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Ouviu-se mais “não sei” no Tribunal

Hoje, o Tribunal ouviu o declarante Manuel Aurélio Dove, que vendeu uma casa a Elias Moiane, com anuência da co-ré Inês Moiane; e Alberto João Wate, que recebeu mais de três milhões de Fabião Mabunda e ajudou o réu a construir as casas de Ângela Leão, tudo com dinheiro que se acredita que seja de subornos pagos pela Privinvest pela facilitação das “dívidas ocultas”. Ambos disseram desconhecer qualquer ilicitude à data dos factos.

Depois de Elónio Muiane, a busca de Elias Moiane pelas casas, que devia comprar a mando da sua mãe de criação e co-ré Inês Moiane que se acredita que tenha recebido um milhão de dólares da Privinvest em luvas, foi dada a Manuel Aurélio Dove.

Dono da Dove imobiliária, o declarante vendeu um apartamento sito na Avenida Armando Tivane, zona nobre da Cidade de Maputo, ao réu Elias Moiane a um custo de 12 milhões de meticais, pagos no mesmo dia.

Manuel Dove disse apenas que vendeu uma casa a um cliente que viu uma das suas publicações no Facebook e não sabia das fontes duvidosas da verba paga.

O Ministério Público, o assistente e a defesa prescindiram de interrogar o declarante.

Depois, foi a vez de Alberto João Wate depor. Wate é proprietário da empresa Transportes KDHJ, que opera com materiais de construção e padrinho de Fabião Salvador Mabunda.

Mas, a sua relação não termina por aí. Dos autos consta que Alberto Wate recebeu de Fabião Mabunda três milhões e seiscentos e cinquenta mil meticais. A acusação desconfia que era uma estratégia de branqueamento de capitais, porque o dinheiro, depois, foi devolvido e não na totalidade.

O declarante disse que se tratava de um empréstimo cuja quantia foi decidida pelo mutuante e o reembolso foi em numerário e em renda de equipamentos.

Depois da explicação, Ana Sheila Marengula pediu comprovativos das tranches pagas pelo declarante ao réu Fabião Mabunda, no âmbito do empréstimo ora citado.

O declarante garantiu fazer chegar os documentos ao Tribunal e a Magistrada do Ministério Público encerrou o seu interrogatório de três perguntas e assim terminaram as audições, num dia em que a Ordem dos Advogados e a defesa não participaram activamente do interrogatório.

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