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Não é primeira vez que “Nhancale” derrama sangue nas estradas

Apesar de ser o acidente mais mortal dos últimos tempos, a transportadora Nhancale não foi a única que causou tragédias. O “O País” faz o regresso ao passado e faz o retrato de acidentes mortais.

No dia 03 de Setembro de 2017, um autocarro da transportadora Nhancale capotou e pegou fogo em plena luz do dia, depois de um dos pneus ter rebentado em Quissico, distrito de Zavala, em Inhambane. As imagens chocaram o país pela forma como o sinistro ocorreu. Em resultado do acidente, 12 pessoas morreram, das quais 11 foram carbonizadas e outras 42 sobreviveram, mas com ferimentos entre graves e ligeiros.

Na altura, dada à frequência, gravidade e danos humanos e materiais causados nos sinistros envolvendo a transportadora, o então Ministério dos Transportes e Comunicações decidiu suspender a empresa por três meses.

No ano anterior, a 17 de Dezembro, a mesma transportadora estivera envolvida num outro sinistro que tirou a vida de uma pessoa e feriu outras 48 na cidade da Maxixe, em Inhambane. Depois do sinistro, o condutor pôs-se em fuga. Na ocasião, as causas apontadas pelas autoridades foram a ultrapassagem irregular e o excesso de velocidade.

No entanto, essa não é a única transportadora “problemática”. A 04 de Abril de 2016, um acidente grave voltou a chocar o país. Um autocarro da Transportadora Mazenga embateu, violentamente, contra um camião paralisado que transportava madeira. A metade do autocarro ficou decepada pelo impacto do choque e o veículo ficou irreconhecível. O sinistro ocorreu ao longo da EN1, no distrito de Vilankulo.

Entre as vítimas mortais, estavam duas mulheres grávidas, cujos fetos foram encontrados despedaçados entre os escombros. Em resultado do acidente, o motorista foi condenado a um ano de prisão e pagamento de uma indemnização de 300 mil meticais a cada uma das vítimas. Entretanto, o “O País” sabe que tais indemnizações nunca foram pagas.

Outra transportadora que tem um largo histórico de acidentes é a Nagi Investimentos. No dia 19 de Novembro de 2018, esteve envolvida num sinistro que tirou a vida de três pessoas, sendo que outras 37 contraíram ferimentos entre graves e ligeiros. As vítimas mortais foram uma mãe e seu filho de dois anos e um homem. O autocarro saía de Quelimane para Beira com 65 passageiros e capotou numa descida considerada perigosa em Gorongosa.

O ano 2020 começou com sangue na estrada em Inhambane. No dia 4 de Janeiro, uma viatura da transportadora Nagi Investimentos, que seguia o trajecto Maputo – Tete, causou dois mortos e três feridos graves. Tudo aconteceu quando o motorista da transportadora tentou fazer uma ultrapassagem na curva, mas o que não sabia é que, na faixa contrária, vinha um camião de carga. Na tentativa de esquivar o camião, o automobilista saiu da estrada e foi embater contra três coqueiros.

Recentemente, um tribunal de Nampula penhorou dois estaleiros da transportadora Nagi Investimentos, por não cumprir o pagamento de uma indemnização de sete milhões de meticais, devido a ferimentos graves causados a dois passageiros. Professora de profissão, Neusa Massapa, de 38 anos, ficou sem um dos braços quando fazia o trajecto Cabo Delgado – Nampula.

“Reclamamos da velocidade, mas o motorista do autocarro não quis ouvir. E, quando chegámos a Nampula, ele não conseguiu controlar a viatura e tombou, causando esta situação”, disse a vítima à nossa reportagem, para depois avançar que, depois do acidente, a sua vida mudou por completo.

“Tive de aprender a escrever com a mão esquerda, mas há muita coisa que deixei de fazer, porque já não tenho a mão direita”, entristeceu-se.

Esta não é a primeira vez em que o país e as autoridades param para reflectir sobre esta problemática, sem, no entanto, trazer soluções sólidas que minimizem o fenómeno. O certo é que essas tragédias causam dor, luto e cortam o futuro de milhares de famílias.

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