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Padres divergem sobre oportunidade da vinda do Papa a Moçambique

Por um lado, padre José Luzia, de Nampula, defende que a vinda do Papa Francisco a Moçambique só vai beneficiar à Frelimo na campanha eleitoral, do outro está o padre Filipe Couto que pensa que vinda de um papa é boa independentemente da época.

Faltam 12 dias para a chegada de Papa Francisco a Moçambique, no seio da própria igreja Católica parece ainda haver divergências sobre se é ou não esta visita, tendo em consideração que Moçambique está num ano eleitoral. 

O padre José Luzia, de Nampula, pensa que não. E para suportar o seu posicionamento, Luzia começa revelando que em toda história, não existe registo de um Papa que visitou um país em ano eleitoral, “quanto menos em plena campanha eleitoral”, tal como vai acontecer em Moçambique. 

Para José Luzia, toda a pessoa “sensata” está de acordo que “o grande beneficiário de uma visita papal numa circunstância destas é o partido no poder”, no caso a Frelimo. Luzia diz que esta visita, para ele “inoportuna”, foi desenhada pela comunidade de Sant´Egídio, que se mostra “mais poderosa do que os padres da igreja católica em Moçambique”.

“Eu tenho a certeza que os nossos bispos locais nunca iriam aconselhar uma visita nesta altura. Se calhar diriam ao Papa: por favor, venham em Dezembro, depois das eleições”, disse Luzia para finalizar com uma questão: “Mas há alguém de bom senso que não concorda com isto?”.

Mas o padre Filipe Couto é totalmente contra o posicionamento do seu homólogo José Luzia. Para ele, “interpretem como quiserem, ele tem que vir durante ou depois das eleições, o importante é que venha e quando isso acontecer, alguma coisa boa vai acontecer vai suceder. Agora eu ou outros, se quisermos vamos criticar vamos criticar, mas é bom que ele venha”. 

O posicionamento de que a visita do Papa não vai beneficiar a nenhuma força política foi defendido por Saíde Habibe, que apela a que ninguém faça essa associação, afinal “o Papa não vem para um grupo apenas, mas sim para todos os moçambicanos e isso deve ser visto como uma coisa que ultrapassa os limites da igreja”. 

Os posicionamentos foram apresentados ontem durante um debate organizado pelo Instituto de Estudod Sociais e Económicos que visando discutir a igreja na actualidade e no passado, partindo mesmo do período colonial. 

Na actualidade, um dos maiores factos é a proliferação das igrejas. Sobre como deve ser o posicionamento das igrejas clássicas, perante a tantas igrejas e prometem “mundos e luas” aos seus potenciais crentes. 

“Eu acho que a igreja católica e outras sérias que estão no Conselho Cristão, não se podem preocupar por estar a perder militantes, isso é assunto de Deus”, defendeu o padre Luzia, suportado por Filipe Couto, qe diz que a igreja católica sempre será relevante, mesmo devido aos seus actos no sector da educação principalmente. 
 

 

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