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Sob o lema ‘Cybersecurity/Estamos todos ameaçados’ iniciaram os debates do Segundo dia da Feira MOZTECH, que decorre no Centro de Conferências Joaquim Chissano, em Maputo.

 José Samo Gudo, Director-Geral da Escopil Tecnologias, disse, durante sua apresentação sobre o evento, que a questão de segurança cibernética é extremamente sensível porque estamos numa era em que já é praticamente impossível viver sem internet, daí ser importante estarmos seguros nesse mundo. “Tudo o que passa por uma rede informática deve ser protegido”, disse.

Para ser mais específicos, deu um exemplo no qual referia que um indivíduo com internet é tão ou até mais perigoso que um indivíduo armado, visto que, o homem armado só poderá atacar as pessoas que estão a sua voltam no entanto, o com internet pode ameaçar a qualquer pessoa, em qualquer canto do mundo, porque para a internet não existem fronteiras e não existem barreiras.

Por outro lado, referiu, a legislação no campo cibernético não é ainda muito clara.

Com o crescimento de utilizadores da internet, cresce também o número de ataques cibernéticos, perpetrados pelos famosos ‘hackers’. Actualmente, disse Samo Gudo, 50% de todo o mundo tem acesso à internet e a estimative é de que até 2025, 90% da população tenha acesso à internet, com isto, os registos de ataques também são notáveis. Deu exemplos, tendo destacado o saque de 112 milhões de dólares, em 1987 e o recém ataque que afectou várias pessoas de todo o mundo, no ano passado.

Aliás, um dos ataques cibernéticos mais comum é o malware (virus) e Samo Gudo disse que diariamente, são lançados de cerca de dois milhões de malwares são lançados.

E para se proteger dos hackers, defendeu a formação, os utilizadores precisam ser ensinados como e onde usar seus dados. Defendeu também a criação de políticas e procedimentos para limitar o acesso dos malfeitores.

E fez uma chamada de atenção: disse ser extremamente perigoso usar wi-fi gratuitos, porque muitas vezes pode não ser real, mas de um hacker que queira ter acesso aos dados de quem usar. “Não partilhe documentos sensíveis quando estiverem a usar wi-fi grátis”. E mais: “Não partilhe as senhas”.

No país, casos de ataques cibernéticos ainda não são de grande relevo, no entanto, não estamos numa ilha e precisamos nos precaver. “O mundo está a colapsar, temos que nos preparar. Não somos muito atacados porque ainda não somos um mercado apetecível para os hackers. Mas estamos a mudar e temos que nos preparar”, alertou.

 

O primeiro painel do segundo dia da MOZTECH – 2018 discutiu “Cybersecurity – estamos todos ameaçados?”. Neste encontro, no Centro de Conferências Joaquim Chissano, em Maputo, quatro oradores apontaram um conjunto ideias susceptíveis de fazer das tecnologias uma ferramenta importante para o desenvolvimento das sociedades conectadas à internet.

Com efeito, sendo que o digital é indispensável, Eugénio Novele, Director Técnico da internet Solutions e um dos oradores do painel, defendeu que a segurança é algo crucial no contexto tecnológico/ internet. Por isso, a sua instituição preocupa-se em montar uma equipa especializada àquele nível. Nisso, a atitude e a consciência do que se pretende proteger são questões prioritárias. Aliado a isso, “no que toca à segurança, a confidencialidade dos profissionais deve dar conforto aos clientes”. Novele acredita que é preciso transmitir aos utilizadores da internet, administradores e clientes que se está num ambiente sensível. “No contexto em que a tecnologia e os processos estão a evoluir, é preciso investir na componente humana, considerando que se leva cinco anos para criar um especialista de segurança”, revelou.

Alsone Guambe, Responsável de Segurança de Sistemas de Informação do Milllennium BIM, defendeu a necessidade de se encarar a formação de forma transversal. Se, por um lado, os administradores devem estar bem formados para a segurança ser certa, os clientes também merecem estar preparados, de modo que ganhem consciência de que devem estar seguros e a importância que daí advém. “Temos que ter cuidado no uso das tecnologias, com a noção de que nem todos os serviços devem ser acedidos de qualquer local”.

Apontados os requisitos fundamentais para o uso lúcido das tecnologias, José Samo Gudo, Director-Geral da Escopil Tecnologias, sugeriu mais um, tão importante como os outros: “temos que investir mais na ética, porque a ética vai servir de consciência se o trabalhador decidir ou não cometer fraudes. A ética é o principal factor na formação, o que nos permite ter polícias do que infractores”.

No primeiro painel do dia, interveio igualmente Massinga Apala, Director Postal e de Telecomunicações do Instituto Nacional de Comunicações de Moçambique (INCM). Apala espera que ainda este semestre seja aprovada uma estratégia de segurança nacional e que no segundo seja implementado.

O INCM está a desenhar praças públicas a nacional com WI-FI, como já acontece no Jardim Tunduru, afinal, para se estar seguro, é preciso que se esteja conectado. E porque a formação esteve muito em discussão, Apala deixou uma recomendação: “é preciso criar procedimentos do uso de sistema de informação. Os administradores e utilizadores são o ponto mais frágil nas instituições”.

 

 

 

 

 

 

 

O ministro dos Transportes e Comunicações, Carlos Mesquita, dirigiu a cerimónia de abertura da 5ª edição da maior feira tecnológica do país, MOZTECH, evento que decorre no Centro de Conferências Joaquim Chissano, em Maputo, sob o lema “Construção de uma sociedade de conhecimento hiperconectada”.

Na ocasião, Mesquita saudou a organização pela criação do espaço MOZTECH, que considera constituir uma oportunidade para promoção de debates que contribuam para busca de soluções tecnológicas para o desenvolvimento do país.

O governante disse esperar que o espaço sirva, igualmente, como  plataforma de incentivo ao empreendedorismo e um espaço de incubação das tecnologias de informação e comunicação (TIC).

A participação do Governo, nesta feira, constitui uma oportunidade para abordar o desenvolvimento das TIC  e construção de uma sociedade hiperconectada. Aliás, falando no assunto, apontou a recente instalação de internet grátis no Jardim Tunduru, como um passo significativo para essa criação e disse que o gesto será replicado em vários pontos do país, para permitir que mais cidadãos tenham acesso às TIC.

Mesquita acrescentou que a construção de sociedades hiperconectadas teve ser tida como um processo incontornável na criaçao de uma sociedade moderna, por isso, voltou a saudar a realizaçao da feira MOZTECH, pois tem mobilizado toda a sociedade e impulsiona o desenvolvimento das TIC através dos debates promovidos a cada edição.

No entanto, referiu que estas criações de sociedades modernas e hiperconactadas devem ser inclusivas e respeitar as diversidades culturais e linguísticas.

Por outro lado, apresentou constrangimentos como o fraco domínio e acesso às TIC, e frizou que a alfabetização digital é fundamental no processo.

 

Sob o lema “Bussines Digital Transformation/prepare-se ou desista”, iniciou o primeiro debate da 5ª edição da Feira MOZTECH. Com a moderação de Boaventura Mucipo, do Grupo SOICO, os painelistas falaram sobre a importância da digitalização no desenvolvimento global e do país.

O representante da embaixada sueca falou do exemplo da Suécia no processo digital, tendo referido que o seu país está na vanguard. Disse estar a ter bons resultados e mostrou disponibilidade do país em ajudar o país no que for necessário para apostar na transformação digital.

Outro painelista, o gerente de vendas tecnológicas da SACD pela Oracle Corparation, Amrith Nawoor, foi incisivo na sua abordagem em relação à transformação digital. Disse haver necessidade de se melhorar a formação, para responder a demanda da indústria tecnológica.“Precisamos investir nos jovens. Quando olhamos para os jovens, vemos uma lacuna, os curriculos não respondem a demanda da indústria”, disse e acrescentou que é preciso que a academia preparem os jovens para abraçarem o Mercado digital.

E, falando em academia, Jorge Ferrão, reitor da Universidade Pedagógica, estava na plateia e foi convidado a intervir. Ferrão começou por concordar que a academia deve estar associada ao processo de inovação. Mas apontou um constrngimento: “A academia está presa ao papel. Não conseguimos libertar-nos do papel”, disse, e deu exemplo de docents que muitas vezes não aceitam publicar no format digital, quando não o podem fazer no formato tradicional (papel).“Temos dificuldades em aceitar que podemos publicar de forma digital”, referiu.

Mas também falou dos exemplos de digitalização que a UP está a seguir, tendo apontando a inscrição de candidatos para os exams de admissão e a consulta de resultados, que tem sido através de telemóvel. Porém, voltou a apresentar constrangimentos: “O pagamento é digital e na comunicação entre o estudante e o banco, temos os hackers que pretende entrar no sistema e seguir essa comunicação entre o estudante e a banca”. Os bancos criaram formas de travar, ainda assim, acho que não estamos seguros para embarcar nesta metodologia”.

E sobre sociedades hiperconectadas, disse ser fundamental que se creiem condições para que os jovens estejam, primeiro, conectados. “Não sei como queremos estar hiperconectados sem estar conectados”, disse, em jeito de brincadeira.

Chamado também a intervir, Jorge Octávio, Administrador do Millennium bim falou das apostas, tanto digitais como nos jovens, da sua instituição como o Millennium izi.  “Desenvolvemos inovações, com técnicos jovens formados em Moçambique, que permitem abrir contas sem papel”, apontou como um dos exemplos.

Ainda no âmbito da banca, Pedro Carvalho, da Barclays, disse que o desafio não só para o sector, mas para o país, é acompanhar o ritmo da transformação digital. “Temos o desafio de nos manter ao nível dos outros no desenvolvimento”

Já Fátima Arthur, Administradora do pessoal e serviços corporativos da Electricidade de Moçambique (EDM), disse que a questão da digitalização não é só necessária mas inevitável. Para Fátima, esse conceito traduz-se, falando no seu sector, em permitir, por exemplo, que se atinjam níveis aceitáveis da electrificação, que não significa necessariamnete conactar energia às casas, mas usá-la em quase todos os sectores de desenvolvimento do país.

Neste painel, os oradores destacaram ser necessário, no processo de transformação digital, que se crie um bom ambiente de negócios, um quadro legal favorável, que se aposte cada vez mais no capital humano, sobretudo os jovens e se tenha sempre em conta a questão da segurança cibernética.

 

O Director-Geral do Instituto Nacional de Comunicações de Moçambique (INCM), Américo Muchanga, recebeu o prémio mais esperado no jantar de gala, o prémio Carreira da 5ª edição da MOZTECH.

Coube ao administrador do Banco de Moçambique, Paulo Maculuve, fazer a apresentação do premiado da noite. Maculuve diz que não tem como falar de tecnologias sem falar de Muchanga, ele contribuiu para que a disseminação das tecnologias de Informação e Comunicação em Moçambique fosse uma realidade.

“O Governo electrónico, a transformação tecnológica e a formação de milhares de jovens que hoje falam de tecnologias como falam de si próprios é graças ao trabalho de Muchanga”, afirma Maculuve.

A entrega do prémio foi feita pelo ministro dos Transportes e Comunicações, Carlos Mesquita.

 

O PCA da MCNET, Rogério Samo Gudo, procedeu, durante o jantar de gala da 5ª edição da Feira MOZTECH, à entrega do Prémio Melhor Contributo no Desenvolvimento da Janela Única Electrónica (JUE).

O prémio foi para o Director-Central de sistemas de informação do BCI, Rui Garcês e Alberto Tovela, analista funcional do BIM.

O prémio entregue pelo PCA da MCNET, Rogério Samo Gudo, é pelo contributo pessoal como utente da JUE.
“A JUE depende de seus utilizadores, quer seja o seu grau e qualidade de uso e em relação ao feedback constante de como podemos melhorar a plataforma”, disse Samo Gudo.

O PCA da MCNET acrescentou ainda que, as individualidades premiadas são pessoas que estão comprometidas em fazer bem as suas actividades e tirar maior proveito dos recursos que a JUE representa no seu trabalho.

 

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