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Nyusi atiça debate sobre descentralização e diz que pessoas não devem ter medo de reflectir

O Presidente da República diz que as pessoas têm medo de reflectir e explica que reflexão não significa comando. O Chefe de Estado falava após convidar o Município da Matola a reflectir sobre as dimensões da sua área administrativa.

Uma vez mais, Filipe Nyusi volta a apelar para reflexão, agora sobre as dimensões do Município da Matola. O seu pedido surge cerca de duas semanas depois de ter apelado para reflexão sobre a viabilidade de eleições distritais em 2014, o que veio a levantar debate e até objecção por parte de partidos políticos da oposição.

“As pessoas têm medo quando a gente diz ‘reflictam’. Reflectir é dar oportunidade para pensar. Não é comando nenhum. Reflictam. Reflectir é pensar e ninguém deve ficar sem pensar. Quando se começa a ficar sem pensar significa que tudo acabou”, explica o Presidente da República, para quem agora é momento de pensar nas dimensões do Município da Matola. A autarquia tem uma área de 375 km2 e figura-se como uma das cidades mais populosas do país. O Município tem como limites os distritos de Moamba, Marracuene, Cidade de Maputo e Boane. A sua população é estimada em cerca de 1.600 mil habitantes, distribuída em 42 bairros.

“Por causa das dimensões desta autarquia, reflictam com serenidade sobre as desvantagens e vantagens de um possível redimensionamento desta autarquia.”

Filipe Nyusi falava na cerimónia de inauguração da nova sede do Conselho Municipal da Cidade da Matola, onde fez críticas às instituições públicas sobre o atendimento ao utente. Falando na inauguração da nova sede da autarquia da Matola, o Presidente da República diz que a cultura de “volte amanhã” deve acabar.

“Já não fará sentido que os munícipes continuem a ouvir as célebres frases ‘volta amanhã’ ou ‘o problema é com o chefe e ele não está aqui’. Acabem com isso. Isso nem é moderno”, diz Filipe Nyusi, que detalhou mesmo ser lamentável que servidores públicos deixem de atender pessoas porque estão entretidos nas redes sociais.

A gestão do lixo e as construções em locais impróprios foram outras críticas deixadas por Filipe Nyusi. O Estadista diz que “há necessidade de melhoria da gestão de resíduos sólidos e ambiente”, porque esse é um tema fundamental e que as salas existentes na nova sede municipal devem servir para pensar em soluções aos problemas de gestão do lixo.

Na sua intervenção, o Estadista disse também que as autarquias devem acompanhar o desenvolvimento com serviços de transporte de qualidade e vias de acesso também boas e duradouras.

“Urge melhorar o serviço de transporte público dos passageiros. Não basta que haja construção de novas estradas”, as infra-estruturas devem ter qualidade e a devida manutenção.

Nyusi diz, também, não fazer sentido que haja construções em locais impróprios, havendo autoridades que atribuem o título de Direito de Uso e Aproveitamento da Terra. Diz mesmo que as edilidades não devem ser entidades envolvidas em gestão de conflitos por terra, cuja atribuição é feita mesmo por elas.

Já o edil da Matola explica que o edifício ora inaugurado vai também servir para ampliar a base de receitas do Município.

“O edifício, erguido em nove pisos, incluindo o rés-do-chão, contempla dois blocos, o bloco A e o bloco B, e dispõe de alguns espaços para arrendamento, como forma de garantir a sustentabilidade futura da infra-estrutura”, diz Calisto, explicando que a edilidade já está a receber manifestação de interesse do empresariado, havendo já um banco que arrendou espaço no edifício.

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