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Mortes, violação sexual e acidentes de viação…as manchas do natal

Detidos cinco indivíduos acusados de violação sexual, roubo e tentativa de
homicídio durante a celebração do Natal, na cidade de Maputo. Duas mortes,
uma por acidente de viação e outra do tipo infanticídio mancharam o dia da
família. Os indiciados por estes crimes, também, estão nas celas da PRM.

Quando chega o natal, muitas famílias comemoram o amor, a união e a paz, elementos que parecem não ter tido espaço em todos nós. É que há crimes que tentaram manchar as celebrações do nascimento de Jesus Cristo.

Um jovem de 19 anos de idade, no lugar de celebrar a festa de família, é acusado pela Polícia de ter aproveitado o momento para satisfazer os seus desejos sexuais numa menor de 10 anos e está detido. “Eu não violei a menina. Ela estava a dormir com a minha cunhada e fui para o seu quarto para pedir carregador de computador e, não tendo achado, dei meia volta e fui dormir porque estava embriagado”, contou o indiciado.

Mesmo nas mãos da Polícia, o indiciado desmente as acusações e argumenta que
nunca faria tal coisa. “Eu não violei essa menina. A irmã sabe disso. Queria que ela
estivesse aqui para me mostrar as marcas da violação. Sou inocente”, defendeu-se, o jovem de 19 anos.

Se o jovem de 19 anos de idade diz que não seria capaz de fazer tal coisa, em pleno dia do natal, um indivíduos de 24 anos tentou matar a própria esposa, de 30 anos, metendo-a num poço de dois metros de profundidade e valeu a pronta intervenção da vizinhança que o pior não sucedeu.

“Eu não sei o que me fez agir desta forma. Voltei das bebedeiras e quando não a
encontrei em casa, tirei as roupas delas que era para ir embora. Ela não fez nada
demais. Nada justifica o que fiz. Meti ela no poço sem necessidade e não foi porque estava muito embriagado”, confessou o indiciado.

O jovem confessa o crime e diz que está arrependido. “Estou arrependido. Peço que me façam qualquer coisa porque o que aconteceu comigo não é normal. Eu poderia ter matado ela”, disse o jovem com voz trémula e num tom de desespero.

Uns aventuram-se para este mundo do crime pela primeira e outros nem por isso, mas todos estão unidos por algemas e partilham a mesma cela depois de roubo de dois plasmas e igual número de botija. “Roubamos plasma e botija de gás numa casa que não conheço muito bem porque eu sou de Chibuto, província de Gaza e vim para cá à procura de dinheiro uma vez que o meu curandeirismo não deu certo, mas chegado cá encontrei os dois jovens que disseram que há formas de ganhar dinheiro e fomos roubar. O curandeirismo não tem nada a ver com isso”, assumiu o detido, de 20 anos de idade.

O outro, da mesma idade, também diz não conhecer os membros da pequena
quadrilha. “Eu não lhes conheço. Encontrei-os na cidade e disseram-me para irmos roubar. Eu concordei sem saber que daria nisso”, defendeu-se o acusado.

Já o mais velho do grupo, com 25 anos, já passou pelas celas da Polícia duas vezes
sendo esta a terceira e não estava nos planos, mas o curandeiro do grupo lhe garantiu segurança. “Cumpri uma pena de nove meses na cadeia central e dois numa esquadra, também, da cidade de Maputo. Esta última vez, eu nem queria sair, mas estes dois jovens chamaram para roubar. Perguntei se eles tinham a certeza que queriam roubar em pleno dia 25, o curandeiro disse que não precisa temer porque tinha uma defesa para que não fôssemos apanhados e eu acreditei”, narrou o acusado.

Essas são apenas algumas ocorrências que marcaram o Natal na cidade de Maputo. Mas também houve mortes, um por acidente de viação e a outra do tipo infanticídio. “No distrito municipal Kanyaka tivemos uma situação de infanticídio em que os pais de um bebé de 10 meses saíram para beber e deixaram-no sozinho. À sua volta, os dois estavam embriagados e deitaram sobre o bebé, tendo, de seguida, morrido por asfixia”, revelou Leonel Muchina, porta-voz do Polícia na cidade de Maputo.

Leonel Muchina fez ainda saber que houve uma morte por atropelamento na cidade de Maputo. Não obstante estas ocorrências, a Polícia diz que o natal deste ano foi calmo quando comparado com o de 2019.

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