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O processo por trás da cremação do Arcebispo Desmond Tutu

O corpo do Arcebispo Emérito Desmond Tutu foi reduzido a pó por aquamação, um novo método de cremação com recurso à água, introduzido na África do Sul em 2019. No mundo, o processo existe desde os anos 1880 e foi inicialmente pensado para animais

Quando a 26 de Dezembro último o Nobel da Paz em 1984 se calou para sempre, vítima de doença, já tinha deixado recomendações sobre como o seu sepultamento devia ser.

Além de que “não queria ostentação ou gastos luxuosos”, Desmond Tutu pediu que o seu caixão fosse o mais barato possível; quis ainda que um bouquet de cravos, da família, fossem as únicas flores na Catedral Anglicana de São Jorge, na Cidade do Cabo, e que o seu corpo fosse cremado.

Afinal, a cremação não seria a tradicional – feita através de fogo –, mas sim, o corpo foi submetido à aquamação e, a posterior, as cinzas depositadas num columbário enterrado em frente do púlpito da Catedral de São Jorge, em que serviu como Arcebispo durante 35 anos.

Após a cerimónia pública do adeus, no último sábado, o corpo do Arcebispo sul-africano foi colocado num grande cilindro metálico e, de seguida, mergulhado num líquido com uma mistura de água e substâncias alcalinas, durante aproximadamente quatro horas, a uma temperatura de cerca de 150 graus Celsius, o que permite uma rápida dissolução dos tecidos corporais.

Segundo escreve a News24, o processo derrete tudo menos os ossos, que depois são secos numa estufa e reduzidos a pó branco, colocados numa urna e entregues aos parentes.

A deposição das cinzas de Desmond Tutu, no columbário da Catedral de São Jorge, decorreu num culto particular para a família, na manhã de domingo. O Arcebispo Thabo Makgoba, da Cidade do Cabo, foi quem depositou as cinzas defronte do altar-mor da Catedral. Cerimónia religiosa durou 30 minutos, refere a News24.

A aquamação garante a economia de energia em mais de 90%, em comparação com o método tradicional. Além disso, 20% a 30% mais resíduos de cinzas são devolvidos à família.

O pesquisador Philip R. Olson disse à News24 que este processo, introduzido na África do Sul em 2019, foi desenvolvido, pela primeira vez, no início dos anos 1990 como uma forma de descartar os corpos de animais usados em experimentos. O método foi ainda usado para descartar as vacas durante a epidemia da vaca louca.

Na década de 2000, as faculdades de medicina dos Estados Unidos usaram a aquamação para descartar cadáveres humanos doados, antes que a prática chegasse à indústria funerária, escreveu Philip R. Olson num artigo de 2014, de acordo com a fonte que temos vindo a citar.

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