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Mulheres exigem papéis relevantes nos processos de paz e segurança

Diversas mulheres exigiram, nesta segunda-feira, na cidade da Beira, a necessidade de terem papéis cada vez mais relevantes nos processos de pacificação do país, assim como na segurança e reinserção social, este último no âmbito do DDR.

“Infelizmente, nós somos um país onde as guerras são recorrentes que terminam com assinaturas de acordos de paz frágeis. Durante estes processos de guerra, as principais vítimas são as mulheres, mas, quando chega o processo das negociações, encontramos uma fraca ou mesmo nula participação da mulher. Se ela não está lá no momento das negociações, como é que serão garantidas aquelas que são as suas necessidades específicas no momento da sua reintegração?”, perguntam as mulheres.

Elas acrescentaram que, neste momento, decorre o processo de DDR na região centro do país, no âmbito do último acordo de paz definitivo, assinado há cerca de dois anos em Maputo.

“Não estamos a conseguir perceber até que ponto estas mulheres que estão a ser reintegradas, as suas preocupações estão a ser atendidas. Temos que entender que reintegração neste contexto não pode significar ter o kit, as chapas de zinco e o subsídio.

A reinserção tem que ser sustentável social e economicamente, porque, se elas não estiverem estáveis, podemos voltar a ver os seus filhos e maridos a serem mobilizados para um novo conflito. É importante a sustentabilidade deste processo, porque são as mulheres que estimulam e garantem a reinserção”, explicaram as participantes, que defenderam a necessidade contínua da formação das mulheres.

Estes desejos e explicações foram manifestadas durante a conferência sobre Mulher, Paz e Segurança. A reunião, organizada pelo instituto para a Democracia Multipartidária, tem como objectivo contribuir para a melhoria da participação qualitativa e quantitativa das mulheres na matéria de paz e segurança e integrar a dimensão de igualdade de género em todas as fases dos processos de construção da paz, incluindo nos órgãos de tomada de decisão.

A Conferência sobre Mulher, Paz e Segurança realizou-se no quadro da implementação do projecto DELPAZ e das comemorações do 29º aniversário do histórico Acordo Geral de Paz, assinado em Roma a 4 de Outubro de 1992. O seu objectivo é contribuir para a melhoria da participação qualitativa e quantitativa das mulheres na matéria de Paz e Segurança e integrar a dimensão da igualdade de género em todas as fases dos processos de diálogo sobre a construção da paz, nos órgãos de tomada de decisão, assente no processo da consolidação da paz e desenvolvimento.

Os organizadores da iniciativa acreditam que, apesar dos avanços em termos de enquadramento, estruturas e formação sobre o papel das mulheres em conflito, elas continuam a ser marginalizadas nos processos formais de paz e segurança e são continuamente sujeitas à violência sexual e baseada no género em situações de conflito e não conflito. Há uma necessidade urgente de melhorar este cenário, para as mulheres exercerem o seu pleno potencial como agentes de paz.

A conferência de um dia contou com a participação de mulheres de diversos extratos sociais e foi orientada pela secretária de Estado na província de Sofala, Stela Zeca, que pediu união entre as mulheres sem olhar para as suas cores políticas.

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