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O Homem

Por: Belchior Eduardo

 

Numa terra longínqua, em um tempo em que ninguém sabe ao certo quando foi, ocorreu algo que chocou a todos, história de um certo homem, protagonista desse sucedido.

Um certo homem, de vinte tal anos, altura média, cabelo despenteado, sapatilhas pretas, barbas no rosto, uma calça que arrastava o chão, camisa preta e chapéu vermelho, era muito informado e culto em relação aos outros da sua região e época.

Certo dia, cansado da situação que ele passava diariamente, decidiu fazer uma viagem a procura de oportunidades e abraçar desafios que o faziam orgulhoso da sua própria jornada. Pegou na sua mochila logo de madrugada e colocou-se na estrada em busca de seus sonhos.

Dezasseis horas de caminhada, sentiu a necessidade de parar e descansar o seu corpo para continuar a jornada. Eis que aparece uma criança com apenas um olho na cabeça e uma camisa esfarrapa que o perguntou:

­ Tio, para onde vais?

Na maior, o homem virou calmo e respondeu:

­ Não tenho um destino certo, ando a procura de desafios que possam fazer com que me orgulho de mim mesmo.

A criança exclamou e disse:

­ Sabe, tio, sempre que tento me aproximar de alguém para conversar, a pessoa se assusta e corre com medo devido a minha aparência. Por isso dar-te-ei a oportunidade de fazer um pedido e eu realizarei de imediato.

O homem ficou contente com a oportunidade e, sem demora, disse:

­ Como ando há amais de 20 horas sem me alimentar devidamente, quero comida e água para que tenha força de continuar a viagem.

­ Assim será. Além da comida e água, também lhe darei um descanso condigno para uma boa digestão.

O menino cumpriu a promessa e foi-se embora. O homem ficou se alimentando e comendo de tudo, teve um sono profundo de mais de cinco horas. Quando despertou, já era noite e pernoitou no local. Logo cedo, continuou a viagem.

Andou durante horas e, pelo caminho, bem de longe, viu algo brilhante. Aproximou-se e viu uma velhinha deitada no chão, sem forças de continuar a caminhar. Aproximou-se com medo e perguntou o que se passava com a velha, e ela respondeu:

­ Fui expulsa de casa pelos meus filhos e suas esposas, acusam-me de feitiçaria, dizem que sou a culpada por eles não triunfarem na vida e pela infertilidade das suas esposas. Não tenho nem sequer o que comer nem beber.

O homem sensibilizou-se com a situação e alimentou a velha com o pouco alimento que tinha. A velha, aos poucos, ganhou força para se levantar e andar. Depois, disse:

– Por teres me dado o que comer e beber, te concederei um desejo, para que continues de boa forma a viagem.

O homem, mais uma vez, ficou admirado pela oportunidade e rogou:

– Estou há mais de sete dias caminhando, fiquei sem forças. Recuperei devido a alimentação, água e sono, porém, as pernas pesam-me e desejo que tenha um meio de transporte para minha locomoção.

Naquele mesmo momento, a velha deu-o um carro e o homem colocou-se no mesmo. Ele agradeceu imensamente e continuou a viagem.

Dois dias de viagem… o homem a creditou que chegaria em breve ao seu destino. Pelo caminho viu um senhor com duas crianças e uma senhora com trouxas à cabeça, todos cansados. Sem conseguir ignorar, voltou o carro. Parou e chamou o senhor. Perguntou:

– Para onde vão? Estão todos cansados, o que se passou?

O senhor tomou a palavra e disse:

– A nossa terra foi usurpada de nós, veio a guerra, devido a recursos naturais que nela surgiram, vieram povos sei lá de donde, e decapitam e matam quem estiver à sua frente.

O homem, com lágrimas nos olhos, respondeu:

– Vinde a mim, subam e deixar-vos-ei onde desejarem.

O senhor, a sua esposa e filhos subiram no carro e partiram. Chegando onde desejavam parar, desceram e agradeceram imensamente:

– Muito obrigado, Homem, por teres nos ajudado na nossa caminha. Aceita que te possamos conceder a realização de um desejo.

O homem, admirado, pediu ao senhor e à sua família:

– Saí de casa à procura de desafios maiores e que possam-me colocar orgulhoso de mim mesmo. Tenho forças, carro para chegar onde quer que seja o lugar. Desejo que tenha dinheiro para dar e vender.

O senhor, admirado pela determinação do homem, perguntou:

– Tens a certeza do que desejas?

O homem pensou uns segundos e disse:

– Sim, tenho.

O senhor, de seguida, realizou o desejo do homem. Este ficou muito satisfeitos e continuou a viagem. Pelo caminho, sentiu que chegou ao local onde teria desafios maiores e parou a viatura ali. Adormeceu por horas e, para o seu espanto, acordou em sua casa, sem a comida e água, sem o carro e o dinheiro, apenas com o seu senso de sabedoria das coisas ao seu redor e realidade científica.

 

 

 

 

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