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 Muçulmanos juntam-se nos apelos pela paz neste 2021

As duas grandes religiões monoteístas (o cristianismo e o islamismo) até podem divergir nalguns aspectos como o calendário, algumas leis e até a fonte dos seus princípios, mas convergem na essência: a defesa da moral e da boa convivência social. Não é ao acaso que mesmo não sendo um momento especial este, os muçulmanos, em Nampula, associaram-se aos demais que partilha o calendário gregoriano, o que usamos, para renovar os votos de paz, amor ao próximo e solidariedade entre os moçambicanos.

“Nós sempre temos palestras  nas mesquitas, onde os nossos dirigentes ensinam o povo como viver em tranquilidade. A religião islâmica é uma religião que abraça a todos, seja muçulmano ou não”, lembrou Amadu Bari, muçulmano devoto, que o entrevistamos este domingo à entrada da Mesquita Fátima, na cidade de Nampula.

“Como a própria religião diz: paz, então, normalmente os muçulmanos desejam paz para todo o mundo, principalmente para as pessoas”, acrescentou Saide Arone, outro muçulano entrevistado no mesmo local.

No seu calendário, baseado na aparição da lua, os muçulmanos não têm uma data específica que marca a passagem de um ano para o outro. No ano passado, por exemplo, foi em Outubro e agora estão no ano 1442. A passagem do ano acontece, geralmente, duas semanas depois do fim da perigrinação à cidade Santa de Meca, evento que lembra a migração do profeta Maomé de Meca para Medina.

No norte de Moçambique, a religião islâmica é a mais professada, onde em Nampula, por exemplo, estima-se que 60% da população é muçulmana.

E é no norte onde há mais de três anos vive-se um clima de insegurança, nos distritos da parte norte de Cabo Delgado, onde grupos terroristas evocam o islão para justificar os seus actos de violência.

O sheik Abdul Magid António, do Conselho Islâmico de Moçambique, bate na mesma tecla e diz que “as fontes da legislação islâmica condenam tudo aquilo que pode pôr em causa a tranquilidade, a estabilidade de uma nação; a estabilidade até de um lar, de um bairro, tudo aquilo que poderá minar a ordem e tranquilidade públicas. Sem dúvidas, são pessoas mal informadas que tentam associar esses actos macabros, de fundamentalismo, terrorismo, à religião islâmica”.

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