O País – A verdade como notícia

Na área de rigor: Frases feitas e “clichés” que pouco ou nada dizem!

Estamos num país em que não há problemas! Há desafios! Isto é o que diariamente referem certos oradores que solicitam a palavra, apenas para serem vistos e ouvidos. E como apareceu na TV, ele sabe que passará a ser um pequeno herói no seu bairro, porque falou, embora com pouca substância.

Há profissionais da palavra. Alguns parece que fizeram o doutoramento na matéria e (de) têm o dom da frase feita, bem arrumada, as fórmulas de monopolizar o microfone.

Passemos em revista alguns dos “clichés” em voga:

O saldo é positivo, pois as metas previstas foram “cumpridas” (ou compridas?) em 70 por cento.

Nós, como Governo, de acordo com o plano quinquenal… é o verbo fácil, decorado e/ou decalcado, da maioria dos politólogos.

No âmbito das directivas superiores, emanadas num despacho ministerial recente, já teremos condições para implementar um projecto, que permitirá, a médio prazo (quando?), melhorar as condições habitacionais na maioria dos bairros suburbanos.

Aos alunos recém-formados: como há escassez de trabalho, a orientação que vos damos é que optem pelo auto-emprego (vender crédito?). Vocês já possuem as ferramentas essenciais (quais?) para criarem as vossas empresas.

No desporto: fomos derrotados, agora só importa levantar a cabeça e continuar a trabalhar…

No Parlamento: Sra Presidente da AR, Excelência; Sr Primeiro Ministro Excelência, Srs Ministros e Vice-Ministros, Excelências; Digníssimos Presidentes do Conselho Constitucional e do Tribunal Administrativo, Excelências; Digníssimos mandatários do povo, Excelências! Protocolo observado, não posso esquecer o meu círculo eleitoral. Excelências: pedi a palavra, em nome do meu partido, para saudar a plateia e concordar com as contribuições do orador que me antecedeu. Muito obrigado!

Nas TV's: em primeiro lugar, gostaria de cumprimentar os colegas do painel, saudar o apresentador, enviar agradecimentos aos telespectadores e agradecer a oportunidade que me concedem. Indo directamente à questão que me coloca, gostaria de concordar com as contribuições da maioria dos ouvintes e reforçar a opinião do colega do painel que me antecedeu. Muito obrigado!

FORMALISMO ELEVADO AO EXTREMO

– “Temos um país sentado” – dizia o saudoso Ricardo Rangel, quando caracterizava a distância entre as intenções e a prática, com que nos deparamos dia-a-dia.

Vivemos uma herança de salamaleques, que virou moda. Discursos sem conteúdo, frases feitas, sem substância, “é o que está a dar”. Com a psicose dos títulos de Doutor ou Engenheiro, de premeio. Ao contrário do tratamento que se dá a Bill Clinton ou a Barack Obama, por exemplo. Entre nós, perde-se mais tempo nas citações, do que no transmitir algo palpável para contribuir para a matéria em debate.

Diz-se que em televisão, o tempo é dinheiro. Porquê, então, esbanjar tanta “mola” em tempo de crise?

Pessoalmente, cada vez que vejo alguém numa TV ou rádio, a desfazer em “entretantos” mudo de canal pois o sentimento que me invade, é o de que o “cara” não tem nada de substancial para transmitir.

 

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