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“Nós estamos a desconseguir Moçambique”, diz Severino Ngoenha

Foto: O País

A sociedade moçambicana está cada vez mais fragmentada, por isso é urgente resgatar os valores morais. Quem o diz são os académicos Severino Ngoenha e Brazão Mazula, que falavam, nesta terça-feira, no lançamento de um programa denominado “Coesão Social para a Zona Norte do País”.

O filósofo Severino Ngoenha começou por invocar o racismo e as diferenças tribais como alguns dos problemas que criam divisão nas sociedades africanas, em particular em Moçambique.

No seu entender, nas últimas décadas, a sociedade moçambicana foi perdendo os seus valores morais, como virtudes de comunhão entre os cidadãos.

“Em 1974, Samora Machel usou o termo desconseguir. Na realidade, de lá para cá, fomos perdendo a paz, o sentido de comunidade e o socialismo (…). Estamos a desconseguir Moçambique”, expressou-se Severino Ngoenha.

“Uma sociedade para ser coesa, precisa de ter um certo de número de valores comuns partilhados. Se isso não acontece, ela entra em fragmentação e em conflito”, sublinhou o filósofo.

Assim, Severino Ngoenha aponta, como o primeiro passo para o resgate do consenso social, a reconquista dos valores de moçambicanidade, ou seja, da identidade nacional.

Severino Ngoenha foi mais astuto, ao afirmar que o conceito devia ser sobre coesão social no norte do país como Moçambique, em vez de apenas se referir a uma zona específica.

“Para isso, gostaria de trazer um apelo para rebuscar uma virtude que também foi perdida. Refiro-me à tolerância. Nós deixámos de ser tolerantes, tanto a nível social, religioso, como regional. Outra questão, nós precisamos de uma coesão material”, disse o académico.

Para Brazão Mazula, professor e antigo reitor da Universidade Eduardo Mondlane, é urgente resgatar esses valores morais e deve-se o fazer pensando nas gerações vindouras.

“Esta é uma oportunidade para reflectir sobre os problemas que ferem a nossa sociedade. Parece-me que as pessoas com o poder de criar leis, elas criam-nas para satisfazer as formações políticas que representam”, referiu Brazão Mazula.

No fundo, Brazão Mazula focou-se na necessidade de uma ordenação dos três poderes essenciais, nomeadamente o executivo, judicial e legislativo.

“Não haverá coesão social se não houver justiça, muito menos se não houver um poder executivo correcto”, disse o professor Brazão Mazula.

Na ocasião, Zauria Amisse, representante da ministra da Administração Estatal e Função Pública, disse que é oportuno reflectir e buscar soluções com vista a salvaguardar os valores sociais.

“É nossa expectativa que o engajamento de diferentes forças da sociedade face a várias adversidades que apoquentam o nosso país, em particular a zona norte, contribuam para a coesão da sociedade”, afirmou Zauria Amisse.

O programa de coesão social no norte de Moçambique é da iniciativa de três organizações da sociedade civil, e o propósito é desenvolver pesquisas sociais, envolver as comunidades e aproximá-las às instituições locais.

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