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Os últimos toques na bola indígena

Foto: ABB

Em modo festivo, com a conquista do inédito título de campeão nacional, Black Bulls vai ao “canavial” para arrancar uma vitória (a 18ª, no global, no campeonato) e atingir a marca dos 60 pontos no Moçambola, menos seis com os quais o Costa do Sol, conjunto o qual destronou, sagrou-se vencedor do campeonato há dois anos.

Salvo, aqui, claro, as devidas diferenças relativamente ao campeonato nacional de 2019: a prova foi disputada por 16 equipas e não 14 como a presente edição.

Mas há, também, e no capítulo individual, outros números que os “touros” perseguem: 20 golos. Esta é, de resto, a marca definida pela Liga Moçambicana de Futebol (LMF) para se premiar o melhor marcador do campeonato.

Um “hatrick” diante do Incomáti de Xinavane, sábado, dava jeito ao avançado Ejaita para ser coroado goleador-mor do Moçambola e, efeito-causa, levar para casa os 100 mil meticais. Ficaria, no entanto, a quatro golos de Eva Nga, antigo avançado do Costa do Sol que, em 2019, marcou 24 golos, menos três que Amade Chababe Amade, melhor da história do país (marcou 27 golos no longínquo ano de 1983). Em mais um ano de sufoco, marcado por uma campanha irregular, o Incomáti de Xinavane fez das “tripas o coração” para se manter no primeiro escalão do futebol moçambicano. Com ameaças, de permeio, de desistência do Moçambola por alegadas más arbitragens. Com a manutenção assegurada, joga-se para cumprir o calendário e, acima de tudo, fazer melhor planificação e trabalho de casa para que a próxima temporada não seja jogada aos soluços.

No Santuário 25 de Junho, onde esta época houve muita parra para pouca uva e gestão  com pinças de situações criticas, jogam os “manos” ferroviários de Nampula e Nacala. Dois conjuntos, diga-se, que conseguiram fintar o azar após mexidas nas equipas técnicas.

Com prestações muito aquém do desejado, o campeão nacional de 2004, Ferroviário de Nampula, somente conseguiu a manutenção nas últimas cinco jornadas do Moçambola, facto revelador das tremedeiras ao longo do campeonato.

Saiu Chaquil Bemat, chegou o Nelson Santos para colocar a “locomotiva” nos carris.

Em Nacala, Cambaco  também foi sacrificado e “Turito”, o Artur Macassar, foi o maquinista que conseguiu levar, ainda que aos sobressaltos, com sucesso a “locomotiva” até o final da estação: manutenção. Na derradeira ronda, cumprido o objectivo, vai ser jogar para cumprir calendário.

Muita estrela para pouca constelação! É, de forma resumida, como se pode definir um Costa do Sol sem aura e alma de campeão. Foi uma equipa fraquinha, sem o fulgor apresentado há dois anos quando travou uma luta acesa pela conquista do título com a União Desportiva do Songo. Resultado: o histórico e mais titulado clube do país sequer está entre os quatro primeiros classificados do Moçambola-2021.

A dança de treinadores, com saída de Horácio Goncalves e entrada de Artur Comboio não trouxe a estabilidade que o clube precisava. Saiu Artur Comboio, veio o outro Artur, o Semedo, que não podia fazer omeletes sem ovos. Fechar o campeonato de forma digna e pensar já na próxima temporada é, para já, a palavra de ordem diante do Ferroviário de Lichinga. Mas alto aí: jogar com a equipa sensação da prova, no primeiro ano de contacto com o Moçambola, não é coisa fácil. Que o diga a Associação Black Bulls, campeão nacional que esperava ver o tapete vermelho estendido no Estádio Municipal 1º de Maio, na 24ª jornada do campeonato. Combativa, e com atitude, equipa de Antoninho Muchanga e Arnaldo Ouana já não vai a tempo de perder o 4º lugar e quer fechar a prova com uma vitória.

Digno vencido e vice-campeão, o Ferroviário da Beira lutou até às últimas consequências para conquistar o seu segundo título, depois do feito alcançado em 2016, na vila de Songo. Há que dar mérito ao trabalho desenvolvido por Akil Marcelino, há que acreditar que na próxima temporada pode haver mais. Agora, resta vencer em casa ao primeiro campeão nacional, Textáfrica de Chimoio.

Condenado à jogar a “liguilha”, numa temporada de incertezas e instabilidade directiva, o Textáfrica de Chimoio não conseguiu superar a ausência de uma abordagem mais profissional no clube.  Só há um caminho, de ora em diante: ensaiar os duelos diante do Desportivo Maputo e Matchedje Mocuba, adversários na luta pela única vaga que assegura a permanência no Moçambola.

Mais do mesmo em Quelimane! O Matchedeje de Mocuba, 12º classificado, bem tentou nas últimas jornadas evitar a “liguilha”, mas perdeu a “batalha” contra o Incomáti. Vestir o fato-macaco, fazer um bom resultado diante da União Desportiva do Songo e galvanizar a equipa para os próximos confrontos é o objectivo da “velha raposa” Nacir Armando. Com o terceiro lugar assegurado, a União Desportiva do Songo pode até se dar ao luxo de rodar a equipa.

O “desastroso” Desportivo Maputo vai a Vilankulo “ambientar-se” ao palco da disputa da “liguilha”, quando se bater com a Associação Desportiva local.

No bairro Alto Macassa, quer mandar a equipa da casa que, diga-se, conseguiu uma manutenção tranquila no campeonato nacional, colocando-se entre os sete primeiros colocados. A Liga Desportiva de Maputo joga em casa domingo com o Ferroviário de Maputo, num duelo entre dois conjuntos que, à partida, traçaram objectivos distintos dada a sua musculatura financeira: luta pela manutenção tranquila e conquista do título.

 

 

 

INFANTINO RENDIDO À CLASSE DA BLACK BULLS

Foto: FIFA

O presidente da FIFA, Gianni Infantino, felicitou a Associação Black Bulls pela conquista, no passado domingo, 31 de Outubro, do campeonato nacional de futebol, Moçambola-2021.

O líder da entidade que tutela o futebol mundial destaca, na carta por si assinada, que o inédito título conquistado pela Black Bulls, no ano de esteia no primeiro escalão do futebol moçambicano, “é, sem dúvida, resultado de um trabalho duro, paixão e comprometimento” daí que “todos no clube devem orgulhar-se desta importante conquista”.

Infantino deixou ainda uma palavra de encorajamento e engajamento a toda estrutura que trabalhou para que a Associação Black Bulls escrevesse, com letras douradas e garrafais, uma página no futebol moçambicano, no sentido de que “continuem a trabalhar com o espírito de equipa, paixão e determinação”.

A finalizar, Gianni Infantino destacou o trabalho realizado pela Federação Moçambicana de Futebol. “Uma palavra de apreço à Federação Moçambicana de Futebol pela sua contribuição no desenvolvimento e na prosperidade do futebol em Moçambique, na região e ao redor do mundo”.

Fernando Gomes, presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), não ficou para trás. O número 1 do futebol português felicitou o técnico Hélder Duarte, 39 anos de idade, pelo ceptro e marcas deixadas no Complexo Desportivo do Tchumene, na Matola.

“Felicito calorosamente Hélder Duarte por se ter sagrado campeão nacional de Moçambique. Esta conquista é certamente o corolário dos anos de trabalho que tem desenvolvido ao serviço do Black Bulls. Com o seu conhecimento e o seu esforço, conseguiu um objetivo que prestigia não só o seu trabalho, como também todo o edifício do futebol português e, particularmente, da nossa escola de treinadores”, enalteceu Fernando Gomes.

 

 

MOÇAMBOLA-2021

Quadro de jogos

26ª jornada

Incomáti                  vs Black Bulls

Fer. Nampula          vs Fer. Nacala

Liga Desportiva       vs Fer. Maputo

Fer. Beira                    vs Textáfrica

AD Vilankulo              vs   Desportivo Maputo

Matchedje Mocuba  vs  UD Songo

Fer. Lichinga               vs Costa do Sol

 

CAMPEÃO NACIONAL, BLACK BULLS,  MOÇAMBOLA,

 

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