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Nyusi quer antigos combatentes envolvidos no aprofundamento da unidade nacional

O Presidente da República diz que a violência armada nas províncias de Manica, Sofala e Cabo Delgado ameaça as conquistas do dia 07 de Setembro, data que ficou conhecida como Dia da Vitória. Neste contexto, Filipe Nyusi apelou ao envolvimento dos antigos combatentes na disseminação de valores sobre o patriotismo, para o aprofundamento da unidade nacional.

Filipe Nyusi orientou, na manhã desta segunda-feira, a cerimónia central alusiva ao Dia da Vitória, na praça dos heróis, na cidade de Quelimane, província da Zambézia.

Antes do discurso de ocasião, o Chefe de Estado depositou uma coroa de flores em homenagem às figuras que “participaram activamente na libertação da pátria moçambicana, nas frentes da luta armada ou clandestina”, entre outras lides que garantiram o alcance da independência e auto-determinação do povo.

De seguida, Filipe Nyusi visitou uma exposição fotográfica na praça dos heróis em Quelimane.

Através da referida exposição, o Presidente da República acompanhou a evolução da história do país, desde o desencadeamento da luta de libertação nacional, passar pelo momento que culminou com a assinatura dos Acordos de Lusaka, pela tragédia de Mbuzini, na África do Sul, até ao percurso da chama da unidade nacional em diferentes pontos do território nacional.

Depois da exposição fotográfica, o Presidente da República dirigiu-se à tenda montada para as cerimónias centrais do Dia da Vitória, onde procedeu à imposição de insígnias a 25 veteranos da luta de libertação de Moçambique.

A cerimónia foi replicada em todo o país. Ao todo foram condecorados 916 combatentes com a “Medalha Veteranos da Luta de Libertação de Moçambique”, pelos secretários de Estado.

MOÇAMBIQUE ASSUMIU DESTINO PRÓPRIO

Terminada a imposição de insígnias, o Presidente da República proferiu o seu discurso, no qual sublinhou que o Dia 07 de Setembro não significou apenas o calar das armas, mas também o momento em que o país ficou dono do seu próprio destino.

“Em poucas palavras, diríamos que os Acordos de Lusaka criaram condições jurídicas e materiais para Moçambique nascer como um Estado independente, soberano, democrático e de justiça social”, afirmou o Comandantes-em-Chefe das Forças Armadas de Defesa de Moçambique, salientando que hoje “somos donos dos nossos recursos e destino”.

As celebrações do 07 de Setembro têm sido marcadas pelo festival dos combatentes, o que este ano não foi possível por causa das restrições impostas no âmbito da prevenção e combate ao novo Coronavírus.

O festival devia ter lugar na Zambézia, mas mesmo assim, segundo Filipe Nyusi, os zambezianos têm motivos bastantes para “vestirem-se de gala” de modo a celebrar Dia da Vitória.

O Chefe de Estado disse ainda que o festival ora inviabilizado pela COVID-19 permite aos combatentes avaliar os desafios que persistem para manter a paz e acabar com o terrorismo.

Filipe Nyusi lembrou que durante 500 anos os moçambicanos estiveram sob domínio do jugo colonial, foram negados o direito à identidade, à independência e à auto-determinação. Contudo, os moçambicanos obrigaram o regime colonial fascista português a reconhecer esses direitos.

Os protagonistas dos Acordos de Lusaka e da soberania moçambicana são, “sem sombra de dúvida”, os veteranos da luta de libertação nacional, aos quais o Governo presta atenção especial.

“O papel do combatente é indispensável”, na luta contra os ataques armados, a corrupção e a pandemia da COVID-19. Tal como no passado, Moçambique conta o apoio dos antigos combatentes para vencer estes males, disse o Chefe de Estado.

“A outra área que merece atenção do combatente é a disseminação de valores de patriotismo. Vamos inspirar a sociedade e a nossa juventude no aprofundamento do sentido da unidade nacional, amor à pátria, abnegação e espírito de entrega ao bem do país”, exortou ao Chefe de Estado.

Sobre o terrorismo que afecta alguns distritos do norte de Cabo Delgado, desde Outubro de 2017, “assim como os ataques na zona centro do país”, Nyusi considerou que são “uma ameaça aos ganhos do 07 de Setembro”.

Em relação à violência armada em Manica e Sofala, o Presidente da República chamou à razão a auto-proclamada Junta Militar da Renamo, destacando que as suas acções ameaçam também os feitos sobre o 07 de Setembro. E não há motivos para guerra no país.

O Presidente da República mencionou também a pandemia do novo Coronavírus como outra ameaça ao Dia da Vitória.

Por causa disso, o Chefe de Estado apelou, mais uma vez, ao uso de máscara, à lavagem correcta das mãos, ao cumprimento do distanciamento social, entre outras medidas.

Na sua comunicação à Nação, na última sexta-feira, Nyusi disse que a partir do dia 15 de Setembro será autorizada a frequência às praias, mas sob rigoroso cumprimento das medidas contra a COVID-19.

Todavia, durante o fim-de-semana houve gente que se antecipou à data. Em algumas praias houve total desrespeito das orientações estabelecidas para evitar a propagação da doença, segundo o Chefe de Estado, para quem se isso prevalecer “vamos encerrar as praias”, para não permitir que vidas continuem em risco.

Outro aspecto apontado pelo Presidente da República tem a ver com necessidade de combater a corrupção. Esse papel é igualmente dos combatentes, através do próprio exemplo, disse Filipe Nyusi, sem esquecer que apelar a toda a sociedade na luta contra o mesmo mal.

SOBRE O 07 DE SETEMBRO

O dia 07 de Setembro (1974) ficou conhecido como Dia da Vitória por ter sido nessa data em que foram assinados os Acordos de Lusaka entre a Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) – movimento nacionalista que desencadeou a luta armada de libertação nacional – e o Estado português.

Este ano, o dia da 07 de Setembro será celebrado sob o lema “Combatente firme na promoção do patriotismo e o desenvolvimento”.
O propósito da luta armada era conquistar a independência e Moçambique. Nos acordos, o Estado Português reconheceu, formalmente, o direito do povo de Moçambique à independência.

Reunidas em Lusaka, de 05 a 07 de Setembro de 1974, as delegações da Frente de Libertação de Moçambique e do Estado Português, com vista ao estabelecimento do acordo conducente à independência de moçambique, acordaram, entre outros pontos, o seguinte: primeiro que o Estado Português, tendo reconhecido o direito à independência a Moçambique, aceitava a transferência progressiva dos poderes que detinha sobre o território nacional nos termos estabelecidos no mesmo entendimento.

Segundo, a independência completa de Moçambique seria solenemente proclamada em 25 de Junho de 1975, dia do aniversário (13º) da fundação da Frente de Libertação de Moçambique.

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