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“Não há conhecimento sobre valor nutricional dos alimentos”, constatam nutricionistas

Docente e estudantes de nutrição do Instituto Superior de Ciências de Saúde entendem que grande parte dos moçambicanos consome produtos sem consciência do seu valor nutricional. Por isso, os painelistas da Mozgrow defendem a consciencialização dos agregados familiares sobre a dieta alimentar.

O que comemos, como comemos e que valor nutricional carregam os produtos que consumimos?

“A alimentação saudável está, inteiramente, ligada a alimentação equilibrada, que é aquela que reúne cada alimento do grupo alimentar”, começou por explicar, Marta Ndlalane, estudante finalista de nutrição do Instituto Superior de Ciências de Saúde (ISCISA), que de seguida mostrou um exemplo do que seria uma dieta saudável:

“No cartaz “a nossa alimentação” temos todos os produtos que compõem a alimentação saudável. Temos os alimentos de base, que são os que o organismo precisa em primeira necessidade, os construtores, usados pelo nosso organismo para a construção de tecidos, de energia concentrada que o organismo precisa, em pequenas quantidades (não devemos exegerar porque podem nos trazer problemas de saúde”, enumerou Marta Ndlalate.

À Marta Ndlalate junta-se Ágil Come, também estudante finalista de nutrição no ISCISA. “A alimentação consciente é aquela em que a escolha dos alimentos é feita com base no seu valor.. A pessoa deve saber o que comprar como é que pode processar os alimentos de modo a preservar o seu valor nutricional”, indicou Ágil Come.

É uma lógica que, para os estudantes e docente do Instituto Superior das Ciências de Saúde que debateram na plataforma MOZGROW “Alimentação Saudável e Consciente”, não é seguida pela maioria dos moçambicanos, o que se reflecte nos elevados índices de desnutrição crónica no país.

“É importante aqui resgatar, de novo, esse tema de alimentação consciente porque esta questão vai muito mais além do que o próprio consumo. Digo isso porque há uma necessidade de aceitarmos a questão da escolha. Como é que os indivíduos escolhem os alimentos para poder compor a sua alimentação. Será que esses indivíduos olham para o rótulo do alimento, olham para a questão da origem do alimento, embalagem, sustentabilidade”, apontou Janete Mabui, docente de nutrição no ISCISA, acrescentando que é preciso que tome em conta a forma como os indivíduos manipulam e conservam os alimentos de forma a preservar o seu valor nutricional.

Debater alimentação saudável e consciente implica, igualmente, desconstruir tabus sobre alguns alimentos e as frutas cujas cascas podem ser consumidas, são um exemplo disso.

“Existe certas frutas que não é possível consumir a sua casca. Há certas propriedades da fruta que estão mais concentradas na casca e que podem provocar problemas de saúde, como as toxinas que estão mais na casca que na fruta”, indicou a estudante finalista de nutrição, Marta Ndlalate.

Por isso, ela defende que há necessidade de ver qual é a casca que podemos consumir. A título de exemplo, temos a maçã que deve-se consumir com a própria casca, mas “o abacate deve se retirar a casca porque ela não digerível no nosso organismo”.

Uma dieta nutricional e alimentação saudável estão, igualmente, ao tipo de produtos que consumimos logo nas primeiras horas do dia. “Nós, como especialistas na área de nutrição e estudantes, recomendamos o não uso de alimentos altamente industrializados. Os refrigerantes têm muito açúcar e isso é prejudicial à saúde. As bolachas são alimentos processados”, rejeitou Ágil Come.

O aspirante a nutricionista defende maneiras dinâmicas de preparar alimentos de forma natural que não levem muito tempo ao acordar para poder consumir. “Temos como por exemplo, os tubérculos. Nós podemos fervê-los no dia anterior. Essa é uma opção saudável em relação às bolachas”, fundamentou.

Os painelistas defendem a consciencialização dos agregados familiares em matéria de uma alimentação saudável e equilibrada como forma de evitar problemas de saúde decorrente dos alimentos.

“É a questão mesmo da consciencialização do consumo do alimento e é por isso que resgatamos o assunto do consumo consciente. Da falta de conhecimento do valor nutricional, do facto de termos que nos questionarmos sobre o que estou a comer, estou a ser oferecido como alimento”, sugeriu Janete Mabui, docente de nutrição.

Os nutricionistas não recomendam o consumo excessivo do hambúrguer por ser um alimento de alta densidade energética e com muitas gorduras saturadas.

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