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Nobel da Paz Muhammad Yunus diz que pandemia revelou a divisão do mundo

O economista bengali Muhammad Yunus e prémio Nobel da Paz em 2006 entende que há falta de “uma frente comum” para enfrentar a pandemia do novo Coronavírus, que está a mostrar a divisão da humanidade, com “todos a tentar proteger-se a si próprios”.

“Infelizmente, hoje estamos mais divididos. Já não somos mais uma comunidade global e o Coronavírus tornou isso claro. É um inimigo comum, que ataca todo o mundo, mas não temos uma frente comum para fazer face à pandemia”, afirmou Muhammad Yunus.

Em entrevista à Lusa, a propósito do Dia Internacional Nelson Mandela, assinalado sábado, o prémio Nobel da Paz disse que “todos estão a tentar proteger-se a si próprios. O que acontece com os outros não é da sua conta, o que contrasta com o que pessoas como o [Nelson] Mandela faria, que mobilizava todos para a luta”.

Para Muhammad Yunus a importância da lição de Nelson Mandela está no facto de ter feito “coisas impopulares e que ninguém esperava”, mas que chamava todos para a luta dos problemas do mundo.

Alguns países como os Estados Unidos da América – que cortaram financiamento à Organização Mundial de Saúde (OMS) e anunciaram saída da organização – “optaram por atacar” a OMS, “um organismo que deve representar todo o mundo numa pandemia” como o novo Coronavírus.

Sobre a procura da vacina contra o vírus que tem estado a colocar o mundo de rastos, desde Dezembro do ano passado, Muhammad Yunus considerou que, “novamente, o que vemos é os líderes, como os Estados Unidos e outros países na Europa, a tentarem garantir o máximo de vacinas”.
Contudo, Muhammad Yunus não acredita que quando essa vacina ou novos tratamentos forem descobertos estarão disponíveis de igual forma para ricos e pobres.
“Não vejo nenhum sinal disso. O que vejo é os países ricos a tentarem assegurar as vacinas para si. Quando os países pobres precisarem não vão ter, porque as companhias estão a produzir para os países ricos”, declarou o economista bengali e prémio Nobel da Paz em 2006, de acordo com a Lusa.

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