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Nyusi avisa que raptos podem motivar “dança de cadeiras” nos comandos provinciais

Foto: GPR

O Presidente da República convida os comandantes que não conseguem combater os raptos a colocarem o lugar à disposição, porque a confiança que garantiu ao posto já não existe. Filipe Nyusi diz que não há justificação plausível para a ocorrência de raptos nas proximidades das esquadras.

Filipe Nyusi falava na cerimónia de abertura do trigésimo primeiro Conselho Coordenador do Ministério do Interior, que decorre num contexto tomado pelo terrorismo e raptos, crimes que, aparentemente, se sofisticam cada vez mais no país. É por isso que o lema deste ano é “Determinados na prevenção e combate ao terrorismo, crime organizado e corrupção”.

O Comandante-Chefe das Forças de Defesa e Segurança exige soluções e sugere caminhos, a começar pela escolha dos agentes.

“Se não escolhem bem aquele que vai emitir o bilhete, vai emiti-lo para uma pessoa que não é moçambicana ou para um criminoso, com nome diferente. Se não escolhem bem, a migração será a porta de entrada de criminosos, incluindo terroristas”, declarou Filipe Nyusi.

O Presidente da República diz que agora o risco é mais iminente e criticou o facto de os jovens correrem para as fileiras da PRM com o “combustível” errado, desemprego, no lugar do patriotismo.

“A Polícia não pode ser a casa de quem não tem emprego, deve ser espaço de quem melhor pode garantir a lei e ordem, deve ser a casa de quem ama o seu povo, de quem ama Moçambique. Se alguém ama o povo, nunca vai violar uma rapariga (fazendo referência ao caso de violação ocorrido em Inhambane, em que agentes da Polícia teriam violado sexualmente uma rapariga de 21 anos)”.

No seu discurso de abertura do Conselho Coordenador do Ministério do Interior, o Comandante-Chefe das Forças de Defesa e Segurança reforçou a ideia de que os raptores saem da Polícia e sugere que poderá haver dança de cadeiras nos comandos províncias.

“Não posso aceitar que um chefe da esquadra permita que desse local saiam raptores. A responsabilidade é deste comandante, porque se o comandante não conhece a vida do seu guarda, do seu sargento, deve colocar o lugar à disposição. Nós nomeamos por confiança, mas, se estão a comandar raptores, a confiança desaparece”, avançou Filipe Nyusi.

O Chefe do Executivo critica a Polícia, mas também a defende. O Presidente fala de uma corporação que é vítima de ataques não armados vindos de pessoas subversivas.

“As forças que estão contra usam todas as formas para vos dividir, procuram, a todo custo, desacreditar-vos, através de diferentes campanhas para vos fragilizar. Inventam coisas, às vezes por causa dos podres que estão convosco, mas, às vezes, inventam coisas sobre jovens que estão lá (em Cabo Delgado) de baixo da chuva e na trincheira. Não percam o foco, nem determinação perante os ataques não armados de que têm sido vítimas”, encerrou.

Para uma melhor forma de responder a estes ataques e garantir uma corporação melhor preparada para os desafios do dia, Filipe Nyusi diz ser preponderante “uma aliança mais forte com as instituições do judiciário”.

O foco deve centrar-se também no controlo dos refugiados que chegam a Moçambique à busca de abrigos, saindo de territórios aparentemente sem conflito. Caso não haja controlo, a porta estará aberta para a entrada de criminosos.

“Na procura de acolhimento, aqueles que requerem refúgio, devemos ser atenciosos para não abrigarmos criminosos. Alguns refugiados vêm de países onde não há problemas, estão bem lá. Estão a fugir o quê?”, questionou o dirigente.

A lista de instruções do Presidente da República apresentada na sessão de abertura do Conselho Coordenador foi recebida de braços abertos pelo pelouro que, através da sua titular, Arsénia Massingue, disse estar “pronto para responder os desafios”.

O Conselho Coordenador do Ministério do Interior termina no dia 19.

“COMBATE AOS RAPTOS DEVE COMEÇAR DENTRO DA POLÍCIA”

Filipe Nyusi colocou o dedo na ferida em relação aos raptos que voltam a assombrar o país, dando tónica ao facto de haver agentes da corporação envolvidos na prática deste crime. Diz que o seu combate deve começar justamente dentro da Polícia

Além de dirigir a abertura do Conselho Coordenador do Ministério do Interior, Filipe Nyusi esteve, hoje, no Quartel-General, na Cidade de Maputo, para conferir posse a vários membros das Forças de Defesa e Segurança.

O destaque vai para Fernando Tsucana, que assume a pasta de vice-comandante da Polícia da República de Moçambique (PRM), depois de ter sido nomeado ao cargo na terça-feira.

É quem um dia foi responsável pela formação dos agentes da corporação, na Academia de Ciências Policiais (onde era vice-reitor) e hoje deverá levar a ciência à prática, coadjuvando Bernardino Rafael no comando das operações da PRM. E em que contexto? Os raptos voltaram a assombrar o país, e acontecem nas proximidades das esquadras, com destaque para dois ocorridos semana finda. Pior, o Serviço Nacional de Investigação Criminal já veio a público anunciar que há agentes da Polícia que estão envolvidos nos raptos.

“Preocupe-se com os problemas da instituição. Empenhe-se contra os casos de raptos. Este combate deve iniciar dentro da vossa corporação, isto é, a Polícia da República de Moçambique”, diz o Estadista moçambicano.

Na ocasião, assumiu, igualmente, novas pastas Eugénio Roque, que passa a chefe da Casa Militar, entidade que cuida, entre várias responsabilidades, da segurança da Presidência da República e assiste o Estadista moçambicano em matérias de defesa e segurança. Roque, que era chefe do Estado-Maior da Casa Militar, substitui no novo cargo Tiago Nampele, que foi tirado para ser comandante do Exército. O terrorismo não ficou de lado nos desafios que Filipe Nyusi deixa aos novos titulares.

“O Comandante do Exército deve aprimorar a máxima coordenação das FADM (Forças Armadas de Defesa de Moçambique) e outras forças amigas no Teatro Operacional Norte”, disse, para depois acrescentar que as Forças de Defesa e Segurança devem ter sempre em conta o respeito pelos direitos humanos.

As mexidas nas Forças de Defesa e Segurança abrangeram também Ezequiel Muianga, major que agora vai comandar o Serviço Cívico de Moçambique.

“No processo das tarefas que estão a exercer, devem ser exploradas novas valências, sobretudo quando estamos em tempos de batalhas. Cada um de vós está ciente de que o terrorismo é uma das ameaças mais visíveis à integridade territorial e a soberania nacional, pelo que o seu combate e eventual erradicação deve constituir a vossa prioridade, sem prejuízo do estudo continuado das outras formas e tipos de ameaça, incluindo as medidas para o seu combate”.

No local da cerimónia de tomada de posse, Quartel-General, na Cidade de Maputo, houve ainda patenteamentos a vários quadros das Forças Armadas de Defesa de Moçambique.

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