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“Não usei a minha esposa como testa-de-ferro”, Gregório Leão

Foto: O País

O réu Gregório Leão recusou, esta terça-feira, durante o julgamento na Cadeia de Máxima Segurança da Machava, na Província de Maputo, que usou a esposa Ângela Leão como testa-de-ferro na recepção de valores da M-Construções.

 À acusação que diz que Gregório Leão usou a esposa, a co-ré Ângela Leão, como testa-de-ferro na recepção de fundos da empresa M-Construções, o réu disse ao tribunal que a informação não constitui a verdade. Por isso, segundo o antigo Director-Geral do SISE, o Tribunal Superior de Recurso tem de provar a acusação que considera forte e violenta. “Não conheço a M-Construções. Eu nunca trabalhei com construções”.

Não obstante a afirmação que o réu disse não constituir a verdade, as questões sobre uma eventual cumplicidade criminosa do casal Leão continuaram na sessão da tarde do 22º dia do julgamento do “caso dívidas ocultas”. Primeiro, a Procuradora Ana Sheila Marrengula perguntou se Gregório Leão conhecia o co-réu Sidónio Sitoe, pelo que respondeu afirmativamente, sublinhando que o conheceu de forma casual antes de estarem presos no Língamo, na Cidade da Matola. Tendo dito isso, o Ministério Público apresentou ao réu a imagem de uma residência de três pisos, localizada no Bairro Costa do Sol, na zona conhecida por Cândida Cossa, na Cidade de Maputo. O réu disse que conhece o imóvel, pois lá residiu por dois meses, depois de cessar as suas funções no SISE. “Eu deixei a casa do Estado e fomos arrendar um imóvel”. Segundo o réu, quem tratava das questões de renda e/ou aluguer era a esposa, e ele nem sequer procurou saber quem era o proprietário do imóvel”.

Logo que o réu terminou a sua resposta, a Procuradora Ana Sheila Marrengula disse que consta que o imóvel em casa foi comprado por Ângela Leão de Sidónio Sitoe. Gregório Leão afirmou que não tinha conhecimento de que a esposa comprou o imóvel. “Eu não me metia nos assuntos da minha esposa. Se ela comprou, não me disse e deve ter tido as suas razões. E eu compreendo porque confio nela”.

A Procuradora não ficou satisfeita com a resposta do réu e voltou a confrontá-lo, dessa vez, com mensagens enviadas por Ângela Leão a Sidónio Sitoe, nas quais afirma que o marido a teria questionado se a casa custou 900 mil dólares, já que apresentava muitos problemas. O réu manteve a sua palavra. “Eu não sabia que ela comprou a casa. Mas agora lembro-me de ter aventado a hipótese de comprarmos a casa para vivermos lá. Eu disse que não era aquilo que eu queria”.

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