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Negócios em África: EUA apontam as fraquezas de Moçambique

O encarregado de negócios da embaixada dos Estados Unidos da América, em Maputo, Bryan Hunt, disse que Moçambique deve acelerar os passos de reconciliação (processo de paz Governo e Renamo) e melhorar os mecanismos de combate a corrupção, com vista a atrair mais investidores e ser mais competitivo em África.

A 12ª Cimeira de negócios EUA-África está agendada para 18 a 21 de Junho próximo, com a capital moçambicana, Maputo, como anfitriã. Para o Executivo de Filipe Nyusi, esta é uma oportunidade para colocar o país no mapa dos maiores destinos de investimentos norte-americanos no continente africano.

Porém, há alguns pontos que minam o ambiente do negócio, que devem ser ultrapassados: Competitividade, corrupção e segurança nacional, segundo o encarregado de negócios da embaixada dos Estados Unidos da América, em Maputo, Bryan Hunt.

“Moçambique não é o maior mercado de África, não é o mais populoso, nem é o que tem o crescimento mais acelerado. Portanto, tem que estar entre os mais competitivos, para poder ter sucesso na transformação do potencial que a cimeira oferece em resultados tangíveis para os povos moçambicano e americano”, disse.

Por isso, de acordo com Hunt, o Governo moçambicano e o sector privado devem iniciar reformas suficientes ao longo dos próximos seis meses para se posicionarem como destino de investimento competitivo e emergente antes da cimeira de Junho.

Sobre a segurança nacional, o encarregado de negócios norte-americano, reconheceu que o progresso que Moçambique tem alcançado na cessação do longo conflito entre o Governo e a Renamo é “impressionante”, mais os investidores americanos querem mais.

“Para convencer os investidores sobre esse progresso é necessário mais do que os entendimentos alcançados até à data. Os investidores vão querer ver progressos concretos na implementação do desarmamento, desmobilização e processo de reintegração prometidos ao abrigo desses acordos, bem como garantias significativas de eleições livres e justas em 2019”, apontou.

Salientando, que “os investidores precisam de ter garantias de que existe um verdadeiro esforço nacional para abordar e travar o extremismo violento recente que interrompeu a paz no norte da província de Cabo Delgado, para estancar as influências e actividades de grupos criminosos organizados”.

Nesse desafio, os EUA e a comunidade internacional alargada, dizem estar prontos para assistir Moçambique na abordagem das questões de segurança nacional.

O mediático escândalo de corrupção também mereceu reparo por parte de Bryan Hunt. “Todos nós sabemos bem o impacto da questão das dívidas ocultas, não só sobre os indicadores macroeconómicos de Moçambique, mas também na vontade dos investidores estrangeiros arriscarem o seu dinheiro e reputação nesta economia”.

Acrescentando, que “procurar esconder ou encobrir os detalhes do escândalo não vai atenuar essas preocupações. Em vez disso, deveremos empenhar-nos na transparência e na responsabilização”.

As acções civis da Procuradoria-Geral da República através do Tribunal Administrativo são
um primeiro passo bem-vindo no sentido desta responsabilização, e os Estados Unidos esperam que quando apropriado, sejam complementadas por acções robustas nos tribunais criminais.

“E é por essa razão que apelo a Moçambique, tanto o seu sector privado deve considerar cuidadosamente os potenciais parceiros internacionais com quem escolhe fazer negócios”, concluiu o encarregado de negócios da embaixada dos EUA em Maputo.
 

 

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