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O culpado é sempre o outro

Na nossa sociedade, de entre as boas e más práticas, há uma que eu considero constituir um grande entrave ao desenvolvimento individual e colectivo. É o hábito da culpabilização do outro ante os insucessos, sejam eles decorrentes de doenças, de desaires amorosos, de emprego, enfim, da vida. Julgo eu que este fenómeno pode estar intimamente ligado à nossa cosmovisão – do tipo curandeirismo, entenda-se, aquele curandeirismo virado às adivinhações. Vezes sem conta temos ouvido falar, um pouco por todo o país, de crimes violentos praticados contra pessoas acusadas de feitiçaria no seio da família, com maior incidência nas zonas  rurais, crimes esses promovidos por charlatães.

O mesmo acontece a nível urbano, principalmente nos meios políticos, académicos, empresariais, desportivos, artístico-culturais, religiosos, entre outros, onde esta prática assume outros contornos, com base no mesmo paradigma, pois o princípio é o mesmo por haver uma relação directa ou indirecta entre uma e outra coisa. Sim, a lógica é a mesma. Falo da fofoca – que alguém já a apelidou de sociologia de rumores – e a calúnia, essa outra forma abominável de argumentar e contra-argumentar. Tudo isto vai ganhando campo nestes meios, visando simplesmente denegrir a imagem do outro (principalmente quando é adversário) e dividir para reinar. É o truque usado por charlatães, gente de má-fé, sem escrúpulos, com a finalidade de tentar ganhar dividendos, ou de alcançar um determinado objectivo.  Assim, acusa-se fulano, sicrano ou beltrano, de ser o responsável do insucesso de A ou de B.  Acusa-se simplesmente, e apresenta-se como prova (de tamanha absurdidade) o aparente sucesso do acusado. Mamma mia!

Pior do que tudo isto, para a perplexidade das estrelas, é a ingenuidade (será?) daqueles a quem aparentemente se defende, de quem se pretende obter apoio, ao acreditarem em “histórias da carochinha”!  Reconheço, de antemão, que estas práticas nada têm a ver com a instrução escolar e o seu grau. Têm a ver, sim, com o universo cosmogónico vivenciado desde o berço familiar!

 

 

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