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Nwankakana: o mercado da discórdia

O mercado Nwankakana, hoje fonte de conflito entre os vendedores, o Conselho Municipal e a Maputo Sul, foi o primeiro “dumba-nengue” da capital do país e também pioneiro nas confrontações entre vendedores e polícia no pós independência.

O mercado informal de Nwankakana existe desde os finais da década setenta e primórdios da década oitenta e foi sempre palco de polémicas.

Nwankakana terá muito provavelmente sido criado como dumba-nengue pelos estivadores do porto de Maputo e alguns residentes da zona que tinham necessidade de forma anonima vender os produtos maioritariamente roubados no porto de Maputo ou das carruagens de comboios de e para terminal dos CFM sem atrair os grupos de vigilância para as suas casas, o que podia resultar em prisão sob acusação de praticar candonga.

Foi palco dos primeiros confrontos entre a polícia e os vendedores, numa altura em que ninguém sonhava com a ponte       Maputo/catembe. As autoridades, porém, pretendiam desencorajar o roubo de mercadorias no porto e eliminar a candonga. Foi aliás a partir desses confrontos que surgiu o nome “dumba-nengue” porque aqui era necessário confiar, de facto, nas pernas para fugir das investidas da polícia, muitas vezes apoiada por cães. Inspirou vários outros “dumba-nengues” em Maputo, que passaram de proibidos para fundamentais no comércio informal da capital. Tais são os casos de Xiquelene, Estrela Vermelha e outros. Teve réplicas com o nome de chungamoyo”, na zona centro do pais, e apôs várias confrontações com a polícia e com o advento da  economia do mercado,  o executivo da cidade de Maputo  decidiu assinar uma trégua tácita com os vendedores e passou a ir a Nwankakana apenas para cobrar taxas. E porque mudam-se os tempos e mudam-se as vontades, cerca de trinta anos depois o Conselho Municipal volta a Nwankakana, desta vez para em nome da ponte Maputo Katembe transferir os vendedores para outro local.

Habituados a confrontos e não habituados a perder, os vendedores fazem agora contas dos seus cerca de 40 anos de trabalho no local e juram de pés juntos que de la só saem com dinheiro na mão e diga de passagem muito dinheiro. Resumindo há um projeto de mais 700 milhões de dólares que pode ficar refém de um “dumba-nengue”.

                   

 

 

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