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Nyusi inaugura XI Congresso com mensagem democrática

O XI Congresso da Frelimo acaba de começar na Matola. Já com a presença do Presidente do partido, Filipe Nyusi, o evento arrancou com apresentação do programa, tendo sido, logo de seguida, complementado com exibição de canto e dança por grupos artísticos. São os casos de Tsakane, Paz e Progresso, Tufu, Xigubo de Matutuine e Continuadores.

E assim foi, entre vários cânticos Filipe Nyusi subiu ao palco para se dirigir aos “camaradas” presentes na Matola e espalhados em todo o país. No seu discurso de abertura, o presidente da Frelimo garantiu aos militantes do batuque e da maçaroca que, no percurso deste 11º Congresso o partido foi leal ao princípio de auscultar as bases para a tomada de decisões que reflectem preocupações do povo moçambicano, o patrão. De seguida, Nyusi explicou por que a Frelimo escolheu o lema “Unidade, Paz e Desenvolvimento” para este evento. “A escolha do lema para este congresso foi apurada e criteriosa porque sintetiza os nossos principais desafios. A unidade foi a arma que permitiu juntar forças de todos os nacionalistas para a independência do país; a paz continua a ser a prioridade para que se possa superar diferenças; o desenvolvimento é o fim último dos moçambicanos e esses imperativos são três pilares para construção de um Moçambique melhor”, disse o presidente.

Não obstante, Nyusi penetrou cada vez mais nas questões do país, lembrando aos “camaradas” que não existe fronteira que separa a política da ética. “Temos uma estória que se confunde com a libertação e nascimento da nação moçambicana. A nossa legitimidade deve continuar assente num trabalho profundo com as massas. Não devemos deixar que o espírito de vigilância esmoreça”. E o presidente da Frelimo acrescentou: “a diversidade de opinião não é sinal de fraqueza, é de tolerância. Na nossa tradição os congressos são momentos de balanço do que foi feito no passado, com vista a perspectivar o presente e o futuro”.

De acordo com Filipe Nyusi, a unidade, a paz e o desenvolvimento são questões que merecem muito cuidado, o que legitima a busca de inspiração no passado, pois a vitória prepara-se e organiza-se. “Não esperem vitória sem empenho e espírito de sacrifício dos dirigentes”, lembrou, apontando como um grande desafio a consolidação da democracia multipartidária no país, o que significa competir pelo poder sem represálias a ninguém. O que se tem a fazer, na percepção de Filipe Nyusi, é mostrar ao povo que “somos a melhor garantia dos seus interesses. Esta deve ser a discussão do dia no nosso seio, enfrentar a disputa política numa sociedade aberta”.

Ora, Nyusi lembrou aos “camaradas” que há princípios que são sagrados, que não devem mudar, como a defesa dos interesses nacionais do que dos individuais, servir o povo e paz, sendo-se capaz de vencer a batalha contra a corrupção. Depois, avançou para outro assunto: “se formos capazes de calar as armas, temos de combater o crime organizado e garantir um país feito de moçambicanos para moçambicanos. Vamos trabalhar para atrair investimento, colocar a agricultura no auge, sem serviços públicos que incentivam troca de favores e jogo de influência; queremos cesso à energia e às tecnologias para os cidadãos; queremos uma circulação de bens e pessoas e, sobretudo, de ideias, dotando os jovens de ferramentas para que possam ser patriotas e cidadãos do seu tempo”.

Na abertura do XI Congresso, Filipe Nyusi disse que o país está no processo de alcançar a independência económica, o que não se trata de fazer mais, mas de fazer de outra maneira. “Queremos construir uma economia diversa e diversificada para garantir uma riqueza duradoura, um país mais autossuficiente. Não queremos ser parte de uma sociedade em que os mais ricos sufoquem os mais pobres; queremos bem-estar e que os moçambicanos, com trabalho e empenho, se beneficiem das riquezas. Para que tal aconteça, temos de ter visão a longo prazo, não apenas com soluções pontuais, precisamos de cultura de antecipação. A governação da Frelimo não deve consistir em resolver problemas, mas em evitar que os problemas aconteçam”, afirmou.
Para Moçambique estar a frente do tempo, segundo Filipe Nyusi, há que incutir na juventude procedimentos técnicos e científicos, o que passa necessariamente pela educação. “Não seremos donos do nosso tempo se não investirmos na pesquisa. Precisamos de incentivar instituições do ensino médio. Para estarmos em frente do tempo precisamos de economia dinâmica, estimular o sector privado, classe empresarial nacional, promover acesso ao financiamento e reduzir entraves burocráticos. As instituições do Estado não devem ser vistas como travão, mas devem dar exemplos de governação de forma eficaz e inclusiva”.

Quanto à descentralização, Nyusi foi categórico, convidando os frelimistas a terem orgulho desse exemplo de democracia porque o partido foi pioneiro do processo, já no período colonial, com grupos dinamizadores e, mais tarde, com assembleias do povo espalhados pelo país. Logo, Nyusi quer que a experiência de gestão participativa seja enriquecida, sem conflito entre descentralização e preservação da maior conquista dos moçambicanos, a unidade nacional. “Devemos estar preparados para operar mudanças e continuar a assumir liderança no processo da descentralização do país”.  

Por fim, o presidente da Frelimo lembrou a necessidade do partido desenvolver acções que disciplinem seus membros, para que estejam a altura dos grandes desafios. “O debate de ideias, por mais diferentes que sejam, devem continuar a ser promovidos, consciente que o país está a viver numa sociedade mais aberta”.

O XI Congresso da Frelimo, que hoje iniciou e que termina no dia 1 de Outubro, servirá, igualmente, para o partido definir bases para eleições de 2018 e 2019.
 

 

 

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