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Nyusi fala de transporte no primeiro dia de visita a Maputo

É no Zimpeto onde começa a visita de Filipe Nyusi à capital. As sirenes dos batedores anunciam a chegada do Chefe de Estado, que vai ter uma recepção calorosa” da multidão que o esperava e dos grupos culturais. A recepção foi tão calorosa que Nyusi teve que improvisar um breve discurso para agradecer o gesto.

As actividades da visita, esta quarta-feira, iniciaram com a inauguração do armazém municipal de medicamentos, artigos médicos e vacinas, construído nas imediações do Estádio Nacional do Zimpeto. Depois da curta cerimónia, o Presidente da República e a comitiva seguiram para o bairro George Dimitrov, mais conhecido por Benfica, para dirigir a sessão extraordinária do governo da cidade de Maputo alargada a outros quadros. Aliás, na sala de conferências do Centro Regional de Desenvolvimento Sanitário de Maputo estavam membros do governo central, dirigentes do município e quadros do partido Frelimo.

Na apresentação do relatório de 2017, a governadora da cidade de Maputo disse que a produção global da capital no ano passado foi de 71 mil milhões de meticais, uma realização de 187 por cento do planificado. “Aqui alargamos as amostras para a produção global, por isso registamos um crescimento da produção global em 40 por cento em relação ao ano de 2016”, disse Iolanda Cintura, acrescentando que o maior contributo para a economia da capital veio do sector do turismo (alojamento e restauração), com 31 por cento.

Filipe Nyusi reagiu com satisfação ao desempenho do governo, mas nem por isso deixou de lançar algumas perguntas. Desde logo a questão de transporte de passageiros. As respostas vieram do conselho municipal. O vereador de Transportes começou por dizer que em 2010, havia 600 mil passageiros por transportar diariamente, mas a transportadora pública só conseguia satisfazer 10 por cento da procura. O sector informal, vulgo “chapas”, garantia mais de 75 por cento dos passageiros que entravam e saíam da cidade de Maputo. “Hoje estamos com uma taxa acima de 80 por cento, resultado do reforço da restruturação do sector”, disse João Matlombe.

Se em 2014 só existia uma empresa de transporte de passageiros, hoje o município contabiliza cinco, sendo quatro cooperativas e uma municipal. “Uma das cooperativas de transportes tem mais autocarros do que a empresa municipal. Para nós isso é um dado muito importante, pois conseguimos transformar o sector informar em formal, prestando um serviço de qualidade”. O vereador de Transportes vinha tão bem até quando disse que a meta do município é assegurar em 10 por cento a disponibilidade de transporte, incluindo nas horas de ponta. “O que é 100 por cento?” questionou Filipe Nyusi. “Significa termos disponibilidade acima da procura”, respondeu Matlombe. E o Presidente voltou à carga: “É possível ter a disponibilidade acima da procura até ao fim do ano?” Vereador de Transportes: “É possível sim, senhor Presidente. Em março lançamos o concurso público para a concessão de rotas. Além dos 300 autocarros que estão a ser distribuídos, uma cooperativa está a negociar com a banca o financiamento para a compra de 70 autocarros”. A explicação não convenceu Filipe Nyusi, que fez questão de contar o que vê logo pelas primeiras horas do dia: “Há dias em que saio de casa muito cedo, às 07H00, por exemplo, cruzou com muitas carrinhas caixa aberta a transportar munícipes. Agora quando diz que até ao fim do ano vamos ter disponibilidade acima da procura. Não estou contra com as carrinhas de caixa aberta, até porque elas ajudam a resolver o problema. Se houver espaço seria interessante incluir a eles nas cooperativas de transportes. O meu medo é assumirmos compromissos. No ano passado alguém sugeriu-me para pararmos com a importação de frango, sob a alegação que Moçambique já produzia o suficiente. Mas eu disse que não estava seguro. E no fim do ano não tínhamos produzido suficiente para satisfazer a procura”, explicou o Presidente da República.

Sobre o armazém de medicamentos

Foram 71 milhões de meticais que o município de Maputo investiu para construir o armazém de medicamentos que vai abastecer a rede primária da saúde na capital. Na descrição da obra, o edil de Maputo disse que estava previsto um sistema de segurança para prevenir o roubo de medicamentos. Aliás, o Presidente da República alertou as autoridades da Saúde para a necessidade de melhorarem a gestão e controlo de medicamentos. Com 1.100 mil habitantes, a cidade de Maputo tem 35 unidades sanitárias, das quais 28 oferecem cuidados primários.

 

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