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Munícipes aproveitam pântano para produzir arroz em Maputo

Foto: O País

Mais de 60 agricultores cultivam arroz junto à portagem de Maputo, no Município da Matola, como saída à crise provocada pela COVID-19. Na safra, em média, cada agricultor consegue entre 4 e 6 sacos de arroz, direccionado para o consumo doméstico.

É uma realidade que passa despercebida aos olhos dos Munícipes de Maputo e Matola. Quem repara para esta área e vê pessoas com enxadas, nem imagina o que acontece.

Há tempos, naquele lugar apenas haviam hectares e hectares de caniço, uma imagem sobejamente conhecida por quem por aqui passa, seja por estrada, seja por linha férrea. Mas, hoje, o Caniçal deu espaço à produção do arroz, em pequena escala, que ajuda a alimentar mais de 60 famílias.

São agricultores que vêm de bairros como Magude, Trevo e Infulene, na Província de Maputo, ao longo da estrada nacional número quatro, que encontraram na produção do arroz uma alternativa à falta de emprego.

“A fome não respeita a ninguém. Eu não trabalho, mas tenho família, filhos e todos precisam de comer. Quando o Governo disse que todos que não tivessem trabalho fossem produzir, eu apostei na cultura do arroz”, disse Agy Albino, um dos produtores do arroz.

O idoso de 60 anos é natural da Zambézia, onde aprendeu a cultivar o Arroz. Veio a Maputo em busca de melhores condições, mas quando a pandemia da COVID-19 entrou, ele e a filha perderam a fonte de rendimento e, sem alternativas, eliminar o caniço para plantar arroz, foi a solução.

“Nós não sabemos se vai dar certo, mas produziremos para ver no que vai dar”, contou a filha do senhor Agy Albino.

Tudo começou em Fevereiro de 2021, quando alguns moradores do bairro Trevo decidiram cortar o caniçal, por ser alto e propiciar a criminalidade. Com os campos limpos surgiu a ideia de testar a cultura do arroz e deu certo, hoje o que mais se vê por aqui é esta imagem.

Gordino Pereira é também agricultor. Conta que no início cultivava couve e outros produtos, mas quando as pessoas começaram a produzir naquela área ele tratou de alinhar e adquiriu um espaço.

“Aqui o caniço era alto e já tinha bandidos que se escondiam nele, então decidimos cortar e os secretários dos bairros é que gerem a distribuição dos espaços. Nós pagamos 1000 Meticais para um espaço de 50 por 30 metros”, explicou Pereira.

Por ali há marido e mulher, pai e filha, viúvas, enfim, uma imensidão de cidadãos provenientes da Zambézia, Nampula, Sofala e Gaza e outras províncias do país que não encontraram o que vinham em busca.

“No ano passado, eu vendi alguns sacos. E espero que, com esta chuva consiga mais. Aqui produzimos para comer com as crianças lá em casa, já que meu marido não trabalha”, explicou Gina Emílio.

Em áreas com cerca de 50 metros quadrados, cada produtor consegue colher, em média, 4 a 6 sacos de arroz, destinados apenas para o consumo, porém, há quem já pensa no comércio.

A cada dia, há mais moradores destes bairros que decidem engrenar na produção do arroz e alguns já pensam em aumentar a sua produção para, num futuro próximo, fornecer os bairros vizinhos.

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