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Foram suspensas cerca de 24 escolas de condução que formam condutores para o serviço público e carga perigosa. O Instituto Nacional de Transporte Rodoviário suspeita que os referidos estabelecimentos operam sem alvarás, violando, assim, a lei.

Após uma ronda feita em algumas escolas de condução, o Instituto Nacional de Transportes Rodoviários (INATRO) constatou diversas irregularidades no processo de ensino das subcategorias de serviço público e carga perigosa.

Por isso, numa nota a que o jornal “O País” teve acesso, o INATRO determina “a suspensão, com efeitos imediatos, do ensino da subcategoria de carga perigosa ‘D’ em escolas de condução não devidamente autorizadas para o efeito, ou seja, subcategorias que não constam do alvará e sem pessoal técnico (Instrutores) habilitado para ministrar aquela subcategoria”.

A suspensão abrange 24 escolas a nível nacional.

Este é o culminar de um trabalho de fiscalização e de renovação dos alvarás nas escolas realizado pelo INATRO. Para voltarem a leccionar o serviço público e carga perigosa, as escolas deverão apresentar alvarás.

Importa referir que já se vai algum tempo desde que a autoridade reguladora garantiu que as escolas de condução passariam a efectuar a captação de dados biométricos dos candidatos, medida que, segundo a instituição, vai concorrer para a diminuição das enchentes nos serviços, até aqui centralizados à sede e às delegações provinciais.

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Tomaram posse, hoje, o presidente do Conselho de Administração do Instituto Nacional de Petróleos (INP), Engenheiro Nazário Balangane, o director-geral do Instituto Nacional de Minas (INAMI), Elias Xavier Félix Daudi, e director-geral-adjunto do INAMI, Grácio Rosário Cune.

O acto foi dirigido pelo Primeiro-ministro, Adriano Maleiane, que disse, na ocasião, que “o Instituto Nacional de Petróleos (INP), enquanto entidade reguladora, deve procurar apostar, continuamente, em iniciativas inovadoras para fazer face aos desafios estruturais que vão surgindo, ligados a: (i) prospecção, (ii) exploração, (iii) políticas e regulamentação das operações de pesquisa e produção de hidrocarbonetos”.

No seu entender, o INP deve ainda continuar a aprimorar os mecanismos de fiscalização dos projectos de pesquisa e produção de gás que estão em curso e os que venham a ser aprovados, de modo a assegurar que estes cumpram integralmente os seus planos de conteúdo local, sobretudo que no que concerne à criação de mais postos de trabalho, com maior enfoque para jovens.

“Para a materialização destas e outras acções, o Engenheiro Nazário Balangane, que acabamos de empossar, deve prosseguir com o fortalecimento institucional do INP, apostando na formação e capacitação dos quadros da instituição, no trabalho em equipa e na gestão criteriosa e transparente da coisa pública”, disse Maleiane.

Já o Instituto Nacional de Minas (INAMI), autoridade reguladora, deve assegurar o estabelecimento de normas e directrizes relativas à participação do sector público e privado na pesquisa, exploração, tratamento, exportação e importação de produtos mineiros e seus derivados.

“Neste âmbito, esperamos que o INAMI continue a pautar pelo aprimoramento de políticas e medidas que contribuam para que os intervenientes públicos e privados do sector mineiro possam, entre outros, garantir o aumento e a optimização da produção mineira de forma sustentável, incluindo a adição de valor aos recursos minerais produzidos no mercado nacional; e que a produção mineira seja desenvolvida com a utilização de tecnologia eficiente que assegure a protecção e preservação do meio ambiente”, desafiou Maleiane.

Vários alunos ficaram sem aulas devido à paralisação do transporte na Cidade de Maputo. Algumas escolas tiveram que suspender todas as actividades.

Visível eram apenas os estudantes no pátio da escola que encontraram a oportunidade para conversar, porque a falta de transporte, desde as primeiras horas desta segunda-feira, dificultou a chegada à escola quer dos colegas quer dos professores.

“Andei a pé até à escola, mas, desde a nossa chegada, só tivemos aulas no último tempo e, mesmo assim, tivemos que sair cedo porque o professor precisava de caminhar a tempo para casa”, disse Francisco Paulo, aluno na Escola Secundária de Lhanguene.

Warda Macuacua saiu de casa às 11 horas e só chegou à Escola Secundária Francisco Manyanga por volta das 14 horas. “Até pensei que tinha perdido dois tempos, mas nem um tempo perdi porque não havia professor”, contou.

“Não tivemos aulas e os professores só assinaram o livro de ponto e voltaram”, disse Adriane Mondlane, aluna da Francisco Manyanga.       

À Escola Secundaria Estrela Vermelha quase ninguém foi. A instituição teve que paralisar as actividades por falta de alunos, segundo explicou a directora em contacto telefónico.

O Instituto Superior de Ciências e Tecnologias anunciou, através de um comunicado, a paralisação das actividades no turno da tarde, assim como no período pós-laboral.

O cenário de poucos alunos repetiu-se em várias escolas e universidades da Cidade de Maputo.

Persistem os problemas de transporte na região metropolitana do Grande Maputo. Os passageiros socorreram-se dos particulares e das carrinhas de caixa aberta, vulgos “my loves”, para voltarem à casa.

Esta  segunda-feira começou agitada. Pessoas caminhavam longos percursos. Havia “greve” dos transportadores da região metropolitana do Grande Maputo e os seus impactos sentiram-se até ao fim do dia.

“Está difícil. Mesmo para chegar à Cidade de Maputo não foi fácil. Tive que caminhar do bairro Jardim até à Baixa”, contou Ernesto Manuel, que estava à espera de transporte há mais de três horas na paragem.

Mas há quem já começou a caminhar: “Saí do Museu para avenida Guerra Popular, passado por 24 de Julho, porque é um ponto estratégico, na expectativa de achar um ‘chapa’ até Jardim, mas está a ser mesma coisa. Está mal a situação”, desabafou Horácio Bango.

É que os semi-colectivos de passageiros, que são a maioria, não estavam a circular e os autocarros não são suficientes para satisfazer a demanda. A solução são os particulares ou mesmo voltar a pé. “Não há solução. Conforme vês, só podemos apanhar as viaturas particulares e ‘my loves’. Eu vou até T3, mas estou a fazer ligações. Terei de tomar mais três carros para lá chegar”, contou Edmilson Mondlane.

Alexandre vai mais longe: “A situação está péssima. De manhã, vim à Cidade de Maputo a pé. Assim, estou à espera da minha colega para, de novo, pearmos. Estamos aqui desde 15 horas e não estamos a apanhar chapa”.

Os que trabalham na Cidade de Maputo sabem muito bem que o problema de transporte existe, mas não como se observou esta segunda-feira. “Para mim, que uso sempre esta via, não é normal. Mas a situação é difícil. Agora, os porquês e como, dificilmente poderemos saber. São problemas que temos acompanhado”, avançou um outro passageiro.

A Federação Moçambicana dos Transportadores Rodoviários garantiu que, até ao fim desta segunda-feira, a situação estaria normalizada.

O preço do diesel aumentou cerca de 26 Meticais de Janeiro a Julho deste ano. No mesmo período, a tarifa do transporte de passageiros, na Cidade de Maputo, manteve-se inalterada.

No dia 2 de Janeiro, entrou em vigor, na Cidade de Maputo, a nova tarifa de transporte. Para distâncias inferiores a 10 quilómetros, o preço passou a ser de 12 Meticais e, para as maiores, passou para 15 Meticais. De lá para cá, o preço do transporte, na capital do país, não foi alterado.

Entretanto, durante o mesmo período, ou seja, de Janeiro a Junho deste ano, os preços dos combustíveis foram mexidos três vezes: em Março, Maio e a última em Julho.

Por exemplo, o diesel que era vendido em Janeiro a 61,71 Meticais, em Março subiu 9,26 Meticais, passando a custar 70,97 Meticais. Em Maio, o preço do gasóleo voltou a aumentar, desta vez, oito Meticais, e passou a ser vendido a 78,97 Meticais. Passaram mais dois meses, e o preço do gasóleo voltou a ser agravado em nove Meticais, passando a custar, desde o dia 2 de Julho último, 87,97 Meticais.

Com estas três subidas, significa que, de Janeiro a Julho deste ano, o preço do diesel, que é o combustível usado em grande parte dos transportes de passageiros, na Cidade de Maputo, passou a custar 26 Meticais mais caro, embora a tarifa do transporte seja a mesma praticada desde o início deste ano.

Os aumentos não aconteceram somente no diesel. O litro da gasolina que era vendido a 69,04 Meticais, em Janeiro, actualmente é vendido a 86,97 Meticais, um aumento do preço, por litro, de 17,93 Meticais.

Por seu turno, o gás para viatura, que custava 32,69 Meticais em Janeiro, já é vendido a 43,73 Meticais, o equivalente a mais 11 Meticais.

Há mais. A botija de gás de cozinha de 11 quilos que era vendida a cerca de 780 Meticais, actualmente custa 1122,22 Meticais, uma subida de 341 Meticais. Todas estas despesas tornam mais pesadas as contas das famílias e das empresas.

A selecção nacional de futebol, os Mambas, inicia, esta terça-feira, os trabalhos de preparação para o torneio regional da Cosafa, que terá lugar em Durban, África do Sul.

Os Mambas, que começam a sua participação na Cosafa, nos quartos-de-final, em função da sua boa prestação na última edição, para além da sua boa posição no ranking da FIFA, defrontam o país anfitrião a 13 de Julho corrente.

Chiquinho Conde convocou 23 jogadores para esta empreitada, todos eles a actuarem internamente, ou seja, em clubes do Moçambola. Os mesmos juntaram-se, na noite de hoje, numa estância hoteleira para entrar em estágio de preparação.

Trata-se de três guarda-redes, oito defesas, sete médios e cinco avançados, que jogam nas cinco melhores equipas do Moçambola. A União Desportiva do Songo é a que mais jogadores cede aos Mambas, nomeadamente, sete, seguida do Costa do Sol, com cinco, e da Black Bulls, com quatro jogadores. Os Ferroviários de Maputo e da Beira contribuem com três jogadores cada, enquanto o Ferroviário de Nampula coloca apenas um jogador na selecção nacional.

O seleccionador nacional espera que todos estejam em condições de iniciar a preparação a partir desta terça-feira, tendo em conta os locais onde cada um jogou no fim-de-semana.

Os jogadores da União Desportiva de Songo jogaram em casa, diante do Matchedje de Mocuba, e chegaram a Maputo ainda hoje, o mesmo que aconteceu com os jogadores dos Ferroviários da Beira e de Nampula, que jogaram no “Caldeirão” de Chiveve, na cidade da Beira.

Os atletas do Ferroviário de Maputo, Black Bulls e Costa do Sol não tiveram necessidade de viajar, uma vez que as suas equipas jogaram em Maputo e Matola, respectivamente.

A equipa técnica dos Mambas já começou a avaliar o seu adversário, através de um dos seus membros, que acompanhou a convocatória e o estágio de cada um dos atletas. “Estamos a observar a África do Sul e vamos encontrar os seus pontos fracos. Vamos transmitir essa informação aos jogadores, para que possam trabalhar a conhecer o adversário”, realçou o seleccionador nacional.

Por isso mesmo, a palavra de ordem é a vitória, até mesmo para contrariar o favoritismo e o histórico de resultados, que dá vantagem à África do Sul. “Obviamente, o historial não é favorável para nós, mas não podemos colocar todo o passado como parte negativa do que queremos para o futuro. Só nós temos a possibilidade de inverter este paradigma, e vamos fazer de tudo para que isso aconteça”, disse Chiquinho Conde, durante a conferência de imprensa, realizada na passada sexta-feira, na sede da Federação Moçambicana de Futebol.

Conde vincou, ainda, que “vamos encarar o adversário com realismo e disfrutar de uma belíssima partida de futebol”.

Os Mambas vão realizar cerca de oito sessões de treinos em solo pátrio, antes de se deslocar a Durban a 11 de Julho, para o jogo do dia 13.

O torneio regional da Cosafa arranca já esta terça-feira, em Durban, na vizinha África do Sul, com a disputa da fase de grupos, onde os Mambas estão isentos. Seychelles e Botswana abrem as hostilidades no King Zwelithini Stadium, local que vai acolher grande parte dos jogos desta competição.

Ainda esta terça-feira, haverá o embate entre Angola e Comores, também a contar para o grupo A. Esta partida terá a arbitragem do internacional moçambicano, Zacarias Horácio Balói.

O árbitro internacional vai fazer a sua terceira aparição nesta competição, desempenhando as funções de árbitro-assistente. Balói foi chamado pela primeira vez em 2016, depois de ter sido assistente num jogo da Taça Nelson Mandela, na então Suazilândia, actual eSwatini.

Licenciado em Estatística pela Universidade Eduardo Mondlane, Zacarias Baloi, de 30 anos de idade, esteve num jogo da Liga dos Campeões este ano, entre Petro de Luanda de Angola e SuperSport United da África do Sul, jogo realizado na capital angolana.

Para além de Zacarias Baloi, que será assistente nesta competição, Simões Guambe é outro árbitro moçambicano que consta da lista dos 25 juízes escalados para o torneio.

Guambe, de 37 anos de idade, participa pela primeira vez nesta competição, apesar de ser árbitro principal internacional desde 2017.

Os dois árbitros moçambicanos beneficiaram-se de uma formação de actualização em matérias de leis de jogo, que terminou esta segunda-feira. O torneio Cosafa será dirigido por 14 árbitros principais e 11 assistentes.

Depois das partidas desta terça-feira de arranque da prova, pelo grupo A, entra em cena, quarta-feira, o grupo B, com os jogos entre Maurícias e eSwatini e entre Lesotho e Malawi.

A primeira fase da Cosafa 2022 termina a 10 de Julho, sendo que os quartos-de-final arrancam dois dias depois. Nessa fase, entra em acção a selecção de Moçambique, que defronta a África do Sul.

O Estádio Nacional do Zimpeto está aprovado para acolher os jogos internacionais e a Confederação Africano de Futebol agendou o embate entre Moçambique e Zâmbia, de qualificação ao CHAN 2023, para o maior palco desportivo do país. Esta aprovação vai permitir que a Black Bulls e o Ferroviário da Beira acolham os seus jogos no Estádio Nacional do Zimpeto.

A espera e a ansiedade terminaram. Os Mambas vão receber a Zâmbia, a 24 de Julho corrente, no Estádio Nacional do Zimpeto, após a Confederação Africana de Futebol ter aprovado o recinto desportivo.

Aliás, a inspecção feita semana passada pelo gestor sul-africano que veio a Maputo terá agradado ao organismo que gere o futebol africano, que não demorou a dar o “sim” à infra-estrutura para jogos internacionais, ainda que tenham deixado algumas recomendações de melhoramento.

O organismo máximo do futebol africano tomou a decisão este domingo e, através de um comunicado, anunciou o regresso de jogos internacionais na capital do país, quase 10 meses após a interdição, ou seja, desde Setembro de 2021.

Esta interdição obrigou os Mambas a receberem os seus adversários noutros países, casos de Marrocos e África do Sul, onde defrontou o Malawi e o Ruanda, respectivamente.

A aprovação do Estádio Nacional do Zimpeto premeia o trabalho realizado pelo Fundo de Promoção Desportiva nos últimos nove meses, depois das mexidas profundas feitas, com destaque para a mudança do relvado natural, para substituir o que já estava gasto e degradado, a colocação de torniquetes para controlar o acesso electrónico de espectadores, retoques nos balneários, sanitários públicos e melhoramento da iluminação artificial.

Estes melhoramentos, avaliados em cerca de 60 milhões de Meticais, foram feitos com fundos da Secretaria de Estado do Desporto.

Depois desta aprovação, o Estádio Nacional do Zimpeto está pronto para acolher jogos internacionais, a começar já a 24 deste mês, diante da Zâmbia, de qualificação ao CHAN 2023, prova que é disputada por jogadores que actuam internamente.

A CAF agendou o jogo para as 15h00 do dia 24 de Julho e terá a arbitragem de um quarteto das Ilhas Comores, chefiada por Mohamed Athoumani, tendo como auxiliares Said Omar Chebli e Mohamed Ibrahim. O quarto árbitro é Abdou Mmadi Mohamed e o comissário do jogo é o malawiano Patrick John Kapanga.  O moçambicano Artur Machava foi destacado como oficial para COVID-19.

O jogo da segunda mão desta eliminatória dar-se-á entre os dias 28 e 29 de Julho, na Zâmbia.

Em caso de apuramento à segunda eliminatória, os Mambas vão receber o seu adversário, a sair do embate entre Zimbabwe e Malawi, no Estádio Nacional do Zimpeto.

Recorde-se que a última vez em que os Mambas disputaram o CHAN foi em 2014, na vizinha África do Sul, onde a equipa não conseguiu passar da fase de grupos.

O CHAN 2023, prova destinada a jogadores que actuam em campeonatos locais, terá lugar na Argélia, de 13 de Janeiro a 4 de Fevereiro de 2023.

 

ENZ TAMBÉM PARA JOGOS DOS CLUBES

A aprovação do Estádio Nacional do Zimpeto não vai beneficiar apenas a selecção nacional de futebol, os Mambas, mas também aos representantes nacionais nas afrotaças, nomeadamente, a Associação Black Bulls e o Ferroviário da Beira.

As duas colectividades entregaram, nos seus processos de licenciamento a nível da CAF, o Estádio Nacional do Zimpeto para os seus jogos, uma vez que as suas infra-estruturas não têm condições para jogos internacionais.

A Black Bulls, que tem como palco o Complexo Desportivo de Tchumene, realiza os seus jogos no segundo campo daquele recinto, uma vez que o campo principal ainda não está concluído nem foi à inspecção.

Já o Ferroviário da Beira, que recebe os seus adversários do Moçambola no Caldeirão do Chiveve, ainda não terminou a reabilitação do seu campo, depois de ter sido devastado pelo ciclone Idai, em 2020.

Os “touros”, campeões nacionais, vão representar o país na Liga dos Campeões, enquanto os “locomotivas” de Chiveve, vice-campeões nacionais, estarão nas eliminatórias da Taça da Confederação, também conhecida como Taça CAF ou Taça Nelson Mandela.

Os jogos das afrotaças iniciam-se em Setembro próximo, com a disputa da primeira eliminatória das duas provas africanas de clubes.

O Movimento Democrático de Moçambique (MDM) reitera a necessidade da redução do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) às gasolineiras, de 17% para 12%, para fazer face ao aumento do preço dos combustíveis. O partido considera que o recente agravamento é insustentável para os cidadãos.

O MDM convocou a imprensa, esta segunda-feira, para reagir em torno do recente agravamento do preço dos combustíveis e falar sobre outros assuntos na ordem do dia.

Aos jornalistas, o presidente do partido, Lutero Simango, insistiu que o Governo deve reduzir o IVA, de modo a aliviar o aperto ao bolso do cidadão.

“Não se pode, no mesmo produto, em várias operações financeiras, cobrar IVA de 17%. Esta cascata de impostos deve ser eliminada, só assim é que se pode garantir que as famílias moçambicanas possam sobreviver”, referiu Lutero Simango, presidente do MDM, destacando que “a nossa proposta se mantém, o preço do IVA sobre os combustíveis deve ser reduzido até 12%”.

Em relação aos privilégios aos dependentes dos combatentes no acesso ao emprego, segundo determinou a ministra da Administração Estatal e Função Pública, através de um ofício, o MDM é contra a medida e fala da necessidade de inclusão de todos no processo de admissão para o aparelho do Estado.

“Temos que eliminar a existência do sistema partido-Estado em Moçambique. Tal eliminação passa, necessariamente, em termos de uma Administração Pública apartidária e ao serviço do povo moçambicano. Devemos todos engajar-nos para que o país seja despartidarizado o mais rápido possível”, explicou Lutero Simango.

O MDM defende a igualdade de oportunidades e o não favoritismo, afirmando que, embora reconheça os esforços dos combatentes da luta de libertação nacional, “não se deve discriminar alguém pela sua classe, somos todos iguais. Não podemos admitir que, passados 47 anos da conquista da Independência Nacional, ainda tenhamos desigualdades. O que nós queremos e o MDM defende é que se crie uma sociedade inclusiva, em termos político-económicos e sociais”, defendeu Simango.

Por outro lado, o partido sugere a inclusão de diferentes segmentos da sociedade na busca de respostas para travar a violência armada em Cabo Delgado. “O Governo está a falar na abordagem do terrorismo. O assunto mexe com a soberania e a segurança nacional. No entanto, notamos que o Governo tem feito uma abordagem partidária e não nacional. O assunto deve passar pela Assembleia da República”, concluiu Lutero Simango.

Quarenta e sete anos depois da Independência Nacional, o distrito de Mabote nunca teve uma estrada alcatroada. A via que dá acesso ao distrito é de terra batida, o que retrai os investimentos e o turismo. A população diz estar cansada de promessas e pede uma estrada construída de raiz.

Que há problemas nas estradas do país já não é novidade. Entretanto, o que poucos moçambicanos sabem é que, volvidos 47 anos da Independência Nacional, o distrito de Mabote nunca teve uma estrada alcatroada. Tortuoso e desgastante é como se pode caracterizar a via, de 120 quilómetros, que parte de Mapinhane, na EN1, para o distrito de Mabote.

A equipa do “O País” percorreu o troço em quatro horas e chegou à vila do distrito à noite. O que se verificou foi uma vila calma e com poucas infra-estruturas. A existência de corrente eléctrica é um ganho, mas “tal energia não abrange todos. Não pode haver energia apenas na vila. Há casas sem energia a menos de 500 metros da vila”, disse Aristides Mundlovo, comerciante.

Na actividade há 10 anos, não esconde o desgosto de ter uma estrada naquelas condições. “A estrada está em más condições, várias vezes prometeram reabilitá-la, mas, até hoje, nada aconteceu. Mesmo os produtos são difíceis de ter, por isso acabam por ser mais caros.”

Segundo avançou, as promessas de uma estrada melhorada vêm de há décadas e até já se cansou de esperar.

Érica Cume, também residente no distrito, disse que o pior não foi o que vimos, o verdadeiro drama vive-se no período chuvoso. “Mapinhane parece muito longe, mas não é. Só é distante por causa da estrada. É muito difícil viajar nestas condições, quando chove os transportes de passageiros desaparecem, para viajar só podemos usar camiões. Há vezes em que ficamos todos o dia num percurso de 120 quilómetros, há cenários de carros que capotam e alguns avariam. ”

Uma vez que Mabote não tem universidades, Érica, estudante da 12ª classe, sonha em fazer enfermagem e tem planos de sair do distrito. “Daqui, o desejo é ir a Maputo. Tenho as minhas tias lá e elas irão ajudar-me. O ideal é que tivéssemos uma universidade aqui, mas ainda não temos”, lamentou.

Não são apenas as estradas que dificultam o rápido desenvolvimento daquele distrito, há outros serviços importantes que são prestados de forma deficitária. Encontrámos Brito Mazive a abastecer a sua viatura na única bomba de combustível do distrito. “O combustível está muito caro. Na bomba a gasolina, está a 93 Meticais, nas ruas, está a 120 Meticais. Quando não há combustível nesta bomba, os revendedores especulam os preços que até atingem os 150 Meticais por litro”, retratou.

Os residentes de Mabote lançam o grito de socorro. “Nós trabalhamos por contra própria e esses preços são insustentáveis. Além dos combustíveis, está esta estrada muito degradada. Pedimos a quem de direito que possa construir uma estrada melhorada”, pediu Joaquim Agostinho.

DISTRITO TEM APENAS UM BANCO PARA 55 MIL PESSOAS

Outro dado caricato é que o distrito tem um único banco para atender uma população de 55 mil habitantes. Grande parte dos edifícios da vila remete ao tempo colonial, não obstante estarem a surgir novas infra-estruturas, como é o caso da nova delegação do INSS.

É através do troço que vai dar à vila de Mabote que se pode chegar aos parques nacionais de Banhine e Zinave. Da vila de Mabote para o interior de Zinave, a nossa equipa percorreu mais de duas horas e meia para fazer 93 quilómetros. É através de uma estrada degradada que os turistas percorrem dezenas de quilómetros para ver as riquezas que o Zinave tem. Recentemente, o parque tornou-se no primeiro de nível nacional a ter todos os big-five, com a introdução do rinoceronte.

GOVERNO DE MABOTE DIZ ESTAR EM CURSO MOBILIZAÇÃO DE RECURSOS

Bastante optimista, o administrador de Mabote garantiu à nossa reportagem já ter iniciado o processo de mobilização de recursos para a reabilitação da estrada. “Estamos a procurar soluções. O Ministério das Obras Públicas já nos apresentou algumas propostas. A nível do Governo central esta questão está no centro das preocupações, o mesmo acontece a nível do Governo provincial e distrital”, disse Carlos Mussanhane, entretanto, quando questionado sobre os prazos para o arranque das obras, o dirigente foi cauteloso.

“Não vamos avançar com datas, porque elas têm a ver com a questão das negociações. Temos estado a receber garantias de que o processo está encaminhado, vários grupos estão interessados em ter uma estrada alcatroada. Acreditamos que, a breve trecho, teremos boas notícias”, esperançou.

Além das riquezas faunísticas, Mabote produz, anualmente, entre quatro e cinco mil toneladas de castanha de caju, o que o torna no maior produtor desta cultura de rendimento na província de Inhambane.

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