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“Nunca me associei a ninguém para cometer crime”, diz Gregório Leão

Foto: O País

Para afastar as acusações que pesam sobre si no “caso dívidas ocultas”, o réu Gregório Leão respondeu, esta sexta-feira, às perguntas dos advogados de defesa.

De acordo com o Ministério Público, um dos crimes de que o antigo director-geral do SISE é acusado é associação para delinquir.

Ao Tribunal, o esposo da co-ré Ângela Leão disse que nunca se juntou a outras pessoas para cometer crimes. Para além dos colegas do Serviço de Informação e Segurança do Estado (SISE), diz ter conhecido a maioria dos co-réus na cadeia.

“A única pessoa que esteve comigo a trabalhar é António Carlos do Rosário, antigo director de Inteligência Económica no SISE. A maioria dos co-réus conheci na cadeia”, referiu.

À pergunta sobre se foi feito algum pedido pela co-ré Maria Inês Moiane para que aprovasse o Sistema Integrado de Monitoria e Protecção da Zona Económica Exclusiva de Moçambique no Oceano Índico (SIMPZEEMOI) respondeu negativamente.

A uma outra pergunta, o réu disse que não recorda se recebeu ou não a proposta da criação do SIMPZEEMOI, vinda do Ministério da Defesa.

O ex-director do SISE explicou também ao Tribunal que o co-réu Armando Ndambi Guebuza, filho do então Presidente da República, nunca teve papel preponderante para a tomada da decisão no projecto, porque não era membro do Comando Conjunto das Forças de Defesa e Segurança e nunca foi convidado. Segundo Gregório Leão, ninguém exercia pressão para a tomada de decisões e não tem conhecimento de que o co-réu Ndambi terá recebido algum documento dirigido ao Comandante-Chefe.

Perguntado quem tomou a iniciativa para a concepção do projecto da Zona Económica Exclusiva, o réu respondeu que é o Comando Operativo das Forças de Defesa e Segurança. Depois da discussão, submeteram a apreciação ao Comando Conjunto e não houve qualquer tipo de influência e pressão interna ou externa.

Gregório não recorda se o custo inicial do projecto era 372 milhões de dólares. Quem pode explicar com precisão, segundo o réu, é António Carlos do Rosário, e que os equipamentos do projecto foram pagos e entregues pelo Grupo Previnvest como fornecedor.

Relativamente à intervenção de Teófilo Nhangumele no projecto da Zona Económica Exclusiva, Leão reiterou que este esteve por duas vezes no Comando Conjunto e avaliou positivamente a sua apresentação. O réu explicou, ainda, que o que ditou o afastamento do réu Teófilo é o facto de não ser membro das Forças de Defesa e Segurança.

Questionado se, à altura dos factos, o seu colega Cipriano Mutota era uma pessoa com capacidade e poder para influenciar o Comandante-Chefe para que este projecto fosse aprovado respondeu positivamente. Para Gregório, o co-réu Mutota é uma pessoa com experiência e inteligência.

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