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Operada uma paciente com tumor de 300 gramas no pescoço

Um inchaço no pescoço que tornou-se um tumor enorme. Esta é a forma como se pode explicar o problema de saúde que Nércia Mahumana, de 20 anos de idade viu surgir em 2015.

“Quando começou era uma coisa pequena. Surgiu de repente e foi crescendo”, lembra Nércia.
O tumor provocou várias mudanças na vida da jovem natural de Xai-Xai, província de Gaza, sendo que parar de estudar foi uma das mais significativas.

“Eu estava a fazer 10 ª classe em 2015 quando a doença começou. Mas depois tive de parar de estudar. Por isso mesmo chumbei e tive de repetir a classe por duas vezes. Agora estou a fazer 11ª classe, mas também tive de parar para vir fazer tratamento”, disse.

Nércia contou que por vezes sente dores causadas pelo tumor, e para controlar faz uma medicação com ibuprofeno e paracetamol. Não tem dificuldades para comer, mas sente desconforto na hora de dormir. “ Não consigo dormir dos dois lados, só de um. E não é fácil dormir numa só posição”, contou.

Outra coisa que o tumor no pescoço causou na vida da jovem de 20 anos de idade foi a vergonha, principalmente na escola. “Muitas pessoas da escola não ficavam felizes comigo. Então para poder ficar a vontade passei a usar cascol para esconder o pescoço. Sempre que ia a escola usava cascol”, recordou Nércia.

A jovem passou por uma operação de remoção do tumor no Hospital Central de Maputo. Acompanhamos o processo cirúrgico que chega a durar até duas horas.

Estavão envolvidos no processo 10 profissionais, dos quais quatro são cirurgiões. Quatro horas depois da cirurgia, o paciente já pode começar a comer. Mas a recuperação completa depende muito da resposta de cada paciente, e pode durar até três meses.

“Fizemos um estudo ecográfico do pescoço e outros exames onde foi possível concluir que estamos perante um tumor com aspecto quístico gigante com muitas locas. Este tumor tem três anos de evolução por  isso que a operação será complexa. O pescoço é um órgão sensível, por nele passam muito tecidos vitais”, explicou o director do serviço de otorrinolaringologia,  e um dos cirurgiões envolvidos na operação, Pedro Machava.
Voltamos ao HCM quatro dias depois da cirurgia.

Encontramos Nércia na enfermaria de otorrinolaringologia, mais animada, e feliz com os resultados. “Estou muito feliz, porque já me sinto bem melhor. Agora posso mudar de posição na hora de dormir e já não sinto  dores”, contou.

E o sucesso da operação foi confirmado pela equipa médica, que fez saber que o tumor pesava 300 gramas, e está a ser analisado.

“A operação foi um sucesso e ela está a recuperar-se bem. O tumor era enorme por isso a operação foi um pouco mais complexa que o esperado. Agora ele foi enviado a anatomia patológica para ser analisado e aguardamos os resultados”, disse a médica cirurgiã que também participou da cirurgia Sónia Bombe.

Os tumores podem surgir em qualquer parte do corpo. Não existe uma forma específica de preveni-los. Mas os especialistas alertam que é preciso manter-se vigilante e ao primeiro sinal de um caroço, nódulo ou inchaço por mais pequeno que seja, é preciso procurar por ajuda médica.

 

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