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O título de A a Z

A:Amor esteve no ar na final da Taça dos Clubes Campeões Africanos de basquetebol em seniores femininos.  A expressão deste sentimento nobre veio, precisamente, no final do jogo Ferroviário de Maputo vs Inter Clube, quando ao anúncio do mestre-de-cerimónias o noivo de Odélia Mafanela” irrompeu pelo pavilhão e pediu a “power forward” em casamento. Caros patrícios, foi lindo e expressa o que Carlos Drumond de Andrade escreveu:  “O amor que move o sol, como as estrelas.” “O verso de Dante é uma verdade resplandecente, e curvo-me ante a sua magnitude. Ouso insinuar, sem pretensão a contribuir para se que desvende o mistério amoroso: Amar se aprende amando. Sem omitir o real quotidiano, também matéria de poesia.”

B:Bandeira, único árbitro internacional de basquetebol da actualidade, foi o juiz acompanhante do Ferroviário de Maputo. Não comprometeu na sua actuação, tendo feito o seu trabalho com  rigor e profissionalismo. Preocupa, nesta altura, o facto de ser o único árbitro internacional e nos próximos tempos ter deixar de apitar provas internacionais dada a idade. Um TPC para um país que já teve um arbitro a apitar os Jogos Olímpicos de 2008, em Beijing, China, e Mundial de basquetebol de 2006, no Japão: Abreu Muhimua.

C:Carlos Ibrahimo Aik. Primeiro treinador campeão africano de clubes, em 1991 pelo Maxaquene, teve a sua “mão” na conquista do título pelo Ferroviário de Maputo. Pois é: Aik desempenhou a função de assessor técnico, tendo marcado presença sempre atrás do banco do Ferroviário de Maputo dando o seu contributo quando justificasse.  Já agora, saibam, Carlos Aik foi a figura que lançou Leonel Manhique, actual treinador do Ferroviário de Maputo, para este clube em 2011 tendo ambos conquistado a Liga Nacional de Basquetebol.

D:Delma Zita. Aos 20 anos, a base estreou-se numa fase final da Taça dos Clubes Campeões Africanos de basquetebol em seniores femininos, depois de ano passado somente ter sido ambientada a equipa na fase preliminar da zona VI, em Gaborone, Botswana. Fez cinco dos sete jogos da equipa, terminando a prova com média de 4.8 pontos/jogo, 2.2 assistências e 1.6 turnovers. Aqui cheira futuro.

E:Experiência Emulou, claramente, na Astrida Vicente, jogadora do Inter Clube que completou 40 anos no passado dia 6 de Outubro. Vicente já foi campeã africana de clubes pelo D’ Agosto e Inter Clube. Aisha Mohamed, jogadora do First Bank que tem 33 anos, voltou a pisar a quadra do pavilhão do Maxaquene, recinto no qual conquistara a Taça dos Clubes Campeões Africanos em 2003 e o Campeonato Africano de basquetebol em seniores femininos ao serviço da Nigéria. O tempo passa, nê?

F:“Farra”. Celebrou-se, até o sol raiar, a conquista da Taça dos Clubes Campeões Africanos de basquetebol pelo Ferroviário de Maputo. Patuscada das grandes quer nos bares próximos ao pavilhão do Maxaquene quer nas tascas dos bairros. Afinal, o patriotismo falou mais alto e mola não faltava uma vez que o problema do apagão da SIMO estava resolvido.   

G:Groupement Sportif des Pétroliers (GSP) da Argélia. Adversário do Ferroviário de Maputo nos quartos-de-final da Taça dos Clubes Campeões Africanos de 2017, em Luanda, Angola, o Groupement Sportif des Pétroliers (GSP) da Argélia foi um dos grandes ausentes da presente edição. O GSP, uma equipa com boa estrutura, foi igualmente adversário do Ferroviário de Maputo nos “quartos” em 2016, tendo as campeãs nacionais vencido por 69-57.

H:Hegemonia: foi quebrada, domingo, a hegemonia das equipas angolanas nos últimos cinco anos que dividiram os títulos na Taça dos Clubes Campeões Africanos: 1º de Agosto, campeão em 2015 e 2017 e Inter Clube, vencedor em 2013, 2014 e 2016.

I:Isidro Abibo Amade, homem do desporto. Homem forte do departamento de basquetebol do Ferroviário de Maputo. Fora da quadra, fez um grande trabalho para que o Ferroviário de Maputo chegasse ao olimpo de África. Sempre presente com a equipa, Isidro Amade foi persistente e com foco construiu uma equipa que, hoje por hoje, tem o continente a seus pés. Phambeni, Isidro.

J:Jasmin Nwajei, base nigeriana de 23 anos, agradou os olhos de quem acompanhou esta competição. Com enorme potencial, foi a primeira escolha para a posição um no First Bank da Nigéria, liderando a equipa em pontuação (109 pontos em sete jogos) para além do registo de 23 assistências e 35 turnovers. Salvo as diferenças, fez-nos lembrar Dominique Wilson, base americana que em 2017 em Angola reforçou o First Bank e fez parte do cinco ideal.

K:Kardápio Kaseiro, bem na baixa da capital, foi um dos locais must para desanuviar os desaires e celebrar as vitórias por parte de alguns dirigentes, amantes de basquetebol e até…treinadores não envolvidos na competição. Ao ritmo de som trazido pelo DJ e ao sorver de um gole, lá se fizeram os prognósticos, lamentou-se e renovaram-se as esperanças.

L:Lucas. É o apelido da fabulosa, fantástica e, porque os adjectivos são tantos, terminanos no exemplar, base americana naturalizada angolana: Italee. Capacidade de fazer o passe no timing certo, drible em progressão, bom tiro curto e exterior, fazem dela uma jogadora que da gosto ver jogar. Espalhou, para não variar, o seu perfume no pavilhão do Maxaquene e no final foi indicada MVP. Thats why we love this game.

M:Mabê, como é tratado pelos próximos o Leonel Manhique, deu da melhor forma continuidade a um ciclo vitorioso iniciado em 2014, quando destronou a galáctica equipa da Liga Desportiva e conquistou o seu primeiro título de campeã nacional. África, o grande objectivo, está no papo. Foi, no entanto, preciso lutar: um terceiro lugar em 2015, e duas finais perdidas: 2016 e 2017.

N:Ngulela, a Deolinda outrora fabulosa base da Académica e selecção nacional, deixou para trás o clubismo (é a actual coach do Costa do Sol) e juntou-se a causa Ferroviário de Maputo para transmitir algumas das antigas colegas a sua experiência e encorajamento. Primeiro, aceitou o convite da Associação de Veteranos de Basquetebol (Moz Basket) para interagir com as atletas. Depois, marcou presença no pavilhão do Maxaquene para apoiar a equipa.

O:Odélia Mafanela. Estoica e combativa, emprestou garra e determinação na quadra.  Os seus números são elucidativos da influência na equipa: média de 10.6 pontos/jogo (terceira melhor marcadora da equipa) e 7.6 ressaltos (melhor ressaltadora das campeãs nacionais). De resto, Mafanela foi a jogadora com maior eficiência por jogo: 13.6.

P:Público. Esteve, assim-assim, no pavilhão do Maxaquene nos primeiros dias da competição. Qual ovo de Colombo, no dia da final a catedral rebentou pelas costuras com o público a exultar com o sucesso da equipa da casa. Pudera, estava em causa um país.

Q:Quatro títulos continentais de clubes. É o registo de Anabela Cossa e Odélia Mafanela, as únicas basquetebolistas moçambicanas que já conquistaram a Taça dos Clubes Campeões em quatro ocasiões: Desportivo de Maputo (2007, em Maputo, e 2008, no Quénia), extinta Liga Desportiva (2012, na Costa do Marfim) e Ferroviário de Maputo (2018, em Maputo).

R:Reforços. EUA, a pátria do basquetebol, tem sido o ponto preferencial para “apetrechar” as  equipas participantes na Taça dos Clubes Campeões Africanos de basquetebol. Este ano, não houve se fugiu a regra. O Ferroviário de Maputo “recrutou” Carmen Thomas e Cierra-Warren Robertson, atletas que se esperava muito mais daquilo que deram. O mesmo se pode dizer de Amanda Thompson, “power forward”, e Surriya MC Guire, “shoting guard” que reforçaram o Inter Clube e estiveram muitos furos abaixo do que se esperava. E não se viu melhor na Malaika Green, base americana que reforçou o First Bank.

S:Sally Custódio Maciera. Uma aficcionada pelo basquetebol. Faça chuva, sol ou vento lá está ela a dar o seu calor as equipas moçambicanas. Foi, é e continuará a ser bonito ver a imagem de Sally Custódio Maciera não só no pavilhão do Maxaquene mas também a correr o mundo com as suas vibrações através do sitio da FIBA e das redes sociais.
 
T:Triplista da prova. Dois anos depois, Anabela Cossa voltou a ser considerada melhor triplista da Taça dos Clubes Campões Africanos de basquetebol em seniores femininos. Continua a ser competente na zona dos 6.75 metros. É a nossa menina bomba que figurou ainda no cinco ideal da competição continental de clubes.

U:União. Foi uma das palavras-chave para o sucesso do Ferroviário de Maputo nesta competição. As atletas, que haviam perdido nas meias-finais de 2015, em Angola, e finais de 2016, em Maputo, e 2017, em Angola, uniram esforços para conquistarem o tao almejado título. E soube a bem, ate porque foi a “vingança” da derrota sofrida há dois anos no pavilhão do Maxaquene.

V:Vombe: apelido do Mauro que levou ao mundo a viagem através do registo fotográfico a 24ª edição da Taça dos Clubes Campeões Africanos de basquetebol em seniores femininos. Baixinho de estatura, mas grande no profissionalismo, fez um trabalho que dignifica os moçambicanos.

W:Workaolic. Sim, traduzido, alguém viciado no trabalho. Ingvild Mucauro, a capitã do Ferroviário de Maputo, é viciada no basquetebol. Da intensidade ao jogo, defende com tudo e não desiste facilmente. Mostrou atitude. E, com 12.6 pontos, foi a terceira jogadora da equipa com maior eficiência por jogo. No ano em que conquistou o seu segundo título continental de clubes, foi a terceira melhor ressaltadora da equipa.

X:Xivite, uma expressão usada pela geração de ouro que teve em Aurélia Manave Esperança Sambo  a expressão maior, serviu de inspiração para que o Ferroviário de Maputo colocasse em sentido o Inter Clube. Raiva, na tradução livre e no bom sentido, foi nota dominante na abordagem dos jogos por parte das atletas.

Y:Youth: traduzido para português: juventude. Há, sim, muita juventude no Ferroviário de Maputo para se sonhar com mais títulos continentais de clubes e fazer-se uma transição de gerações com tranquilidade. A equipa do Ferroviário das Mahotas, que foi vice-campeã, é constituída maioritariamente por jovens com enorme potencial que no futuro podem ser enquadradas na equipa principal: Madina Camara, Paula Orlando, Dilma Roldão, Miza Zita, entre outras. O futuro está garantido.

Z:Zinóbia Dulce Machanguana, em tempos defensora por excelência, fez parte da equipa do Ferroviário de Maputo que disputou a primeira final na história do clube, em 2006, no Gabão. Hoje, tem um papel ao nível do departamento de basquetebol e acompanhou a par e passo esta luta pelo título desde 2015, em Angola, quando a equipa terminou em terceiro lugar.

 

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