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Mutota diz que carece “de uma autorização” para explicar como Nhangumele recebeu o convite para entrar no projecto

Foto: O País

Num interrogatório conduzido pelo Ministério Público, o réu Cipriano Mutota foi questionado sobre como é que Teófilo Nhangumele recebeu convite para fazer parte do projecto de Protecção da Zona Económica Exclusiva de Moçambique.

Uma resposta que Cipriano Mutota diz que precisa de uma autorização para dar. “Esta questão persegue-me desde a PGR e choca com o meu trabalho. Preciso de uma autorização para responder a essa pergunta.”

Mutota disse ainda, que pediu para ser acompanhado por Nhangumele ao encontro, no qual foi apresentado o projecto, para que ele o ajudasse a fazer a tradução, uma vez que a conversa seria em inglês. Entretanto, antes de chegar ao local da reunião, não tinha conhecimento sobre a agenda.

Por sua vez, o Ministério Público questionou se não havia serviços de tradução e interpretação no encontro, ao que Cipriano Mutota respondeu não lembrar.

Cipriano Mutota explicou, ainda, após ser questionado pelo MP, em que consistia o projecto de protecção costeira.

“Teríamos duas lanchas de apoio em Maputo e na Beira. Também haveria equipamentos para sobrevoar e tirar imagens de todos os objectos estranhos. O objectivo da visita às instituições que citei era para aprimorar as componentes que iam integrar o projecto. A ideia era proteger a área costeira e também a área terrestre. Haveria um reforço nas nossas fronteiras. O projecto era para ser implementado gradualmente. E a próxima fase dependia do sucesso da outra. Numa primeira etapa, previa-se a compra de três navios e uma avioneta”, relatou.

Questionado sobre como é que aplicou o valor recebido, como forma de agradecimento pelo trabalho prestado, o réu disse que o foi gastando gradualmente. “Não apliquei o valor em nenhum bem específico. Fui gastando o valor aos poucos. Tenho uma machamba em Mocuba, que plantei gergelim e milho. É só disso que me recordo.”

O primeiro réu ouvido pelo tribunal revelou ainda que foi feito um estudo de viabilidade, “que previa várias fontes de receita e a principal era o serviço de protecção de empresas petrolíferas, cobrança de taxas sobre o canal de Moçambique, entre outras”.

O réu, que é acusado de ter recebido USD 980 mil, disse ao Ministério Público que, através de Ângela Leão, numa conversa no seu escritório, quando ia levar a assinatura de uma resolução, tomou conhecimento de que o grupo Privinvest já tinha pago o FI de 50 milhões de dólares. “Ela disse: já viste às máquinas que estão a circular na cidade? Respondi que não, e ela disse pergunta ao teu amigo Teófilo. Quando questionei ao Teófilo, ele disse que não havia nada”, referiu.

Após a redacção da acta das respostas do réu ao Ministério Público, o Juiz propôs um intervalo de meia hora, tendo definido que a sessão retomaria às 18h45.

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