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Niketche é livro de leitura obrigatória para admissão à Universidade de Campinas

A obra de Paulina Chiziane, Niketche, integra uma lista de 10 livros, identificados como de leitura obrigatória, para admissão à Universidade de Campinas (Unicamp), no Brasil.

A Comissão Permanente para os Vestibulares da Universidade de Campinas (Comvest), no Brasil, escolheu Niketche, de Paulina Chiziane, como livro de leitura obrigatória (2022 e 2023) para o ingresso àquela instituição de ensino.

Na lista de leituras obrigatórias anunciadas pela Unicamp, Niketche aparece com mais nove livros, entre os quais Tarde, de Olavo Bilac; O marinheiro, de Fernando Pessoa; Bons dias, de Machado de Assis; Carta de Achamento a el-rei D. Manuel, de Pedro Vaz de Caminha; ou A falência, de Júlia Lopes de Almeida.

De acordo com a Unicamp, “as 10 obras da lista foram escolhidas a partir de critérios como a representatividade dessas manifestações literárias nas tradições culturais de língua portuguesa, o padrão de elaboração estética e a presença de núcleos temáticos adequados à formação pedagógica do aluno no ensino médio”.

Reagindo à notícia, Cremildo Bahule, autor do livro Literatura feminina, literatura de purificação:o processo de ascese da mulher na trilogia de Paulina Chiziane, afirmou, este sábado, que o reconhecimento à obra da escritora tem a vantagem de pôr a sua escrita no circuito académico brasileiro.

Já a pesquisadora brasileira Rita Chaves, que se especializou em literatura moçambicana, lembra: “Paulina Chiziane vai muito ao Brasil e tem um conjunto de leitores sólido. Paulina e Mia Couto, juntamente com Pepetela, são os escritores que mais motivam dissertações de mestrado e teses de doutorado no Brasil, nos últimos anos. Isso não é pouca coisa. O Brasil é um país enorme e com muitos cursos de letras e áreas afins”.

Vanessa Riambau Pinheiro, igualmente, pesquisadora brasileira que se dedica à literatura moçambicana, convidada a falar sobre a primeira escritora africana laureada com o Prémio Camões, afirmou: “No Brasil, o nome de Paulina Chiziane é incontornável, quando se fala em autoria feminina em África”. E, como que a reforçar a constatação de Rita Chaves, Vanessa Riambau Pinheiro sublinhou: “Existem centenas de pesquisas realizadas, feitas por estudantes de universidades brasileiras sobre a obra de Paulina. Existem pelo menos três editoras brasileiras que já publicaram as obras de Paulina Chiziane”.

Para Vanessa Riambau Pinheiro, Paulina Chiziane consegue, nas suas obras, convidar a uma reflexão sobre condições sociais, opressões, colonialismos, sem deslegitimar as práticas culturais moçambicanas. “Pelo contrário, a sua obra configura-se como uma grande declaração de amor ao país e aos moçambicanos”. Por isso mesmo, Vanessa Riambau Pinheiro questiona: “Será que Moçambique já consegue mensurar a importância de Paulina Chiziane?”.

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