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Nós matamos o cão-tinhoso e Terra sonâmbula: dois livros de leitura obrigatória para admissão à Universidade de São Paulo

Os livros de Luís Bernardo Honwana, Nós matamos o cão-tinhoso, e de Mia Couto, Terra sonâmbula, constam nas listas da Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest) na qualidade de leitura obrigatória para os alunos que almejam admitir à Universidade de São Paulo, no Brasil.

 

Os alunos que desejam concorrer ao exame de admissão da Universidade de São Paulo (USP -Brasil), entre 2024 e 2026, terão de ler Nós matamos o cão-tinhoso, de Luís Bernardo Honwana. A decisão é da Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest) e tem como objectivo dar melhores condições a professores e estudantes na organização do calendário escolar.

Assim, a obra de Luís Bernardo Honwana, publicada em 1964, será um dos objectos de avaliação nos exames de admissão a uma das maiores universidades (USP) da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), durante três anos.

A inclusão de Nós matamos o cão-tinhoso na lista de obras de leitura obrigatória para o ingresso à Universidade de São Paulo acontece quatro anos depois de o livro ter sido lançado no Brasil pela Kapulana. À novidade anunciada pela Fundação Universitária para o Vestibular, a fundadora da editora, Rosana Morais Weg, reagiu nos seguintes termos, esta terça-feira: “A Kapulana se orgulha de editar no Brasil obra tão importante para a formação de nossos estudantes. É uma leitura cada dia mais necessária para que esteja sempre vivo o debate sobre racismo, discriminação, autoritarismo e opressão, práticas a serem permanentemente combatidas”.

Além de Nós matamos o cão-tinhoso, consta na lista dos livros de leitura obrigatória da Fundação Universitária para o Vestibular (2022 e 2023) o romance Terra sonâmbula, de Mia Couto. Para o professor de literatura e Presidente do Fundo Bibliográfico de Língua Portuguesa, Nataniel Ngomane, a notícia que chega do Brasil deve, por isso, inspirar Moçambique.

Nataniel Ngomane doutorou-se em Letras – área de Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa, pela Universidade de São Paulo. Conhece tanto a realidade literária moçambicana bem como a brasileira. Inclusive, é um dos académicos moçambicanos que se especializou na ficção de Mia Couto. Também por isso, sugere: “Temos de olhar para o Brasil como exemplo. Lembro-me que, há alguns anos, tínhamos no ensino secundário moçambicano textos de conhecimento obrigatório. Agora, parece-me que já não existem. Seria interessante que definíssemos livros que os nossos alunos, que querem ir à universidade, devem conhecer. Por exemplo, além de Terra sonâmbula, de Mia Couto, a obra de Craveirinha, Knopfli, Noémia de Sousa, Aníbal Aleluia, Carneiro Gonçalves, Ungulani ba ka Khosa, Armando Artur e João Paulo Borges Coelho. Estes autores dão-nos livros teoricamente bem elaborados”.

Além disso, primeiro, Nataniel Ngomane entende que a partir da leitura dos livros dos autores acima citados, qualquer estudante fica esclarecido sobre o conhecimento da língua portuguesa e da cultura moçambicana. Segundo, porque um ensino eficiente não se deve trancar à sua literatura, Nataniel Ngomane também defendeu a inclusão de autores de língua portuguesa na lista dos livros de leitura obrigatória em Moçambique.

 

Outros livros na lista da Fuvest

Na lista da Fundação Universitária para o Vestibular da Universidade de São Paulo, agora em vigor até 2023, consta Terra sonâmbula ao lado de obras literárias como: Quincas Borba, de Machado de Assis; Alguma poesia, de Carlos Drummond de Andrade; Angústia, Graciliano Ramos; Mensagem, de Fernando Pessoa; e Romanceiro da inconfidência, de Cecília Meireles.

Quanto a Nós matamos o cão-tinhoso, aparece na mesma lista que a obra Marília de Dirceu, de Tomás António Gonzaga; Dois irmãos, de Milton Hatoum (2024); A ilustre casa de Ramires, de Eça de Queirós; Água funda, de Ruth Guimarães (2025); ou Amar, verbo intransitivo, de Mário de Andrade; e Primeiros cantos, de Gonçalves Dias (2026).

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