de violência contra a mulher, que vai desde a  violência doméstica, as uniões prematuras e gravidez precoce, foi lançada esta quinta-feira a campanha “16 dias de activismo, sobre violência contra mulheres e raparigas”.

Segundo Mangrasse, a campanha tem como objectivo reforçar a prevenção e combate à violência através da sensibilização para a resolução de conflitos através do diálogo, a denúncia,  dos casos, capacitação dos vários intervenientes na prevenção, combate e assistência às vítimas de violência.

“A Campanha dos 16 Dias de Activismo, que hoje (quinta-feira) inicia e termina no dia 10 de Dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos, é um movimento internacional que tem por objectivo sensibilizar e mobilizar os indivíduos, famílias, comunidades e Estados ou Governos para a realização de acções concretas de prevenção e combate à violência contra as mulheres e raparigas, cujas consequências são prejudiciais nas suas vidas e na sociedade, em geral.”, disse o vice-ministro que destacou a necessidade de todos contribuírem para erradicar o problema.

O lançamento da campanha foi realizado no distrito de Magude, província de Maputo, que este ano registou 28 casos de violência contra mulheres, contra 50 em 2020.

Segundo o administrador  Lazáro Mbambamba,  esta redução deve-se ao facto de o distrito estar a desenvolver acções como campanhas de sensibilização nas escolas, aos líderes comunitários, mas também por seguir à risca denúncias.

“Temos, também, actividades que são desenvolvidas pelo grupo de referência, encabeçado pela procuradoria distrital, e o gabinete da esposa do administrador, mas o aspecto importante é a denúncia desses casos”, disse Mbambamba.

Mas, é preciso fazer mais, segundo a representante da União Europeia, Alicia Martin Diaz, e um dos avanços é que, para os próximos seis anos, o organismo vai dedicar mais de 85% das acções em actividades que contribuam para a igualdade de género, como também será multiplicado o apoio para a retenção da rapariga na escola, garantia de apoio para independência económica das mulheres e apoio na área de saúde sexual e reprodutiva.

A situação de terror em Cabo Delgado também preocupa, pois, segundo a representante do UNICEF, Maria Luísa Farnara, a situação da mulher agrava-se nessas situações, pois é usada como uma das armas de guerra.

“Mas essa violência pode ser evitada, criando políticas e programas certos, que possam gerar resultado”, declarou Farnara.

A campanha 16  Dias de Activismo tem como lema “Pinte o Mundo de Laranja: Pare  com a Violência Contra as Mulheres e Raparigas”.

O presidente do Desportivo Maputo, Paulo Ratilal, afirma que, apesar da pressão que tem sofrido, não se irá demitir “por causa de 20 arruaceiros”, os quais, segundo ele, não representam a vontade nem o sentimento dos 2.700 sócios do clube em relação à sua gestão.

 Procura-se pela ordem depois do caos no Desportivo Maputo. Mas antes recuemos a fita. Um grupo de adeptos invadiu as instalações do clube empunhando dísticos, como aliás, lhe têm sido peculiares, nos últimos anos. Mais do que exigirem o pagamento de salários em atraso aos jogadores e o pessoal de apoio, os manifestantes exigem mudanças. Como se não bastasse, no seu estilo característico, exigem a demissão da direcção do clube, encabeçada por Paulo Ratilal.

Vivem-se momentos de fel no emblema ˝alvi-negro˝. As águas poderiam até estar mais turvas, mas Ratilal trata de desanuviá-las e dissipar equívocos. E foi nessa perspectiva que ele convocou a imprensa para esclarecer algumas zonas de penumbra. No lugar de manifestação, esclarece que o enquadramento correcto seria “invasão”. Justifica!

“Julgo que as pessoas que invadiram as instalações do clube não devem perceber como é que funciona o associativismo e muito menos devem respeitar os estatutos do clube”, explica Paulo Ratilal. É que, segundo ele, independentemente das reivindicações que os mesmos tenham a fazer, num estado democrático qualquer inquietação não é feita à força, nem com a obstrução do património. Não só os rostos dos ˝invasores˝ são invisíveis, mas os motivos por detrás da confusão também são, até qui, desconhecidos.

Aliás, sobre esse aspecto, Paulo Ratilal recusa-se terminantemente a aceitar que a invasão tenha sido levada a cabo pelos sócios ou adeptos.

˝Não posso acreditar que haja sócios do Desportivo que sejam capazes de trancar a secretaria, impedindo, por isso, o normal funcionamento da instituição. Portanto, gostaria eu que, realmente, parte daquelas pessoas fossem sócios do clube˝, observa Ratilal.

Há, neste momento, um trabalho minucioso para identificação das pessoas que invadiram o clube. Ainda assim, Ratilal afirma categoricamente que os mesmos não passam de vândalos e arruaceiros. Exige-se disciplina. Por isso, a direcção do clube já remeteu o caso aos órgãos da administração da justiça.

˝Nós somos pessoas sérias. Fazer bagunça é fácil, mas organizar as coisas é difícil. Desde que assumi os destinos do clube tenho estado a organizar muita coisa que não estava no devido lugar ̋, disse.

Por estar a mexer em alguns sectores nevrálgicos, Ratilal afirma que tem sido alvo de perseguições por algumas pessoas mal-intencionadas do clube.

˝A minha postura está a incomodar muitas pessoas. Elas sentem-se incomodadas porque estamos a eliminar ˝esquemas˝ e custos exagerados que temos estado a cortar. Portanto, essas pessoas que se aproveitavam do clube estão desagradas por isso˝, explica Paulo Ratilal.

 

NUNCA DESVIEI DINHEIRO DO CLUBE

Recentemente algumas pessoas ligadas ao Desportivo vieram a terreiro acusar a direcção, mormente o seu presidente de ter desviado mais de três milhões de meticais destinados à equipa sénior masculina de basquetebol. Questionado sobre o assunto, Paulo Ratilal classificou as acusações de infundadas.

˝É um autêntico disparate”, afirma, explicando que não há nenhum acto do clube que ele faça sem ser com documentos do clube. Ou seja, “nenhuma transferência ou transação que eu autorizo sem ser nas contas do clube. Nenhum patrocinador dá dinheiro que não seja directamente para as contas do Desportivo”, observa.

Para Paulo Ratilal essas acusações visam criar uma certa instabilidade no seio do clube. O timoneiro dos “alvi-negros” foi perentório ao afirmar que há um grupo de pessoas devidamente identificado que está a instrumentalizar alguns adeptos, com o objectivo de colocarem em causa a sua gestão.

 

A CULTURA DA PRESSÃO

Nos últimos anos os adeptos do Desportivo Maputo têm primado pela pressão, como forma de manifestarem o seu descontentamento face algumas situações que têm acontecido no clube. Dentre várias alegações, o pano de fundo tem sido a má gestão, falta de pagamento de salários, aliado aos supostos desvios de fundos.

Em 2015, a direcção liderada por Michel Grispos demitiu-se em bloco, após sofrer uma enorme pressão dos adeptos. Na altura, os adeptos levantaram muitos problemas, dentre os quais o facto de o plantel principal ter ficado cinco meses sem salários.

As reivindicações subiram de tom quando a Empresa Águas da Região de Maputo decidiu cortar o fornecimento de água ao clube, situação que embaraçou gravemente as actividades diárias, sobretudo a limpeza. Grispos foi contestado também pelo projecto falhado do campo de Bobole. E no fim, Michel Grispos cedeu à pressão.

Michel Grispos dirigiu o Desportivo de 1999 a 2015. Durante os 16 anos os seus momentos marcantes foram a “dobradinha” conseguida em 2006, ou seja, a conquista do Moçambola e Taça de Moçambique em futebol. Nos anos 2007 e 2008 a equipa sénior feminina de basquetebol sagrou-se campeã africana.

Quem também não resistiu à pressão dos adeptos foi Inácio Bernardo, submetendo o pedido de demissão à Mesa da Assembleia-geral do clube. Muito se disse e se escreveu, mas a verdade é que, na altura, a direcção demissionária alegou que houve vários factores que estiveram por detrás dessa decisão, nomeadamente o facto de já não haver um bom ambiente de trabalho para a direcção.

A direcção encabeçada por Inácio Bernardo alegou também que a decisão visava salvaguardar a imagem do Grupo Desportivo Maputo e, acima de tudo, fazer com que os objectivos que o elenco havia traçado quando tomou posse não fossem beliscados. Esta é a terceira vez que os adeptos forçam a saída da direcção do clube.

O mais belo fim do mundo é o título da exposição de fotografia e literatura de José Eduardo Agualusa. No Camões – Centro Cultural Português, Cidade de Maputo, a mostra será inaugurada no próximo dia 1 de Dezembro, a partir das 18h30.

Referindo-se à individual, esta quinta-feira, José Eduardo Agualusa explicou como surgiu a ideia de expor um exercício que tem na Ilha de Moçambique (Nampula) base importante. Na verdade, antes da exposição, houve um livro, intitulado Gramática do instante e do infinito, com imagens da Ilha de Moçambique e poemas do escritor angolano lá escritos. Com efeito, a ideia de editar Gramática do instante e do infinito não foi de Agualusa, mas de uma designer brasileira, Lucia Bertazzo, que também é a curadora da exposição O mais belo fim do mundo.

Essencialmente, segundo lembrou José Eduardo Agualusa, Gramática do instante e do infinito é um livro-arte, feito à mão, em que cada um é único e todos são diferentes. Por isso são caros. Então, “Lucia Bertazzo teve a ideia de fazermos uma exposição com estas fotos e aí eu decidi juntar também uma série de retratos de escritores, sobretudo africanos, que eu fui fazendo ao longo dos anos. Eu acho que alguns desses retratos são bons”.

Segundo revelou José Eduardo Agualusa, os melhores retratos da série que compõe a individual O mais belo fim do mundo são os que foram feitos a Mia Couto e a Uzodinma Iweala, escritor nigeriano. Portanto, além das imagens da Ilha de Moçambique, a exposição de Agualusa inclui retratos.

Para o Camões – Centro Cultural Português, a exposição O mais belo fim do mundo “é uma celebração da amizade construída através do amor à língua portuguesa. A língua viaja pelo mundo e com ela também o amor à palavra, tão presente na plasticidade da língua portuguesa, em todos os continentes”.

O texto de apresentação de O mais belo fim do mundo é assinado por Mia Couto, que observa: “Diz-se que uma imagem vale mil palavras. O inverso também é verdade: uma palavra pode dizer mais do que mil imagens. Neste caso, não sei se vejo, se escuto”.

A individual do escritor angolano que vive na Ilha dos Poetas, claro, a Ilha de Moçambique, pode ser visitada no Camões até dia 12 de Fevereiro de 2022, de segunda a sábado, das 10h às 17h. Uma nota: de 18 de Dezembro de 2021 a 15 de Janeiro de 2022, o Camões estará encerrado.

+ LIDAS

Siga nos

Galeria